São Paulo (SP) – A Corazul Cruzeiros apresentou, na noite desta quinta-feira (10), em São Paulo, novas medidas para sua temporada de estreia no Brasil em 2026/2027. Durante evento realizado em parceria com a R11 Travel, representante da companhia no País, a armadora anunciou a ampliação do período de operação em águas brasileiras e um incentivo comercial que prevê 10% adicionais de comissão para as agências de viagens.
Inicialmente prevista para chegar ao Brasil em 6 de novembro, a Corazul antecipou o início da operação para 23 de outubro. A permanência também será maior: a programação, que terminaria em 6 de março, seguirá até 26 de março. Para Ricardo Amaral, CEO da R11 Travel, a mudança representa um primeiro passo para ampliar a presença da companhia no mercado nacional. “Vamos chegar antes. Estava previsto chegar no dia 6 de novembro, vamos chegar no dia 23 de outubro. E vamos ficar mais, a gente ia ficar até o dia 6 de março, vai ficar até o dia 26 de março”, destacou.
A principal novidade comercial, porém, está na remuneração destinada aos agentes de viagens. Durante a temporada, as agências receberão dez pontos percentuais adicionais de comissão. Na prática, uma empresa que normalmente recebe 10% passará a ter 20%, enquanto uma agência com comissão de 12% chegará a 22%. “Isso é sem precedente, eu nunca ouvi falar. Se a agência tem 10%, ela vai ter 20%; se ela tem 12%, ela vai ter 22%. Essa comissão para cruzeiro marítimo é uma comissão muito relevante”, afirmou Amaral.
O incentivo faz parte de um pacote mais amplo para estimular a comercialização do produto. Segundo o executivo, todas as viagens terão descontos entre 5% e 15%, de acordo com a categoria escolhida. A R11 também prepara um webinar voltado aos agentes de todo o Brasil e uma campanha de mídia que contará com mais de mil inserções em canais de TV por assinatura, além de presença em jornais e veículos direcionados ao trade turístico.
Outra frente será o apoio direto às agências. A companhia reservou R$ 250 mil para ações de marketing desenvolvidas pelos próprios parceiros, com até R$ 5 mil para cada uma de 50 empresas. O recurso poderá ser utilizado em iniciativas locais, como anúncios em rádio, jornais e televisão, produção de materiais promocionais ou eventos direcionados aos clientes. A proposta, segundo Amaral, é combinar a exposição nacional da nova marca com iniciativas capazes de alcançar consumidores em diferentes mercados emissores.

Corazul mira presença de longo prazo no Brasil
A ampliação da primeira temporada também acompanha os planos da Corazul para manter uma operação recorrente no País. Camille Appeldoorn, COO da companhia, descartou a ideia de que a estreia tenha caráter experimental e afirmou que a estratégia prevê a presença da armadora durante os verões brasileiros.
“É um plano de longo prazo. Não é uma operação única para vir aqui e fazer isso. Estamos aqui para ficar. Não é uma operação única. Não é um teste”, declarou Appeldoorn. O executivo explicou que o conceito prevê operações no Mediterrâneo, em destinos como Espanha e Portugal, durante o verão europeu, seguidas pela transferência do navio para o Brasil na temporada de verão do Hemisfério Sul.
A empresa também já estuda possibilidades de expansão para os próximos anos. Entre elas está uma viagem de volta ao mundo, projeto ainda em análise. Appeldoorn indicou ainda que a ambição da Corazul ultrapassa a operação de apenas uma embarcação, com planos para crescimento futuro da frota.
Na avaliação do COO, a entrada de uma nova companhia também pode contribuir para recuperar a capacidade do mercado brasileiro de cruzeiros após a retração registrada na temporada anterior. Além do aumento da oferta, ele citou os possíveis impactos econômicos nos destinos atendidos, tanto pela movimentação de passageiros quanto pela geração de postos de trabalho. A companhia pretende superar, quando possível, a exigência de 25% de brasileiros entre os profissionais a bordo.
A estratégia comercial terá forte orientação ao B2B. Appeldoorn destacou que a Corazul pretende preservar a relação dos agentes com seus clientes e evitar uma disputa direta pelo passageiro. Segundo ele, até mesmo em uma futura venda de outro cruzeiro ao mesmo consumidor, a intenção é manter a comissão vinculada ao agente responsável pelo relacionamento. “Queremos ser verdadeiros com o agente de viagens com quem trabalhamos”, afirmou.
Para Amaral, a escolha da R11 como distribuidora brasileira também coloca a empresa no centro da preparação da temporada. A companhia ficará responsável pela distribuição, treinamento dos agentes e utilização de seu sistema como base para as reservas. “Eu não vejo a Corazul se mantendo como uma marca de passagem. Acho que eles vão crescer. Estou colocando todos os nossos esforços para a empresa crescer no futuro e ficar mais tempo no Brasil”, concluiu o CEO.














