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Bloqueio de Ormuz ameaça abastecimento de aeroportos na Europa

Alta do QAV já pressiona companhias aéreas e pode impactar operações na alta temporada

Matheus Alves
Matheus Alves
Repórter - E-mail: matheus@brasilturis.com.br

A possibilidade de manutenção do fechamento do Estreito de Ormuz acende um alerta para o transporte aéreo na Europa. Segundo a ACI Europe, entidade que representa aeroportos da União Europeia, o bloqueio pode levar a uma escassez “sistêmica” de combustível de aviação (QAV) em até três semanas.

De acordo com a organização, os estoques estão em queda, enquanto o impacto da atividade militar aumenta a pressão sobre a demanda. Em carta enviada a Apostolos Tzitzikostas, comissário europeu de Transportes, a entidade destacou “crescentes preocupações da indústria aeroportuária quanto à disponibilidade de combustível de aviação, bem como a necessidade de monitoramento e ação proativos por parte da UE”.

“Se a passagem pelo Estreito de Ormuz não for retomada de maneira significativa e estável nas próximas três semanas, a escassez sistêmica de combustível de aviação deve se tornar uma realidade para a Europa”, afirma o documento.

Atualmente, companhias aéreas europeias informam ter reservas suficientes para algumas semanas, mas fornecedores já indicam dificuldade em garantir entregas a partir de maio. A proximidade da alta temporada de verão no Hemisfério Norte amplia a preocupação, já que o período concentra a maior demanda por viagens e sustenta parte relevante da atividade turística na região.

O Estreito de Ormuz responde por cerca de 40% do suprimento global de combustível de aviação, o que amplia os impactos de eventuais interrupções. Em outras regiões, como a Ásia, países como o Vietnã já adotaram medidas de racionamento.

Na Europa, embora ainda não haja escassez generalizada, os preços do combustível já dobraram e começam a impactar a operação das companhias aéreas. Quatro aeroportos na Itália chegaram a adotar restrições recentes, ainda que por problemas pontuais de fornecimento.

O aumento de custos já levou empresas a revisar suas operações. A Delta Air Lines anunciou redução de 3,5% em sua capacidade, incluindo voos em dias de semana e horários noturnos, e projeta custos adicionais de US$ 2 bilhões com combustível entre abril e junho. Outras companhias, como Air New Zealand e Lot, também ajustaram rotas e frequências.

No mercado, o preço de referência do combustível de aviação no noroeste europeu alcançou US$ 1.573 por tonelada, ante cerca de US$ 750 antes da escalada do conflito envolvendo o Irã.

A ACI Europe defende a criação de um sistema de monitoramento em nível da União Europeia para acompanhar a produção e a disponibilidade de combustível. Segundo a entidade, um aperto na oferta pode gerar interrupções nas operações aeroportuárias, afetar a conectividade aérea e provocar impactos econômicos relevantes para o turismo e para as economias locais.

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