São Paulo (SP) — A ExpoSKI chega à sétima edição com crescimento no número de fornecedores e participantes e uma estratégia voltada à ampliação da presença internacional do evento. Em entrevista nesta terça-feira (8), em São Paulo, Adriana Boischio, organizadora da feira, avaliou que a edição de 2026 é a melhor realizada até agora, principalmente pelo aumento da participação de agências e operadoras de diferentes regiões do Brasil e pela diversidade de fornecedores.
“É a melhor de todas, sem dúvida, tanto em número de fornecedores quanto em número de visitantes. Enfatizar a visitação de agências e operadoras de fora é muito importante para nós, porque sabemos que o mercado não é só São Paulo. O Brasil inteiro tem potencial, com agências com grande potencial e vontade, desejo e necessidade de conhecer e saber mais sobre os destinos de neve”, afirmou.
Segundo Adriana, a feira também ampliou a presença de fornecedores internacionais. Nesta edição, participam representantes de destinos dos hemisférios Sul e Norte, incluindo Chile e Argentina, além de Estados Unidos, Andorra, França, Itália, Suíça e Áustria. A organizadora destaca ainda o aumento da participação austríaca e italiana e a entrada da Suíça no evento, com duas montanhas representadas. “As coisas caminham e o mercado para nós é muito bom, é muito grande”, disse.
A programação mantém o formato baseado em treinamento e capacitação, reunindo fornecedores e operadoras com agentes que já trabalham com esqui e profissionais que buscam ingressar no segmento. “A fórmula deu muito certo. Temos os fornecedores e também as operadoras que participam como expositores. Isso é o mais importante: reunimos todas as operadoras. A ideia é que as agências conversem com os fornecedores e depois conversem com as operadoras. O evento é aberto a todas as operadoras que queiram participar. Nós não somos uma bandeira e não trabalhamos somente com uma”, explicou.
São Paulo como hub do esqui na América do Sul
A expansão para outros mercados é uma das principais estratégias da ExpoSKI. De acordo com Adriana, há dois anos a organização investe na atração de profissionais de outros países da América Latina, com o objetivo de transformar São Paulo em um ponto de encontro do mercado de neve na região. “A gente está há dois anos investindo em trazer a América Latina, investir em outros mercados, trazer agências e trabalhar não somente com o Brasil, mas fazer de São Paulo o hub do esqui, fazer da ExpoSKI o hub do esqui na América do Sul”, afirmou.
A estratégia inclui a atração de agentes e operadores da Argentina, Chile, Peru, Colômbia, Uruguai e Panamá. Para Adriana, a presença desses mercados é importante mesmo quando os destinos de neve não estão localizados nesses países. “A montanha não vai até o Peru, mas, ao mesmo tempo, o Peru tem mercado e potencial para vender esqui. Na Colômbia é a mesma coisa. Sabemos que a montanha, o hotel, vêm para São Paulo pela grandiosidade do evento, mas não vão até Bogotá promover”, explicou.
A organizadora também destaca que a expansão internacional exige investimento direto na divulgação da feira. “Desde o ano passado estamos investindo dinheiro mesmo, promovendo, por meio de comunicados e e-mail marketing, o evento lá fora para começar a trabalhar junto à ExpoSKI”, afirmou.
Novos destinos e capacitação ampliam mercado
Para Adriana, a procura dos profissionais brasileiros por novos produtos é um dos principais indicadores do potencial de crescimento do segmento. Segundo ela, a feira recebe todos os anos agências que nunca trabalharam com esqui e que chegam ao evento para aprender a vender o produto. “Eles são carentes de informação. Não querem mais os mesmos destinos, como Aspen, Colorado e Nevada. Eles querem novidades, precisam ter um portfólio, um catálogo, sabendo quem é quem”, disse.
A organizadora considera que a diversificação da oferta é fundamental para que o esqui alcance novos clientes.
“É muita estação, é muita demanda de estação. As agências querem novidade, e a ExpoSKI traz novidade, traz fornecedores novos. É isso que as agências precisam: ter estações novas, hotéis novos e sugestões novas”, afirmou.
A capacitação aparece como um dos pilares do evento. Além das apresentações realizadas pelos expositores, a programação conta com workshops voltados à compreensão dos destinos e à montagem de viagens de inverno. Adriana cita, como exemplo, uma apresentação sobre os Alpes franceses que utiliza mapas para explicar a localização das principais estações e vales da região. “A ExpoSKI tem esse grande diferencial também, que é cultura e educação sobre os esportes de inverno e os destinos de inverno. É mostrar que não é uma coisa tão difícil para o brasileiro, é uma coisa superacessível”, destacou.
Esqui além do mercado de luxo
Adriana também contesta a percepção de que o esqui seja necessariamente um produto restrito ao segmento de luxo. Segundo ela, as estações oferecem diferentes categorias de hospedagem e permitem a construção de viagens com variados níveis de investimento. “O esqui não é mais um mercado de luxo. Primeiro porque, quando você vai a uma estação de esqui, tem todos os tipos de hotelaria. As estações têm todos os tipos de hotelaria”, afirmou.
A organizadora explica que a própria ExpoSKI busca reunir fornecedores com diferentes perfis de produto. “A ExpoSKI recebe tanto esses hotéis cinco estrelas como trabalha para receber os mais em conta também. Até para a América do Sul, fizemos um plano de venda diferente para poder receber essas empresas menores”, disse.
Para Adriana, o custo de uma viagem de neve também envolve despesas específicas, como passe de esqui, equipamentos e roupas, mas isso não significa que o produto esteja limitado a um único perfil de consumidor.
Próxima edição já tem data
Mesmo com a sétima edição ainda em andamento, a organização já definiu a data da próxima ExpoSKI. A feira de 2027 será realizada nos dias 13 e 14 de setembro, mantendo o período considerado estratégico para o mercado internacional. “É o período que as estações estão acostumadas. Não adianta passar para agosto nem para outubro. O pessoal já está acostumado com esse período, a primeira quinzena de setembro”, afirmou.
Para o próximo ano, a proposta é manter o formato atual e ampliar a participação de fornecedores e profissionais. “Por enquanto, a fórmula é a mesma: trabalhar para trazer mais fornecedores e mais participantes ainda. É aquilo: não parar nunca de crescer, porque sempre tem mais gente querendo começar a vender”, concluiu.
A organizadora avalia que o crescimento do número de novos agentes interessados em comercializar viagens de neve indica espaço para expansão do segmento. “Você pega, por exemplo, uma operadora, uma agência que não vende esqui, ela começa a ter demanda, começa a ter passageiro perguntando sobre esqui. E ela não vai ficar de fora? Ela quer entender como funciona esse universo”, afirmou.

