Durante muito tempo, o setor de mobilidade corporativa foi tratado como um território predominantemente masculino. Mas essa lógica já não se sustenta nos dias de hoje, nem do ponto de vista social, muito menos sob a ótica da governança.
Escrevo este artigo como CEO da tg.mob, mas também como alguém que acredita que equidade de gênero não é discurso, é política de gestão. Precisamos encarar, de forma objetiva, que a desigualdade salarial e de oportunidades ainda existe em nosso setor. Está mais do que na hora de parar de ignorar esta realidade e jogar holofotes sobre ela, buscando alternativas reais para resolvê-la.
Os números provam que o caminho para atingirmos essa igualdade é longo. Segundo a Confederação Nacional do Transporte (CNT), as mulheres ocupam apenas 17,8% dos postos de trabalho no setor, considerando funções administrativas e operacionais. É um número que revela o tamanho do desafio. Não estamos falando de falta de capacidade, mas de barreiras estruturais que precisam ser revistas e derrubadas
Os dados mostram, inclusive, que a presença feminina agrega valor e segurança. Informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF) indicam que apenas 12% dos acidentes em rodovias envolvem mulheres ao volante. Além disso, elas registram menos infrações graves e gravíssimas, o que impacta diretamente na redução de custos e riscos operacionais.
Proporcionar mais oportunidades para mulheres no setor de mobilidade vai além de um assunto de justiça social. Trata-se de uma estratégia, de governança e de uma perspectiva para o futuro. Empresas que querem ser sustentáveis precisam incorporar a equidade como compromisso formal, com metas, indicadores e responsabilidade da liderança.
A área de mobilidade alcançará a verdadeira modernidade quando, em suas equipes, espelhar a diversidade da sociedade que transporta todos os dias.

