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A viagem começa na narrativa

Ricardo Hida
Ricardo Hida
CEO da Promonde, formado em Administração e pós-graduado em Comunicação.

Entre todas as palavras que ganharam status de “mantra” no marketing moderno, poucas têm sido tão evocadas e mal compreendidas quanto storytelling. O termo se espalhou por pitches de startups, briefings de branding, roteiros de vídeo e reuniões estratégicas. Mas o que realmente significa storytelling, e por que ele é tão relevante no Turismo?

Mais que uma técnica de comunicação, o storytelling organiza sentidos, desperta emoções e cria vínculos entre marcas e pessoas. Especialmente no Turismo, um setor de experiências, sensações e memórias, contar histórias pode ser a diferença entre ser esquecível ou inesquecível.

Não basta embelezar campanhas com frases poéticas ou trilhas inspiradoras. O verdadeiro storytelling se ancora em narrativas com personagens, conflitos, transformações e propósito. Deve gerar identificação, evocar valores e inspirar ação.

Viajar, por essência, é uma experiência narrativa. Começa com o desejo, passa por obstáculos e culmina em transformação. Cabe a operadoras, agências e hotéis reconhecerem esse potencial e traduzirem seus produtos em histórias vivas.

A operadora britânica Black Tomato é exemplo disso. Seus pacotes não são “roteiros”, mas experiências cinematográficas como “Siga os passos de Lawrence da Arábia”. O cliente não compra uma viagem, mas um papel de protagonista em uma narrativa personalizada. No Brasil, a Teresa Perez Tours adota abordagem semelhante: investe em conteúdo editorial de alta qualidade que antecipa a vivência da viagem e posiciona a marca como curadora, não apenas vendedora.

Outro exemplo é o Copacabana Palace. Com quase um século de história, o hotel se tornou personagem da cidade. Sua comunicação resgata eventos, hóspedes ilustres e bastidores históricos, transformando cada detalhe em parte de uma narrativa viva.

Mas como aplicar isso na prática? Toda marca tem uma origem, uma motivação, um ponto de virada. O primeiro passo é descobrir e assumir essa história. Em seguida, é preciso escutar o público: que histórias ele quer viver? Que valores o tocam? Além disso, conectar narrativa e propósito é essencial. Afinal, comunicar não só o que se faz, mas por que se faz.

Por fim, é fundamental integrar todos os canais: site, redes sociais, atendimento, ambiente físico. Todos devem contar a mesma história, com coerência e autenticidade.

Em tempos de excesso de informação, quem conta boas histórias se destaca. No Turismo, onde tudo gira em torno de experiências, emoções e memórias, o storytelling é mais que tendência. É indispensável.

 

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