A relação entre atrações e destinos turísticos passa por uma transformação no Brasil. Parques temáticos e aquáticos, experiências imersivas, centros de entretenimento e outros empreendimentos passaram a ocupar espaço relevante não apenas na oferta de atividades, mas também na estratégia de desenvolvimento e posicionamento de destinos.
Segundo o mais recente Estudo de Impacto Econômico da IAAPA, Associação Global para a Indústria de Atrações, a indústria de atrações no Brasil movimentou US$ 9,2 bilhões em atividade econômica em 2024. O setor também registrou cerca de 120 milhões de visitas e mais de 212 mil empregos diretos e indiretos. O país concentrou aproximadamente 30% das visitas registradas pela indústria na América Latina e no Caribe.
“A relação entre turismo e atrações é cada vez mais bidirecional. Alguns destinos incorporam atrações para fortalecer sua oferta, enquanto os operadores desenvolvem hotéis, gastronomia e novas experiências para proporcionar viagens mais completas”, afirmou Paulina Reyes, Vice-Presidente e Diretora Executiva da IAAPA para a América Latina e o Caribe.
Quando o destino incorpora a atração
Foz do Iguaçu é um dos exemplos dessa integração. O Parque Nacional do Iguaçu e as Cataratas fazem parte de um ecossistema turístico que reúne ainda o Parque das Aves, Itaipu, o Marco das Três Fronteiras e experiências relacionadas à natureza, aventura e entretenimento.
Outro movimento ocorre por meio da implantação de atrações que passam a integrar a identidade dos destinos. A Interparques desenvolveu rodas-gigantes panorâmicas em Balneário Camboriú, São Paulo, Canela e Maceió, com projetos voltados à ampliação da oferta turística e à criação de novos ícones urbanos.
Em Olímpia, no estado de São Paulo, o desenvolvimento de parques aquáticos e resorts contribuiu para estruturar a atividade turística em torno do entretenimento e das águas termais. Nesse modelo, atrações e hospedagem passam a atuar de maneira integrada na composição da experiência oferecida ao visitante.
Quando a atração cria o destino
O movimento também ocorre no sentido inverso, quando a própria atração se transforma em um dos principais motivos para a viagem. O Beach Park é um exemplo desse modelo. A partir do parque aquático, o complexo ampliou sua estrutura e passou a reunir quatro resorts, gastronomia, entretenimento e serviços, formando uma oferta turística integrada.
O Beto Carrero World representa outra vertente, na qual um grande parque temático funciona como um dos principais fatores de atração de visitantes para uma região que também reúne opções de hospedagem e outros atrativos turísticos.
Em diferentes regiões brasileiras, parques, centros de entretenimento e outras atrações também têm contribuído para diversificar a oferta e criar novos motivos de viagem, complementando os atrativos tradicionais de cada destino.
Movimento ganha espaço na América Latina
A aproximação entre atrações e turismo também aparece em outros mercados da América Latina e do Caribe. Desenvolvedores de empreendimentos turísticos passaram a incorporar estruturas de entretenimento, enquanto operadores de atrações ampliam seus negócios para incluir hospedagem, gastronomia e outros serviços.
“Uma atração pode ser muito mais do que um lugar para visitar: pode se tornar um motivo para viajar e contribuir para a criação de experiências e destinos completos. Essa convergência representa uma oportunidade importante para o Brasil e para a América Latina e o Caribe”, acrescentou Reyes.
Nos dois sentidos, a integração entre atrações e destinos amplia a participação desses empreendimentos na atividade turística e econômica das comunidades e regiões onde estão instalados.













