Gustavo Tutuca tornou-se uma das principais referências quando o assunto é turismo no Estado do Rio de Janeiro. Natural do sul fluminense, ele iniciou sua vida pública ainda em 2005, à frente da Secretaria de Governo de Piraí, onde coordenou iniciativas que ganharam reconhecimento nacional, como os projetos Piraí Digital e Um Computador por Aluno, responsáveis por levar tecnologia e conectividade a milhares de estudantes da rede municipal.
Ao longo da carreira política, Tutuca acumulou sucessivas eleições para a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, com mandatos conquistados em 2010, 2014, 2018 e 2022, consolidando uma atuação contínua voltada ao desenvolvimento regional. Em janeiro de 2023, voltou a assumir a Secretaria de Estado de Turismo, função que já havia exercido entre 2020 e 2022, período marcado pelo desafio de reorganizar o setor em meio aos impactos da pandemia.
Agora, à frente novamente da pasta, o secretário conduz uma agenda voltada à ampliação da competitividade do Rio de Janeiro no cenário nacional e internacional. O estado fluminense, inclusive, teve grande participação no recorde de turistas estrangeiros recebidos pelo Brasil em 2025. Agora, o objetivo é repetir a dose em 2026 para números ainda maiores. Em conversa com o Brasilturis, Tutuca falou sobre as expectativas de sua Secretaria para o ano recém-iniciado e passou uma mensagem para o trade: O Rio de Janeiro está de volta à prateleira principal do Turismo mundial.
Na avaliação da Secretaria, como o desempenho do Rio de Janeiro contribuiu para o recorde histórico de turistas internacionais registrado pelo Brasil em 2025?
O Rio teve um papel decisivo. Em 2025, o estado recebeu 2.196.443 turistas internacionais, o maior número da nossa história, com crescimento de 43,7% em relação a 2024 (1.528.133). Além de ser um número absoluto expressivo, em termos comparativos crescemos mais que o Brasil (37,1%) e mais que São Paulo (21%). O Rio é a principal porta de entrada do Brasil, o cartão postal do país. Quando a gente acelera promoção, conectividade e oferta de experiências, isso puxa o resultado nacional junto.
Quais mercados emissores internacionais hoje são prioritários para o Rio de Janeiro e por quê?
A Argentina segue como mercado estratégico e consolidado. Recebemos 787.229 visitantes em 2025, um crescimento de 72,7%. O Chile (359.705) também é prioridade, mantendo-se entre os principais emissores para o estado, com fluxo consistente e forte conexão aérea com o Rio de Janeiro. Ao mesmo tempo, temos trabalhado para crescer com força em mercados de alto potencial e maior gasto médio, como Estados Unidos (214.795) e França (86.806), além de ampliar presença em mercados que vinham sendo pouco explorados, como Canadá, China e Emirados Árabes. A lógica é diversificar origens, reduzir dependência e sustentar um crescimento equilibrado e duradouro.
Como a Secretaria avalia o impacto direto desse aumento de turistas internacionais na economia fluminense, especialmente em setores como hotelaria, gastronomia e serviços?
O impacto é direto e cotidiano. Mais turista significa hotel com maior ocupação, restaurantes e bares mais cheios, guias e receptivos com mais demanda, transporte e comércio aquecidos. Turismo é emprego na ponta e também arrecadação e investimento circulando na economia local.
Segundo o IBGE, o volume de atividades turísticas no Rio de Janeiro cresceu 4% em novembro de 2025, em comparação com o mesmo mês do ano anterior, desempenho superior à média nacional, que foi de 2,1%.
Segundo a Riotur, o Carnaval de 2026 deve atrair 8 milhões de foliões e movimentar mais de R$ 5,7 bilhões. Apenas no carnaval de rua, são esperadas mais de 6 milhões de pessoas em 40 dias de programação.
Esse desempenho reforça a importância do turismo como vetor de geração de emprego, renda e desenvolvimento para a economia fluminense.
De que forma a Secretaria vem trabalhando em conjunto com os municípios e o setor privado para ampliar a presença internacional do estado?
Nós trabalhamos com uma estratégia integrada: governo, municípios, trade e parceiros privados. O Rio “vende” melhor quando atua como destino completo, unindo capital e interior. Por isso, ampliamos agendas com operadores, companhias aéreas e imprensa, e reforçamos a presença dos municípios nas ações, para transformar promoção em produto e produto em venda.
