Ricardo Nunes, prefeito de São Paulo, anunciou na noite desta quarta-feira (25) a exoneração do secretário-adjunto municipal de Turismo, Rodolfo Marinho da Silva, e a demissão do presidente da SPTuris, Gustavo Pires. A decisão ocorre após a Controladoria Geral do Município (CGM) apontar a existência de uma procuração assinada por Nathália Carolina da Silva Souza, sócia da empresa MM Quarter Produções e Eventos, concedendo poderes a Marinho.
A MM Quarter mantém contratos com a SPTuris que somam mais de R$ 239 milhões desde 2022, segundo levantamento divulgado pela imprensa. A empresa pertence a Nathália Souza, que foi sócia minoritária de Marinho em uma empresa de consultoria política antes de ele assumir a Secretaria Municipal de Turismo.
Em pronunciamento divulgado nas redes sociais, Nunes afirmou que determinou investigação administrativa na última sexta-feira (20). “Diante da documentação e da orientação da Controladoria, estou exonerando o senhor Rodolfo Marinho”, declarou. O prefeito também anunciou a nomeação do subprefeito da Sé, coronel Marcelo Salles, para presidir a SPTuris.
Investigação e contratos
De acordo com registros da Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp), Nathália Souza tornou-se única proprietária da MM Quarter em 13 de abril de 2022, 13 dias antes da nomeação oficial de Marinho como secretário municipal de Turismo. A empresa alterou sua atividade econômica para organização de feiras e eventos e, posteriormente, passou à categoria de Empresa de Pequeno Porte.
Entre os contratos firmados com a SPTuris está um acordo para contratação de guias bilíngues durante o Carnaval de Rua, com valor global estimado de R$ 9,4 milhões. Em nota, a MM Quarter esclareceu que se trata de contrato por demanda, cujo valor representa teto máximo estimado, e informou que o montante efetivamente utilizado na operação do Carnaval foi de R$ 2.987.443,57.
A empresa afirmou que não possui sócios ocultos, que seu quadro societário está regularmente registrado e que todas as contratações seguem a legislação vigente. Também declarou que a sócia exerce funções efetivas de gestão e que sua evolução patrimonial está formalmente declarada às autoridades competentes.
Repercussão política
Parlamentares da oposição protocolaram representações no Ministério Público de São Paulo solicitando investigação sobre os contratos. O vereador Nabil Bonduki apresentou pedido de criação de Comissão Parlamentar de Inquérito na Câmara Municipal. A vereadora Luana Alves e deputadas do PSOL também acionaram o MP.
O Ministério Público confirmou o recebimento das Notícias de Fato, que estão em análise.
Em nota oficial, a Prefeitura afirmou que o prefeito determinou “toda e qualquer apuração, inclusive sobre eventuais irregularidades cometidas por agentes públicos”. A gestão municipal reforçou que não compactua com irregularidades e manterá as investigações conduzidas pela CGM.
Até o momento, Rodolfo Marinho não se manifestou publicamente sobre o caso.

