25 anos do 11 de setembro: como os atentados mudaram as viagens de avião

Maurício Herschander
Maurício Herschander
Repórter - E-mail: mauricio@brasilturis.com.br

Passar a bagagem pelo raio-X, retirar objetos dos bolsos, tirar o cinto, separar líquidos e atravessar áreas de embarque submetidas a controles cada vez maiores. Procedimentos hoje incorporados à rotina de quem viaja de avião são resultado, em parte, de uma transformação que ganhou força há 25 anos, depois dos atentados às Torres Gêmeas, nos Estados Unidos, ocorridos em 11 de setembro de 2001.

“Esta tragédia foi um divisor de águas para a Aviação, porque os níveis de segurança tiveram que ser aumentados. Até hoje, sem sombra de dúvida, a experiência no aeroporto continua sendo influenciada por esse fato”, afirma Alexandre Faro, coordenador do curso Aviação da Universidade Anhembi Morumbi, que integra a Ânima Educação.

Os atentados estabeleceram novos parâmetros de segurança para a aviação internacional. Ainda em 2001, uma das primeiras medidas adotadas foi ampliar a proteção das cabines de comando, com portas mais resistentes e regras rigorosas para entrada. Outras ameaças levaram a novas mudanças nos anos seguintes: em 2002, casos de explosivos ocultos em calçados aumentaram a fiscalização sobre sapatos; já em 2006, um plano que previa explosivos líquidos resultou em regras mais restritivas para esses itens nas bagagens de mão.

Nesse processo, os passageiros passaram por inspeções mais detalhadas, enquanto as malas receberam novas formas de controle. A cabine de comando, por sua vez, deixou de ser um ambiente que eventualmente integrava a experiência dos viajantes e tornou-se uma das áreas de acesso mais restrito dentro das aeronaves. “Antes do 11 de setembro, a cabine de pilotagem fazia parte de algo relacionado à experiência do voo. Era muito comum que crianças visitassem o local e pessoas aficionadas pela aviação fossem até lá e tirassem fotos”, conta Faro.

Após os atentados, nos quais sequestradores tomaram o controle de quatro aeronaves comerciais, impedir o acesso indevido aos comandos dos aviões tornou-se uma das prioridades do setor. Portas mais resistentes e procedimentos específicos de entrada passaram a compor os protocolos adotados pelas empresas. “A cabine passou a ser algo inviolável”, acrescenta.

As alterações, porém, foram implementadas em diferentes etapas. Em 2001, os atentados colocaram a proteção da cabine e o acesso às aeronaves entre as principais preocupações. No ano seguinte, a tentativa de esconder explosivos em sapatos elevou o controle sobre calçados nas inspeções. Em 2006, a identificação de um plano para utilizar explosivos líquidos em aviões deu origem a restrições que permanecem presentes nas regras para bagagens de mão.

O resultado dessa evolução pode ser percebido por qualquer passageiro que passe por um aeroporto em 2026. Detectores, scanners, inspeções de malas e limitações para determinados objetos compõem uma sequência de controles implementados após diferentes episódios, com o objetivo de diminuir riscos na operação aérea. “Houve um aumento no rigor da inspeção dos passageiros e a área de embarque passou a ser muito mais vigiada”, afirma Faro.

Triagem, controle e monitoramento

Uma parcela relevante desses procedimentos ocorre longe da percepção dos passageiros. De acordo com Faro, o modelo de segurança aérea pode ser dividido em quatro áreas que trabalham de forma complementar: triagem dos viajantes, controle das bagagens, vigilância das zonas operacionais dos aeroportos e acompanhamento das próprias aeronaves.

A primeira frente envolve diretamente o viajante, com processos de identificação, fiscalização e controle antes da entrada nas áreas restritas. A segunda está relacionada às bagagens. As malas despachadas são vinculadas aos respectivos passageiros e monitoradas no trajeto até o avião. Caso algum elemento suspeito apareça durante a inspeção, a bagagem pode ser retirada do fluxo normal para uma nova verificação.

Outra camada de segurança está localizada na estrutura aeroportuária. O chamado “lado ar”, que compreende pátios e zonas próximas às aeronaves, possui circulação controlada e monitorada. A quarta frente continua mesmo após a partida do voo, quando informações operacionais dos aviões são transmitidas e acompanhadas pelas companhias aéreas.

Na operação cotidiana, as quatro frentes atuam de forma integrada. Algumas delas são percebidas diretamente pelos passageiros, como scanners, raio-X e verificações presenciais, enquanto outras permanecem nos bastidores. Juntas, elas permitem ampliar o controle sobre a jornada desde a chegada ao terminal aeroportuário até a operação da aeronave durante o voo.

Segurança acompanha novas formas de ameaça

Na avaliação de Faro, um dos principais aprendizados acumulados nas últimas décadas é que os protocolos de segurança da aviação precisam acompanhar as transformações tecnológicas. Novas ferramentas também podem criar outras modalidades de ameaça, o que exige adaptações permanentes por parte das autoridades e das empresas responsáveis pela operação aérea.

“Isso vai acontecer ao longo da história da aviação. É uma coisa viva e constante, porque as ameaças nunca estarão totalmente identificadas. Na medida em que há evolução da tecnologia, também pode haver evolução nas formas de ataque e de terrorismo”, analisa.

Para quem viaja, o aumento da proteção também alterou a rotina dentro dos terminais. Filas de inspeção, scanners, equipamentos de raio-X e verificações adicionais tornaram o processo de embarque mais longo e complexo em comparação ao período anterior aos atentados de 2001. “É necessário? Sim, mas a experiência dentro do aeroporto para o passageiro ficou muito mais cansativa”, avalia.

LEIA MAIS NOTÍCIAS

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem, 
necessariamente, a opinião deste jornal

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

MAIS LIDAS

NEWSLETTER

    AGENDA 2026

    REDES SOCIAIS

    PARCEIROS