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Dona da Gol questiona no Cade acordo entre Azul, American Airlines e United

Holding controladora da Gol e Avianca avalia que entrada das aéreas americanas pode afetar concorrência nas rotas entre Brasil e Estados Unidos

Maurício Herschander
Maurício Herschander
Repórter - E-mail: mauricio@brasilturis.com.br

A Abra Group, holding responsável pelo controle da Gol Linhas Aéreas e da Avianca, manifestou preocupação com os impactos concorrenciais dos investimentos anunciados pela American Airlines e pela United Airlines na Azul Linhas Aéreas.

As companhias norte-americanas anunciaram, no início deste ano, acordos para aquisição de participações minoritárias na Azul como parte do processo de reestruturação financeira da aérea brasileira nos Estados Unidos.

O investimento da United já recebeu aprovação unânime e sem restrições do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em fevereiro. Agora, a Abra busca ingressar como terceira interessada na análise envolvendo a American Airlines, o que permitiria acesso ao processo e apresentação de estudos e argumentos concorrenciais.

Em documentos encaminhados ao Cade, a holding afirma que a operação não poderia ser interpretada apenas como um investimento financeiro passivo. Segundo a Abra, o acordo prevê participação da American em um comitê estratégico da Azul, o que, na avaliação da empresa, garantiria influência relevante sobre decisões operacionais.

A holding argumenta que a presença simultânea de American e United em estruturas ligadas à gestão da Azul poderia reduzir a rivalidade entre as companhias em um dos principais mercados internacionais operados a partir do Brasil: as rotas entre o país e os Estados Unidos.

Além disso, a Abra menciona que o cenário concorrencial já inclui a parceria comercial existente entre Delta Air Lines e Latam Airlines, estruturada por meio de acordo de joint business.

Segundo informações do Brazil Journal, a preocupação da Abra está relacionada ao nível de concentração no corredor aéreo entre Brasil e Estados Unidos. A holding avalia que dois grandes grupos passariam a ter influência significativa sobre parte relevante da operação internacional.

A Abra também pretende sugerir eventuais medidas compensatórias ao Cade. Entre as possibilidades citadas está a criação de mecanismos comerciais, como acordos de codeshare envolvendo a Gol.

Aportes fazem parte da reestruturação

Atualmente, a United Airlines possui participação de 8,7% no capital da Azul. A American Airlines deverá atingir percentual semelhante caso a operação seja concluída. As duas empresas se comprometeram com aportes de US$ 100 milhões cada na companhia brasileira.

Ao defender o acordo junto ao Cade, a Azul Linhas Aéreas afirmou que o investimento representa etapa essencial do seu processo de reestruturação financeira e busca garantir estabilidade operacional e sustentabilidade de longo prazo.

A empresa também argumenta que a parceria poderá ampliar a oferta de viagens, aumentar conectividade e gerar benefícios comerciais aos passageiros.

Nos autos do processo, a Azul negou que os acordos representem controle compartilhado da companhia, afirmando que American e United não terão poderes de veto ou influência decisória sobre temas estratégicos.

Nos bastidores do setor, também surgiram informações sobre conversas preliminares entre American e United nos Estados Unidos envolvendo uma possível fusão. A proposta, segundo relatos publicados pela imprensa internacional, não avançou. O CEO da American, Robert Isom, chegou a declarar que a combinação poderia ser “ruim para os clientes e ruim para o setor”.

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