A Paytrack identificou aumento de 15% no ticket médio das passagens aéreas corporativas no primeiro trimestre desse ano, em um cenário marcado pela alta do petróleo e pelo encarecimento do querosene de aviação. Segundo a empresa, que deve gerenciar mais de R$ 6 bilhões em despesas corporativas neste ano, o contexto tem levado companhias a revisarem políticas internas e estratégias de compra.
De acordo com Pedro Góes, CEO da Paytrack, o combustível representa entre 30% e 40% do custo operacional das companhias aéreas e registrou alta superior a 50% neste ano. “O combustível tem um peso muito alto no custo das companhias aéreas. Quando a gente olha o querosene de aviação, ele representa de 30% a 40% do custo operacional e teve aumento superior a 50% em 2026. É claro que, em algum momento, esse reajuste chega às empresas”, afirma.
Os dados da plataforma indicam que o preço médio das passagens pesquisadas subiu 27% entre a última semana de fevereiro e a última semana de março. No mesmo intervalo de 2025, a variação havia sido de 3%. No acumulado do trimestre, o aumento médio foi de R$ 261,94 por emissão, revertendo a queda de 5% registrada no mesmo período do ano anterior. A expectativa é de que abril encerre com nova elevação de 13,6%.
A pressão sobre os custos também está associada às tensões geopolíticas no Oriente Médio, com impacto direto sobre o QAV. Em abril, o combustível teve reajuste próximo de 54%, e há previsão preliminar de novo aumento em maio. Segundo a Anac, mais de 2 mil voos programados para o mês foram suspensos no país.
Dados e previsibilidade
Diante da volatilidade, a Paytrack reforça o uso do recurso Price Tracking, ferramenta que analisa o comportamento das tarifas aéreas por origem, destino e janela de antecedência, com histórico de 60 dias e projeção para os próximos 30.
No trecho Aeroporto de Congonhas–Aeroporto Santos Dumont, por exemplo, a tarifa média na janela crítica, de 0 a 10 dias antes do embarque, foi de R$ 1.344,57, valor 135,2% superior ao registrado na janela considerada ótima, entre 20 e 30 dias, quando o preço médio caiu para R$ 571,74. Na faixa intermediária, de 10 a 20 dias, o valor foi de R$ 705,31.
Segundo a empresa, 43,5% das buscas recentes ocorreram na janela crítica, 40% na moderada e apenas 16,5% na ótima, o que indica potencial de ganho de eficiência orçamentária com maior planejamento. “Hoje a gente consegue apoiar as empresas trazendo percentuais de ajuste, expectativas de preço ao longo do tempo e análises em tempo real no momento da compra. Isso ajuda tanto o viajante quanto o gestor a entender se vale a pena comprar naquele momento ou esperar”, conclui Góes







