Mais do que criar espetáculos, o trabalho de Tom Vazzana, diretor criativo da Disney Live Entertainment, está diretamente ligado a transformar histórias em experiências emocionais capazes de marcar gerações. Em uma apresentação marcada por reflexões, bastidores e trajetórias pessoais, o executivo revelou que a magia da Disney nasce menos da tecnologia e mais da conexão humana.
Para ele, o ponto de partida de qualquer projeto não está nos efeitos especiais, mas no impacto emocional. “Nosso objetivo é criar algo que conecte com o coração das pessoas, não apenas com os olhos ou os ouvidos”, afirma.
Da Broadway à Disney
A trajetória de Vazzana ajuda a entender essa visão. Filho de uma artista de musicais da Broadway e de um pai ligado ao esporte, ele cresceu entre dois mundos distintos. Foi assim, que, segundo ele, foi moldada a sua sensibilidade criativa.
Sua carreira começou nos palcos de Nova York, em produções como “Annie” e “Evita”, onde atuou e também trabalhou nos bastidores, aprendendo sobre direção e narrativa. Foi nesse período que percebeu que queria ir além da atuação.
“Eu amava estar no palco, mas queria entender como contar histórias de forma mais completa, como dirigir e emocionar o público”, relembra.
A virada veio ao entrar para a Disney, onde encontrou o espaço ideal para unir arte, storytelling e experiência.

O segredo está na emoção
Vazzana reforça que, independentemente da grandiosidade dos espetáculos, o verdadeiro diferencial está na mensagem transmitida.
Um exemplo citado por ele é a história de “A Bela e a Fera”, que, para além do conto clássico, carrega uma mensagem central sobre empatia e transformação. “Não é sobre ser príncipe ou princesa, é sobre encontrar bondade onde você menos espera”, explica.
Essa abordagem orienta todas as produções da Disney: criar experiências que façam o visitante sair do parque não apenas entretido, mas transformado emocionalmente.
Colaboração como motor criativo
Outro ponto central destacado por Vazzana é o papel da colaboração no processo criativo. Segundo ele, grandes ideias não surgem isoladamente, e, muitas vezes, vêm de onde menos se espera.
“Uma das melhores ideias que já tivemos veio de um estagiário. Criatividade não tem hierarquia”, afirma.
Na prática, isso significa reunir equipes multidisciplinares para desenvolver cada projeto, garantindo que diferentes perspectivas contribuam para o resultado final.
Esse modelo colaborativo é o que permite à Disney combinar tecnologia, narrativa e emoção de forma integrada.
Relevância e inclusão
Para além do entretenimento, Vazzana destaca que a Disney tem a responsabilidade de evoluir junto com o público. Isso inclui revisar histórias, ampliar representatividade e garantir que diferentes culturas estejam presentes nas narrativas.
Um exemplo é a atualização de espetáculos para trazer protagonistas femininas com maior protagonismo e histórias contadas sob novas perspectivas. “Ser mágico não é suficiente. Precisamos ser autênticos e inclusivos”, ressalta.
O desafio de encantar novas gerações
Em um mundo cada vez mais digital, o executivo reconhece que o desafio não é competir com as telas, mas integrá-las à experiência.
A estratégia passa por transformar cada etapa da jornada, inclusive o tempo de espera, em parte do entretenimento, mantendo o público engajado antes, durante e depois das atrações.
Ainda assim, ele reforça que o mais importante continua sendo o momento vivido. “O que realmente importa é o que você sente e leva para casa, não apenas o que você registra no celular”, afirma.
Magia que fica na memória

Para Vazzana, o sucesso de um espetáculo não está apenas nos aplausos, mas nas memórias que ele cria. Histórias que são revisitadas em conversas, lembranças e emoções compartilhadas.
“Quando uma família senta para jantar depois da viagem e fala sobre o que sentiu, é aí que sabemos que fizemos nosso trabalho”, conclui.
Mais do que entretenimento, a proposta da Disney — sob a ótica de seus criativos — é construir experiências que acompanham o visitante muito depois do fim do show.

