A Azul Linhas Aéreas e a Gol Linhas Aéreas encerraram o acordo de transferência de passageiros em casos de voos cancelados ou com atrasos significativos. A decisão, tomada nesta semana, determina que clientes de uma companhia não poderão mais ser reacomodados em voos da outra.
Equipes de aeroportos das duas empresas foram comunicadas internamente sobre a mudança, que impede novas acomodações cruzadas. Em comunicado enviado aos funcionários, a Azul informou que o acordo foi “descontinuado” e que “não serão mais permitidas reacomodações entre as companhias por meio de reemissão via Amadeus ou uso de FIM“.
O sistema Amadeus IT Group é um dos principais fornecedores globais de tecnologia para reservas aéreas e permite, entre outras funcionalidades, a transferência de passageiros entre companhias distintas. Já o FIM (Flight Interruption Manifest) é o documento que formaliza a transferência, reunindo dados do passageiro, itinerário original e o novo voo na empresa receptora. O pagamento entre as aéreas é realizado posteriormente, com base na compensação mensal desses registros.
Segundo o comunicado interno, a principal alternativa da Azul continuará sendo a reacomodação em voos próprios. Na ausência de disponibilidade, a companhia deverá priorizar a LATAM Airlines ou empresas estrangeiras, no caso de voos internacionais.
A reacomodação entre companhias costuma ocorrer, majoritariamente, em situações de cancelamento no mesmo dia ou atrasos relevantes que resultem em perda de conexão. A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), por meio da Resolução 400, prevê que a empresa aérea deve oferecer alternativas ao passageiro afetado, incluindo acomodação em outra companhia, embora o texto não detalhe os mecanismos operacionais.
Casos semelhantes já ocorreram no setor. Durante a falência da Avianca Brasil (Oceanair), concorrentes deixaram de aceitar FIMs por falta de pagamento. Situação parecida foi registrada com a ITA Transportes Aéreos, que não chegou a consolidar acordos de reacomodação com outras empresas.
O fim do acordo entre Azul e Gol altera uma prática comum no mercado doméstico e pode impactar diretamente a experiência do passageiro em casos de irregularidades operacionais, especialmente em aeroportos com menor oferta de frequências.







