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EUA suspendem cobrança de caução de visto para parte dos turistas da Copa do Mundo

Medida do governo Trump beneficia torcedores de países classificados para o Mundial e reduz barreiras de entrada nos Estados Unidos

Maurício Herschander
Maurício Herschander
Repórter - E-mail: mauricio@brasilturis.com.br

O governo dos Estados Unidos anunciou a suspensão da cobrança de cauções de visto que poderiam chegar a US$ 15 mil para parte dos torcedores estrangeiros que viajarão ao país durante a Copa do Mundo de 2026. A decisão reduz uma das principais preocupações relacionadas à entrada de visitantes internacionais no torneio, que será realizado nos EUA, Canadá e México.

A medida beneficia cidadãos de países classificados para o Mundial que estavam sujeitos à exigência criada pela administração de Donald Trump no ano passado. O programa previa o pagamento de uma garantia financeira para viajantes oriundos de nações consideradas pelos EUA como de alto índice de permanência irregular ou associadas a questões de segurança.

Entre os países agora isentos da caução estão Argélia, Cabo Verde, Costa do Marfim, Senegal e Tunísia. Para obter a dispensa, os torcedores precisam apresentar ingressos oficiais adquiridos junto à FIFA.

Além da suspensão da cobrança, os viajantes elegíveis poderão utilizar o sistema FIFA Pass, lançado em novembro do ano passado, que oferece agendamento acelerado de entrevistas para emissão de vistos.

A Copa do Mundo de 2026 começa em 11 de junho e terá partidas em 16 cidades-sede. A expectativa é de movimentação intensa de turistas internacionais, embora o ambiente político e migratório dos Estados Unidos siga gerando preocupação entre entidades do turismo e organizações de direitos civis.

Restrições ainda preocupam setor

Apesar da flexibilização anunciada, críticas às políticas migratórias norte-americanas continuam. Países como Irã e Haiti, mesmo classificados para o Mundial, seguem com restrições de entrada nos Estados Unidos devido às políticas de banimento de viagens adotadas pela gestão Trump.

Já torcedores da Costa do Marfim e do Senegal, embora liberados da caução, ainda podem enfrentar limitações relacionadas às regras migratórias atualmente em vigor.

O cenário levou organizações como a Amnesty International e grupos de direitos civis dos Estados Unidos a divulgarem um alerta de viagem relacionado à Copa do Mundo, citando preocupações com o clima político e os processos de imigração no país.

Setor hoteleiro teme impacto na demanda

O setor de turismo norte-americano também acompanha a situação com atenção. A American Hotel and Lodging Association atribuiu parte da baixa procura inicial por hospedagens para o Mundial às barreiras de visto, custos elevados e longos tempos de espera para entrada nos EUA.

Segundo a entidade, muitos turistas demonstram insegurança em relação ao processamento migratório e às exigências adicionais impostas pelo governo norte-americano.

Dados recentes mostram que, enquanto as viagens internacionais cresceram globalmente em 2025, os Estados Unidos registraram retração de 5,5% no número de visitantes estrangeiros, desempenho considerado o mais fraco da América do Norte.

A própria FIFA havia demonstrado preocupação com a exigência das cauções. Em comunicado divulgado nesta semana, a entidade agradeceu ao governo norte-americano pela decisão.

“A medida demonstra nossa colaboração contínua com o governo dos Estados Unidos e com a força-tarefa da Casa Branca para entregar uma Copa do Mundo bem-sucedida, histórica e inesquecível”, afirmou a entidade.

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