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Mato Grosso do Sul mira experiência premium e crescimento sustentável

Bruno Wendling detalha estratégias para reduzir sazonalidade, atrair investimentos e consolidar Pantanal e Bonito no mercado global

Matheus Alves
Matheus Alves
Repórter - E-mail: matheus@brasilturis.com.br

São Paulo (SP) – O Mato Grosso do Sul quer consolidar sua posição como destino de natureza e experiências de alto valor agregado, sem abrir mão do controle ambiental e da qualificação da oferta turística. A estratégia passa por ampliação da promoção internacional, diversificação de produtos, atração de investimentos e aumento do tempo de permanência dos visitantes nos destinos do estado.

As diretrizes foram detalhadas por Bruno Wendling, diretor-executivo da Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul (Fundtur-MS), em coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (18), no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), em São Paulo, durante a segunda edição do roadshow “Mato Grosso do Sul – Especial por Natureza”.

Segundo Wendling, o estado vem consolidando sua presença internacional no segmento de turismo de natureza e alto padrão ao longo da última década, especialmente por meio do Pantanal.

“No mercado internacional, estamos segmentando muito bem o turismo do estado já na última década. O grande desafio é que o mercado internacional é de longo prazo: criar confiança nesses novos operadores que estão conhecendo o destino e alinhar a oferta desses produtos com nossos receptivos”, afirma.

De acordo com o dirigente, o Pantanal já possui reconhecimento consolidado no exterior, enquanto Bonito ainda trabalha para ampliar sua notoriedade internacional. “A estratégia internacional é apresentar Bonito como uma joia que muitos não conhecem; é a cereja do bolo, porque o Pantanal tem mais visibilidade lá fora do que Bonito”, disse.

Sazonalidade e valor agregado

No mercado doméstico, a principal preocupação é reduzir os impactos da sazonalidade. Segundo Wendling, o estado não pretende competir com destinos de turismo de massa e busca um posicionamento focado em experiências e maior tíquete médio. “Não somos um destino de massa; não queremos competir com sol e praia. Entregamos um valor mais agregado, mas vivemos a sazonalidade do mesmo jeito”, explica.

O executivo destaca que junho segue como um dos períodos mais desafiadores para Bonito em termos de fluxo turístico, conforme dados do observatório estadual de turismo. Para enfrentar esse cenário, o estado aposta em campanhas cooperadas com operadoras e companhias aéreas.

“Vamos iniciar uma ação cooperada com a Expedia para alcançar o público final dentro e fora do Brasil. É uma estratégia interessante que já fizemos com a Decolar no nível nacional”, revela o diretor-executivo.

Outro foco da estratégia estadual é ampliar o tempo de permanência dos visitantes. Atualmente, Bonito registra média de estadia de cerca de cinco dias, enquanto o Pantanal varia entre quatro e cinco noites. No mercado internacional, a permanência costuma chegar a uma semana.

“Por isso existe a estratégia de colar Bonito com o Pantanal: se o Pantanal fica quatro ou cinco noites, acrescentar duas noites em Bonito já estende para uma semana”, explica Wendling, reforçando que a conectividade aérea também favorece essa integração, com acessos por Campo Grande, Guarulhos, Campinas e Belo Horizonte.

Expansão da oferta e novos investimentos

Para acompanhar o crescimento gradual da demanda, o estado trabalha na ampliação e qualificação da infraestrutura turística, especialmente no Pantanal e em Bonito. “O Pantanal tem grandes áreas e o primeiro desafio é aumentar a oferta. Estamos trabalhando na captação de investimentos que devem ocorrer nos próximos anos, com segmentação para público de luxo”, afirma.

Wendling ressalta que o bioma pantaneiro possui limitações naturais para expansão acelerada da hotelaria. “Não esperamos que vire um destino com dezenas de pousadas; não cabe no Pantanal. Portanto, o desafio é qualificar e diversificar a oferta”, pontua.

Em Bonito, a estratégia envolve diversificação de atrativos, expansão da hotelaria e fortalecimento da gastronomia local. Entre os investimentos citados estão um parque temático previsto pelo grupo Zagaia, novas grutas para mergulho e balneários voltados a nichos específicos. “A gastronomia também evoluiu muito. Hoje surgiram vários restaurantes de qualidade e a cena gastronômica se tornou um elemento forte”, destaca.

Campo Grande também deve receber novos investimentos hoteleiros, incluindo a chegada de uma bandeira internacional. “Vejo que o Estado está se movimentando, mas há um desafio: baixa densidade populacional e necessidade de mais empresários investindo em outras cidades”, salienta.

Entre as regiões apontadas como prioritárias para expansão turística estão a Costa Leste do estado, a região de Três Lagoas, áreas do Cerrado e o entorno do Parque Nacional das Emas.

Crescimento controlado e preservação ambiental

Apesar do avanço da promoção turística, Wendling defende um crescimento controlado do fluxo de visitantes para preservar os diferenciais ambientais do estado. “Eu, pessoalmente, não tenho a pretensão de que o estado precise receber milhões de turistas por ano; isso poderia comprometer o que ele tem de melhor”, argumenta.

Segundo ele, a estratégia central da promoção turística estadual está baseada no tempo de viagem dos turistas e gasto do visitante. “A estratégia que proponho é: tempo de permanência e tíquete médio”, resume.

O executivo também ressaltou que Bonito ainda possui margem para crescimento sem comprometer os limites ambientais dos atrativos, mas alertou para a necessidade de equilíbrio. “Calibrar a experiência do turista é uma conta complicada e essencial para manter a competitividade do destino a longo prazo”, reforça.

Para Wendling, o risco de crescimento desordenado pode comprometer o posicionamento premium dos destinos sul-mato-grossenses. “Caso contrário, há o risco de transformação em produto de baixo valor agregado, competição por preço e perda das joias do estado, como a Serra da Bodoquena e o Pantanal”, conclui.

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