São Paulo (SP) — A Itália busca ampliar sua presença no mercado brasileiro de turismo de inverno ao apresentar uma oferta que vai além das tradicionais viagens por cidades, gastronomia e enoturismo. Durante a ExpoSKI 2026, realizada nos dias 8 e 9 de setembro no Clube Athletico Paulistano, Barbara Oristânio, representante da Agência Nacional Italiana de Turismo (Enit) no Brasil, apresentou destinos de neve, opções de esqui e experiências gastronômicas distribuídas pelo país.
Segundo os dados apresentados pela representante, o turismo internacional de montanha na Itália registrou crescimento em 2025.
“Os números de viajantes internacionais que escolheram a montanha passaram de 2,6 milhões para 3,7 milhões. Isso quer dizer que tivemos um crescimento de 45% na despesa turística, que também cresceu 54%, chegando a aproximadamente €3,6 bilhões”, explicou Barbara.
No mercado brasileiro, a Itália recebeu aproximadamente 638 mil viajantes em 2025, responsáveis por cerca de quatro milhões de pernoites e aproximadamente €5 milhões em gastos turísticos. Os números consideram o turismo para o país como um todo e não representam exclusivamente os viajantes que tiveram a montanha como foco da viagem.
Montanha como extensão do roteiro
Barbara destacou que regiões como Piemonte e Lombardia já fazem parte dos roteiros dos brasileiros, principalmente pela presença de destinos como Milão e os lagos italianos. A estratégia, portanto, é apresentar a montanha como uma possibilidade de extensão desses itinerários.
“A montanha tem que ser, ela pode ser acrescentada em um roteiro ou pode ser a escolha principal”, disse a representante.
A oferta de inverno italiana está concentrada principalmente no norte, mas também se estende pelo centro e pelo sul do país. Ao todo, são mais de 280 estações de esqui distribuídas entre os Alpes e os Apeninos, com aproximadamente 5,8 mil quilômetros de pistas.
No noroeste, o Vale de Aosta foi apresentado como uma região marcada pelas altas montanhas e paisagens alpinas, com opções que combinam esporte, cultura e gastronomia. No Piemonte, a Via Lattea reúne cerca de 400 quilômetros de pistas interligadas e tem entre seus diferenciais a realização de competições olímpicas de inverno. A região também permite combinar a experiência de neve com o enoturismo de Langhe.
Na Lombardia, a proximidade com Milão funciona como um dos principais pontos de acesso para os brasileiros interessados em conhecer as áreas de montanha do norte. Entre os destaques estão destinos como Livigno e Bormio, que, além das atividades na neve, oferecem opções de trekking e águas termais.
Dolomitas ampliam possibilidades
No nordeste italiano, o Trentino foi apresentado como uma das regiões de maior destaque para o turismo de inverno. A área de Dolomiti Adamello Brenta reúne oito áreas de esqui, aproximadamente 380 quilômetros de pistas e 150 meios de elevação, permitindo diferentes combinações de destinos e experiências.

“Não é um único destino, mas um conjunto de pequenos vilarejos, de quilômetros e quilômetros de pistas”, explicou Barbara.
Já no Alto Adige, a principal referência apresentada foi o Dolomiti Superski, sistema que reúne 12 áreas de esqui, cerca de 1.200 quilômetros de pistas e 450 meios de elevação. A dimensão da estrutura permite que o viajante combine diferentes vilarejos e áreas de esqui em um mesmo roteiro.
“Você consegue praticamente fazer um roteiro só de montanhas. Consegue contornar a região, conhecendo diferentes vilarejos, passando por diferentes pistas e criando um roteiro em volta das Dolomitas”, afirmou.
Para Barbara, a diversidade da oferta torna fundamental que o agente de viagens conheça o perfil do cliente antes de definir o destino. Famílias, jovens interessados no esporte, viajantes que buscam gastronomia e turistas que terão o primeiro contato com a neve podem encontrar produtos diferentes dentro de uma mesma região.
“É muito importante isso também quando a gente estuda um pouco mais sobre o destino, não se limitar só ao que já é conhecido, porque existem diferentes opções que podem entregar exatamente o que o turista brasileiro está procurando”, destacou.
A representante da Enit também chamou atenção para a possibilidade de inserir experiências de inverno em roteiros que não tenham a neve como foco principal. Na Toscana, por exemplo, uma estação de esqui pode ser acrescentada a uma viagem pela região, funcionando como uma experiência de curta duração para o viajante que ainda não está habituado ao frio.
“Pode ser uma experiência de um final de semana para você sentir e, depois, na próxima vez, fazer mais. É uma forma de introduzir o inverno e o turismo de inverno no roteiro do turista brasileiro”, explicou.
A oferta chega até o sul e as ilhas italianas. Na Calábria, estações como Camigliatello Silano e Gambarie ampliam as possibilidades de prática de esportes de inverno. Na Sicília, o Monte Etna oferece a experiência de esquiar em um vulcão, combinando a paisagem de neve com a proximidade do mar.
Gastronomia também faz parte da experiência
A gastronomia foi outro ponto destacado durante a apresentação. Segundo Barbara, os sabores encontrados nas regiões montanhosas mudam de acordo com a localização e permitem complementar a experiência de neve.
“Quando a gente vai para a montanha, os sabores mudam um pouco e dependem, claro, de cada região”, afirmou.
No noroeste, regiões como Vale de Aosta, Piemonte e Lombardia apresentam especialidades como fonduta, pizzoccheri da Valtellina e produtos associados à trufa branca de Alba. O Piemonte também permite unir o turismo de montanha à tradição vinícola de Langhe.
Nas Dolomitas e no nordeste, a gastronomia alpina inclui produtos como maçãs, polenta e speck, além de itens protegidos por indicações geográficas que identificam a origem e a qualidade da produção regional.
Nos Apeninos e nas ilhas, a oferta também muda de acordo com as tradições locais, com destaque para preparações como os arrosticini e produtos associados à gastronomia siciliana, incluindo vinhos produzidos nas proximidades do Etna.
Enit busca ampliar conhecimento do trade
Ao apresentar a diversidade italiana, Barbara também destacou o trabalho da Enit no Brasil para ampliar o conhecimento dos profissionais sobre o destino. A estratégia envolve apresentar aos agentes não apenas os destinos tradicionais, mas também diferentes regiões, produtos e possibilidades de roteiros.
“Meu papel é que vocês consigam ter conhecimento, trazer para vocês maiores informações sobre a Itália, não só a Itália clássica que todos vocês já conhecem, mas ampliar um pouco o conhecimento, o leque de conhecimento de vocês em relação à Itália e à sua geografia”, explicou.
A representante ressaltou ainda a importância da relação entre Itália e Brasil, incluindo o turismo de raízes e a forte conexão existente entre os dois países por meio da descendência italiana. Para o trade, essa relação amplia as possibilidades de trabalhar diferentes motivações de viagem e combinar experiências dentro de um mesmo roteiro.
“O passageiro brasileiro vai por diferentes motivos até a Itália, tem diferentes intenções. Depende se é um turista brasileiro que já foi à Itália, se é um turista que é ítalo-descendente ou se é um turista que está indo pela primeira vez. Tem que entender também que tipo de turista para entender que a Itália pode ser realmente muito vasta, muito ampla na sua proposta”, afirmou.
Durante a ExpoSKI, o Trentino Marketing também participou da programação pelo segundo ano consecutivo. A parceria com a Enit inclui a troca de informações e estratégias sobre o destino. Barbara ainda anunciou um webinar dedicado ao Trentino, previsto para 30 de setembro, como parte das ações de capacitação voltadas ao mercado brasileiro.

