Os Estados Unidos registraram nova queda no fluxo de visitantes internacionais em abril de 2026, ampliando os sinais de desaceleração no turismo receptivo do país. Dados do National Travel and Tourism Office (NTTO) apontam que as chegadas de estrangeiros caíram mais de 14% no período, em um cenário marcado por tensões geopolíticas, custos elevados e mudanças no comportamento dos viajantes.
Segundo o levantamento, as chegadas internacionais representam atualmente 73,5% do volume registrado em abril de 2019, antes da pandemia. O resultado evidencia que o mercado norte-americano ainda não recuperou os níveis históricos de tráfego internacional, mesmo às vésperas de grandes eventos globais, como a Copa do Mundo Fifa de 2026.
Apenas em abril deste ano, os Estados Unidos receberam 4,5 milhões de visitantes estrangeiros por via aérea, número 9,8% inferior ao registrado no mesmo mês de 2025.
O tráfego internacional total entre os EUA e outros países também apresentou retração. O número de passageiros transportados em voos internacionais caiu 3,5%, para 21,3 milhões, embora ainda permaneça ligeiramente acima dos níveis pré-pandemia.
Entre os mercados afetados, o Oriente Médio registrou a maior retração, com queda de 44,5% nas conexões aéreas com os Estados Unidos. O tráfego com o México caiu 9,2%, enquanto Canadá, Reino Unido e União Europeia também apresentaram retrações.
Mercado canadense amplia retração
O Canadá aparece como um dos mercados que mais reduziram viagens aos Estados Unidos desde o retorno de Donald Trump à presidência norte-americana. Segundo estudo da Universidade de Toronto citado pela Publituris, as visitas de canadenses às regiões metropolitanas dos EUA caíram 42% entre abril de 2024 e março de 2026.
Destinos tradicionalmente dependentes do público canadense, como Flórida, Las Vegas e Walt Disney World, já sentem os impactos da retração. Estados de fronteira, como Nova York, Vermont e New Hampshire, também registram queda no fluxo turístico.
Além das tensões políticas e comerciais entre os países, especialistas apontam que a desvalorização do dólar canadense frente à moeda norte-americana tornou as viagens aos EUA mais caras para os turistas do Canadá.
Companhias aéreas também começaram a rever suas operações. Segundo Tomasz Pawliszyn, CEO da AirHelp, empresas canadenses reduziram cerca de 10% da capacidade aérea em rotas para os Estados Unidos, redirecionando aeronaves para mercados como Caribe e México.

