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Pesquisa mostra que turismo ainda falha em atender público 60+

Levantamento aponta alta frequência de viagens e poder de consumo entre maduros, mas revela sensação de despreparo do setor

Maurício Herschander
Maurício Herschander
Repórter - E-mail: mauricio@brasilturis.com.br

O turismo brasileiro ainda enfrenta dificuldades para atender adequadamente o público acima dos 60 anos, apesar do avanço da longevidade e da crescente participação desse segmento no consumo de viagens. É o que mostra a pesquisa inédita “Turismo 60+: O Brasil que Viaja Depois dos 60”, conduzida pela consultoria data8 em parceria com o IV Expo Fórum de Turismo 60+ e com apoio do Ministério do Turismo.

Divulgado nesta segunda-feira (11), durante o Expo Fórum de Turismo 60+, o levantamento revela que apenas 26% dos entrevistados sentem que as experiências de viagem são realmente pensadas para pessoas da sua faixa etária. Na prática, 74% afirmam não perceber produtos e serviços adaptados às necessidades do público maduro.

A pesquisa ouviu 1.012 brasileiros com mais de 60 anos entre março e abril de 2026, abrangendo as cinco regiões do país. O estudo aponta um público ativo, digitalizado e financeiramente independente. Entre os entrevistados, 52% realizam pelo menos três viagens por ano e 34% gastam mais de R$ 10 mil anuais com turismo.

O levantamento também mostra que 96% dos viajantes maduros custeiam integralmente ou dividem as despesas das viagens com seus parceiros, enquanto 73% utilizam parcelamento no cartão de crédito como principal forma de pagamento.

A digitalização já integra a rotina desse consumidor. Segundo o estudo, 64% utilizam aplicativos para pesquisar destinos e 25% já recorrem a ferramentas de inteligência artificial, como o ChatGPT, durante o planejamento das viagens. Além disso, 70% afirmam organizar seus roteiros de forma on-line, seja de maneira independente ou com auxílio de familiares.

“O envelhecimento da população não é uma tendência futura – é uma realidade já instalada, com impacto direto sobre o consumo dos brasileiros. No turismo, isso se traduz em um público com tempo, renda e disposição para viajar, mas que ainda encontra barreiras e se vê insatisfeito com a experiência oferecida”, afirma Adriana de Queiroz, sócia do data8 e coordenadora da pesquisa.

Segundo Adriana, o setor ainda precisa compreender o potencial econômico da longevidade. “O setor precisa despertar para o enorme potencial dessa mudança demográfica – e não estamos falando somente de adaptar serviços, mas reconhecer o consumidor prateado como um vetor estratégico de crescimento e inovação para o setor”, completa.

Experiência ainda apresenta falhas

Apesar do alto engajamento com viagens, o público maduro ainda relata dificuldades em diferentes etapas da jornada turística. O estudo aponta que 26% já enfrentaram despreparo ou falta de paciência de equipes de atendimento, enquanto 32% demonstraram dificuldade com processos automatizados, como totens de autoatendimento e check-ins digitais sem suporte humano.

A flexibilidade aparece como uma característica relevante desse perfil de viajante. Segundo a pesquisa, 87% possuem liberdade para escolher datas de viagem, priorizando períodos de baixa temporada ou menos concorridos. Já 61% enxergam o ato de viajar como forma de preservar autonomia, descobrir novos lugares e investir em qualidade de vida.

Entre os destinos preferidos, praias lideram com 72% da preferência, seguidas por cidades históricas (42%) e roteiros de campo e montanha (34%). Preço, localização e conforto aparecem como os fatores mais importantes na escolha da hospedagem.

Selo Destino 60+

Durante o evento, o data8 também apresentou o Selo Destino 60+, iniciativa voltada ao reconhecimento de empreendimentos preparados para atender o público maduro. A certificação avalia critérios ligados à hospitalidade, acessibilidade, nutrição, entretenimento e experiências adaptadas à longevidade.

“A iniciativa busca estimular uma nova lógica no turismo: mais inclusiva, segura e conectada às expectativas de uma geração que deseja continuar viajando, consumindo cultura e vivenciando experiências com autonomia e qualidade”, afirma Cléa Klouri, cofundadora do data8 e idealizadora do selo.

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