O setor brasileiro de locação de veículos encerrou 2025 com faturamento bruto de R$ 61,7 bilhões, alta de 16,6% na comparação com o ano anterior, segundo dados antecipados nesta quarta-feira (18) pela Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis (Abla) durante coletiva de imprensa sobre o anuário da entidade, que será lançado oficialmente nesta quinta (19). O balanço também mostra crescimento da frota, avanço do número de locadoras e aumento da participação do aluguel de longo prazo, mas expõe um ambiente de atenção com custo de capital, crédito e inflação.
Na abertura da apresentação, Marco Aurélio Nazaré, presidente da Abla, afirmou que os números confirmam a relevância econômica do setor. Segundo ele, o anuário segue como a principal fonte nacional de informações sobre o mercado de locação. Ao comentar a evolução da receita, Nazaré chamou atenção para o caráter intensivo em capital da atividade.
“Nós não estamos falando de aluguel de automóveis pura e simplesmente. Nós estamos falando de um negócio que é pura e simplesmente financeiro”, disse Marco Aurélio Nazaré, presidente da Abla.
A avaliação foi detalhada por Paulo Miguel Júnior, vice-presidente da Abla. De acordo com ele, o crescimento do faturamento reflete tanto a ampliação da frota quanto a recomposição tarifária, pressionada pela alta dos veículos nos últimos anos. Em 2025, o setor investiu R$ 79,3 bilhões na compra de automóveis e comerciais leves, mesmo com uma leve retração no volume adquirido, de quase 629 mil unidades, queda de 3,1% sobre 2024. O tíquete médio por veículo chegou a R$ 126 mil.
Ao mesmo tempo, a frota total das locadoras cresceu 6,2%, alcançando cerca de 1,717 milhão de veículos, com idade média de 16,4 meses. Para o vice-presidente da Abla, o desempenho mostra que boa parte das compras foi destinada à renovação de ativos. “Mesmo com esse número reduzido de compra, mais à frente a gente vai ver que o número de frota cresceu, o número de empregos cresceu, o faturamento cresceu”, afirmou.
A coletiva também reforçou o peso tributário da atividade. Segundo a entidade, as locadoras recolheram R$ 7,8 bilhões em impostos na operação direta e cerca de R$ 23 bilhões na compra de veículos, somando aproximadamente R$ 30 bilhões em tributos ligados ao setor. “Somos grandes contribuintes do fisco nacional”, destacou Paulo Miguel.
No recorte de mercado, a Abla informou que a locação de longo prazo, que inclui terceirização de frotas e carro por assinatura, passou a representar 54% da frota total. Nazaré avaliou que empresas vêm priorizando o uso em vez da propriedade. Já no RAC, a entidade prevê picos de demanda em feriados, mas sem expectativa de forte aceleração contínua em 2026.
Para este ano, a projeção é manter a compra de aproximadamente 620 mil veículos, em um cenário que a Abla classifica como desafiador. A entidade também monitora o avanço da eletrificação, ainda cauteloso na locação, com frota de 33,5 mil veículos eletrificados, e o crescimento expressivo das motos, que chegaram a 263 mil unidades, alta de 81%.








