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Capri restringe abordagem a turistas nas ruas para melhorar experiência de visitantes

Ilha italiana amplia regras de convivência, limita práticas comerciais invasivas e mantém controle sobre grupos turísticos na alta temporada

Maurício Herschander
Maurício Herschander
Repórter - E-mail: mauricio@brasilturis.com.br

Quem planeja visitar Capri neste verão europeu pode encontrar uma experiência mais tranquila. A ilha italiana adotou novas medidas para conter práticas consideradas invasivas no contato com turistas, com o objetivo de melhorar a convivência entre visitantes, moradores e empresas locais.

Em destinos turísticos muito movimentados, é comum que viajantes sejam abordados por funcionários de restaurantes, operadores de passeios ou vendedores oferecendo serviços e ingressos nas ruas. Esse tipo de abordagem, embora frequente, pode gerar desconforto e até a sensação de assédio para parte do público.

Diante desse cenário, Capri decidiu endurecer as regras e limitar esse comportamento, buscando tornar a experiência de viagem mais agradável. O destino já havia adotado medidas anteriores, como a limitação do tamanho de grupos turísticos e a proibição do uso de alto-falantes e guarda-chuvas por guias, ações voltadas à redução do impacto visual e sonoro sobre moradores e visitantes.

A ilha recebe até 50 mil visitantes por dia durante a alta temporada, número que supera amplamente a população residente, estimada entre 13 mil e 15 mil pessoas. Esse volume intensifica a pressão sobre a infraestrutura local e exige medidas de organização do fluxo turístico.

Capri proíbe empresas de abordar turistas nas ruas

Uma das principais mudanças envolve a proibição de abordagens comerciais insistentes em áreas públicas. Em Capri, turistas frequentemente eram interpelados por empresários oferecendo serviços como passeios pela ilha, excursões de barco ou promoções em restaurantes e bares.

O prefeito Paolo Falco, defensor de políticas de gestão turística mais rigorosas, afirmou que esse tipo de prática prejudica a imagem do destino. Segundo ele, o contato excessivo com ofertas comerciais pode afetar a percepção do visitante logo após a chegada à ilha.

“Eu sei que existem turistas que, desde o momento em que desembarcam do barco até chegarem à entrada do funicular [que conecta o porto à cidade acima], foram parados mais de cinco vezes com ofertas de passeios e restaurantes”, disse à imprensa italiana. “Essa insistência tem um efeito desagradável.”

Uma nova portaria das autoridades locais, atualizada em relação às normas do ano passado, passou a tratar diretamente desse comportamento. O texto estabelece limites claros para a atuação de empresas e profissionais do setor turístico em espaços públicos.

“Operadores comerciais, proprietários de agências de serviços turísticos e seus funcionários estão absolutamente proibidos de realizar atividades de captação de clientes por meio de métodos intrusivos e insistentes em áreas públicas ou de uso público”, determina a regulamentação.

Falco destacou que a promoção de serviços turísticos continua sendo permitida, desde que respeite padrões de conduta compatíveis com o perfil do destino. “Entendemos a necessidade de transmitir uma mensagem promocional, mas não abrimos mão de que isso seja feito com a graça e a elegância que caracterizam Capri.”

As novas regras também deixam claro que os visitantes devem poder circular livremente pela ilha, sem interrupções constantes causadas por ações comerciais. O regulamento menciona explicitamente a proibição de abordagens repetidas, publicidade não solicitada e distribuição insistente de materiais promocionais, como panfletos, folhetos ou mapas.

Empresas que descumprirem as determinações estão sujeitas a multas administrativas que variam de 25 a 500 euros, dependendo da gravidade da infração. A medida faz parte de um conjunto mais amplo de ações adotadas por destinos europeus que buscam equilibrar o crescimento do turismo com a qualidade da experiência oferecida ao visitante.

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