Nove países europeus adiam adoção integral do controle biométrico EES

França, Itália, Portugal e Grécia estão entre destinos que terão mais tempo para implementar coleta de digitais de viajantes estrangeiros

Kamilla Alves
Kamilla Alves
Gestora Web - E-mail: milla@brasilturis.com.br

Nove países europeus adiaram a implementação integral do Sistema de Entrada/Saída (EES, na sigla em inglês), novo controle de fronteiras que prevê o registro biométrico de viajantes de fora da Europa. França, Itália, Grécia e Portugal estão entre os destinos que solicitaram mais tempo para adaptar pontos de entrada, especialmente aeroportos de maior movimento.

Alemanha, Malta, Holanda, Suíça e Bélgica completam a relação de países que postergaram parte da implementação. O sistema deveria avançar para uma nova etapa em 6 de setembro, mas dificuldades operacionais levaram à extensão do prazo.

Para os viajantes, o cenário significa que a adoção da biometria ainda pode variar conforme o país e o ponto de entrada. O EES utiliza dados como impressões digitais e imagens faciais para registrar entradas e saídas de cidadãos estrangeiros e substituir parte dos procedimentos tradicionais de controle de passaportes.

Implementação varia entre aeroportos e fronteiras

O adiamento não significa que o EES esteja suspenso nos nove países. A implantação já ocorre em determinados pontos de fronteira, enquanto outros ainda trabalham na adaptação dos procedimentos.

No terminal do Eurostar em Bruxelas e no porto de Antuérpia, por exemplo, a coleta biométrica já começou. Aeroportos como Frankfurt, na Alemanha, e Schiphol, na Holanda, também estão adotando o sistema.

A Espanha, por sua vez, está avançando com a implementação integral após enfrentar dificuldades iniciais.

De acordo com as informações divulgadas, apenas 12 aeroportos, considerando cerca de 1,5 mil pontos de passagem de fronteira, ainda apresentam problemas relacionados à implantação.

EES já soma cerca de 200 milhões de registros

Adotado pela União Europeia em 2017, o EES foi lançado oficialmente em outubro de 2025. Desde então, aproximadamente 200 milhões de registros foram realizados e cerca de 70 mil pessoas tiveram a entrada em território europeu impedida.

A utilização de impressões digitais e reconhecimento facial também tem auxiliado as autoridades na identificação de documentos falsificados, viajantes utilizando diferentes passaportes e casos relacionados ao descumprimento do período permitido de permanência.

A implantação do sistema vem sendo acompanhada pelo setor aéreo diante dos possíveis impactos sobre os tempos de processamento nas fronteiras. Em julho, a Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) pediu a suspensão da implementação diante de relatos de passageiros perdendo conexões por causa dos procedimentos.

Outra etapa será a ampliação do aplicativo Travel to Europe, que permite ao passageiro cadastrar previamente imagem facial e dados do passaporte. Segundo a CBN, a ferramenta deve ficar disponível em sete países e, até o momento, aparece como operacional na Suécia e em Portugal.

Para turistas internacionais e para o trade, a implementação gradual exige atenção ao aeroporto e ao país utilizados como porta de entrada, já que os procedimentos biométricos ainda não ocorrem de maneira uniforme entre os destinos europeus.

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