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Viagens corporativas movimentam R$ 12 bilhões em janeiro

Crescimento de 5,2% em relação a 2025 indica continuidade da demanda e sinaliza perspectivas positivas para o setor ao longo do ano

Maurício Herschander
Maurício Herschander
Repórter - E-mail: mauricio@brasilturis.com.br

O setor de viagens corporativas no Brasil iniciou 2026 com desempenho expressivo, alcançando um volume financeiro de R$ 12 bilhões em janeiro. O resultado é apontado pelo Levantamento de Viagens Corporativas (LVC), desenvolvido pela FecomercioSP em parceria com a Associação Latino-Americana de Gestão de Eventos e Viagens Corporativas (Alagev). O valor representa avanço de 5,2% em comparação ao mesmo período do ano anterior e estabelece o melhor desempenho já registrado para o mês, além de marcar um novo patamar para o início do calendário.

Tradicionalmente, janeiro costuma apresentar menor intensidade de eventos, feiras e congressos, mas o cenário observado em 2026 demonstra um ritmo consistente de deslocamentos corporativos. O desempenho acompanha a continuidade da atividade econômica e o aumento das interações presenciais entre empresas, fatores que impulsionam viagens de negócios em diferentes regiões do país e sustentam a demanda por serviços ligados ao turismo corporativo.

“O início deste ano mostrou que as viagens corporativas continuam sendo estratégicas para as empresas, mesmo em um período com um volume menor de eventos. Há uma demanda reprimida que vem sendo retomada de forma consistente, impulsionada pela necessidade de encontros presenciais, relacionamento e geração de negócios”, afirma Luana Nogueira, diretora-executiva da Alagev.

Indicadores do transporte aéreo reforçam essa tendência de crescimento. Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) apontam que, em janeiro, foram transportados 9,4 milhões de passageiros, número que representa aumento de 9,1% em relação ao mesmo mês do ano anterior e configura o maior volume já registrado na série histórica. O desempenho reflete tanto a movimentação do turismo de lazer quanto a retomada contínua das viagens a trabalho.

No setor hoteleiro, a taxa média de ocupação alcançou 55,26% em janeiro, crescimento de 2,1% segundo o Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB). A diária média também apresentou expansão, com avanço de 8,3% no período, indicando maior pressão da demanda sobre a oferta. Em sentido oposto, as tarifas aéreas registraram recuo próximo de 10%, evidenciando dinâmicas distintas entre os segmentos. A flexibilidade comercial da hotelaria, sobretudo nos grandes centros urbanos, contrasta com a estrutura mais concentrada do transporte aéreo, mesmo com a existência de acordos corporativos específicos.

Conjuntura internacional exige atenção, mas projeções seguem favoráveis

Apesar do desempenho positivo observado no início do ano, o estudo aponta fatores externos que podem influenciar o comportamento do setor nos próximos meses. Entre eles está o agravamento do conflito no Irã, que elevou o preço do petróleo para patamares superiores a US$ 100 por barril. Esse movimento pressiona diretamente os custos operacionais das companhias aéreas, especialmente em relação ao querosene de aviação, e pode impactar decisões corporativas relacionadas a viagens.

“Esse cenário externo acende um sinal de atenção, especialmente pelo potencial impacto nos custos logísticos e nas decisões de viagem das empresas. Ainda assim, o histórico recente apresenta a capacidade do setor de absorver oscilações e manter sua trajetória de crescimento”, avalia a diretora-executiva.

Para fevereiro, a expectativa permanece positiva, mesmo com a influência do Carnaval no calendário corporativo e os efeitos indiretos das tensões internacionais. A partir de março, o setor deve enfrentar uma base comparativa mais elevada, sobretudo diante do desempenho registrado entre março e maio de 2025, período marcado por crescimento significativo da demanda.

Ainda assim, o segmento de viagens corporativas mantém um ciclo de expansão relevante, com resultados consecutivos em níveis recordes. Em 2025, o volume total movimentado atingiu R$ 147,8 bilhões, crescimento de 6,3% em relação a 2024, sinalizando a importância estratégica do setor como indicador do ritmo da atividade econômica no Brasil e como motor para diferentes cadeias produtivas ligadas ao turismo.

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