Com o aumento do fluxo de turistas estrangeiros, quais são hoje os principais desafios que o Rio de Janeiro precisa enfrentar para sustentar esse crescimento?
Manter esse ritmo de crescimento exige atenção permanente a alguns pontos-chave. A conectividade aérea, especialmente a ampliação de rotas e frequências internacionais, segue como prioridade. Outro desafio central é a segurança, que faz parte da experiência do turista e precisa ser tratada de forma integrada. Temos avançado com reforço do policiamento em áreas turísticas, ações de prevenção e orientação ao visitante com iniciativas como a cartilha Divirta-se com Segurança, desenvolvida em parceria com a DEAT.
Também é essencial manter a qualificação contínua de serviços e mão de obra, aprimorar a infraestrutura turística e avançar na inteligência de dados, especialmente sobre o turismo doméstico, para que o trabalho de promoção evolua com ainda mais estratégia e precisão.
Considerando os resultados de 2025 e as projeções para 2026, quais são os principais objetivos da Secretaria para manter o avanço do turismo internacional no Brasil?
A prioridade é consolidar o patamar alcançado e seguir crescendo com sustentabilidade: ampliar mercados, fortalecer o Galeão, manter um calendário robusto de grandes eventos, aumentar a permanência dos turistas e estimular a interiorização do fluxo turístico, ampliando os benefícios para todas as regiões do estado. Além disso, vamos avançar em políticas que aumentem o gasto médio por visitante, como o Tax Free, que o Rio adotou de forma pioneira e está em fase de regulamentação.
O Rio de Janeiro tem uma imagem internacional muito consolidada. Quais atributos o estado busca destacar além dos tradicionais sol e praia em 2026?
Além do sol e praia, que seguem sendo ativos importantes, temos trabalhado para mostrar ao mundo a diversidade do Rio de Janeiro. Cultura, gastronomia, natureza, turismo rural, experiências autênticas e o patrimônio histórico ganham cada vez mais espaço na nossa estratégia de promoção.
Um exemplo recente e simbólico é o Vale do Café, que passou a aparecer de forma espontânea como indutor do turismo do Rio de Janeiro para o mercado europeu, especialmente associado à história, à arquitetura e às experiências que o interior do estado proporciona.
Isso mostra que o Rio é plural, tem profundidade cultural e é capaz de oferecer produtos turísticos complementares à capital, ampliando o tempo de permanência do visitante e atraindo um perfil de turista interessado em vivências mais qualificadas.
Há expectativas de novos voos internacionais ou ampliação de frequências que possam impactar positivamente o fluxo de visitantes?
Sem dúvidas. 2025 já marcou uma fase de expansão importante, com novas rotas e aumento da oferta internacional no Rio Galeão. E 2026 já começou com novos avanços na malha aérea internacional. A JetSmart inaugurou, em janeiro, o voo Rio–Assunção (Paraguai), e a Tap reforçou sua operação com mais voos para a Europa durante o verão e o Carnaval.
Nosso objetivo é seguir ampliando esse movimento ao longo do ano, trabalhando junto às companhias aéreas e ao trade para abrir novas rotas e aumentar frequências, especialmente em mercados estratégicos para o Rio de Janeiro.
O que o trade pode esperar em termos de novos projetos, investimentos ou políticas públicas voltadas ao turismo em 2026?
O ano de 2026 será de consolidação e expansão estratégica. Vamos seguir ampliando as ações que já vêm mostrando resultados: promoção internacional, qualificação e capacitação com o projeto “Experiência Rio”, apoio a eventos e políticas públicas que aumentem a competitividade do Rio de Janeiro, como o Tax Free, pioneiro no Brasil.
Mas, principalmente, vamos continuar avançando na interiorização do turismo, com foco em gerar emprego, renda e desenvolvimento para as 12 regiões turísticas do estado. Esse é um compromisso que está no centro da nossa política pública de turismo.
Que mensagem deixa ao trade turístico sobre o papel do Rio nesse novo momento do turismo brasileiro?
O recado é claro: o Rio voltou à prateleira principal do turismo mundial, com números históricos, estratégia consistente e muito trabalho integrado. E esse resultado só é possível porque existe um trade turístico comprometido, que acredita no potencial do nosso estado e constrói esse crescimento com a gente. O setor é parte essencial dessa engrenagem e vai continuar sendo protagonista no próximo ciclo do turismo fluminense.

