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Quem motiva quem motiva todo mundo? A-List, da TGK, provoca agentes a olharem para si

Cris Bulsoni abriu o A-List Talks no Rio destacando autoliderança, inteligência emocional e adaptação como pilares do empreendedorismo

Felipe Lima
Felipe Lima
Chefe de Redação - E-mail: felipe@brasilturis.com.br

Rio de Janeiro (RJ) –  A primeira palestra do A-List Talks, promovido pelo grupo TGK começou com uma provocação simples, mas capaz de gerar reflexão imediata entre os cerca de 30 agentes de viagens presentes no Copacabana Palace. Diante de um público formado majoritariamente por empresários e gestores, Cris Bulsoni, psicóloga organizacional e mentora de executivos, lançou uma pergunta que guiaria toda sua apresentação sobre liderança empreendedora.

“Quando a gente é dono do nosso negócio, precisa se autoliderar. Precisa se autoajustar diariamente para poder continuar. Muitas vezes somos nós que motivamos todo mundo, mas quem motiva a gente?”, questionou.

A partir dessa reflexão, a especialista conduziu uma conversa sobre os desafios invisíveis do empreendedorismo. Mais do que falar sobre gestão de equipes ou estratégias de crescimento, Cris voltou o olhar para quem está à frente dos negócios e precisa lidar diariamente com decisões, pressões, incertezas e responsabilidades. “O que eu queria era que vocês saíssem daqui reflexivos. Que olhassem para vocês mesmos e para o negócio de vocês”, afirmou.

Segundo a palestrante, o sucesso de uma empresa está diretamente ligado à capacidade do empreendedor de compreender a si mesmo. Para isso, ela apresentou três pilares que considera essenciais para qualquer líder: autoconhecimento, visão estratégica e autodesenvolvimento.

“Eu preciso me conhecer. Preciso entender o que me engatilha, como eu funciono, como eu tomo decisões. Também preciso ter visão de negócio e me desenvolver constantemente, porque o mundo está mudando rápido demais”, disse.

Ao longo da apresentação, Cris destacou que muitos empresários ainda tomam decisões influenciados por emoções que sequer percebem estar sentindo. Raiva, medo, ansiedade, frustração e insegurança acabam influenciando escolhas importantes sem que o profissional se dê conta.

“Nossas emoções interferem diretamente na tomada de decisão. E no nosso negócio estamos tomando decisões o tempo todo. Por isso precisamos tomar cuidado para que elas não sejam emocionais ou impulsivas”, explicou.

Utilizando exemplos próximos da realidade dos agentes de viagens, a especialista falou sobre situações inesperadas que fazem parte da rotina do setor, como cancelamentos, greves, mudanças de rota e problemas operacionais durante viagens. Nesses momentos, segundo ela, o cérebro tende a entrar em estado de alerta e a enxergar apenas cenários negativos.

“Acontece alguma coisa e a gente começa a pensar no pior. Vou perder o cliente, vai dar tudo errado. Só que quanto mais entramos nesse ciclo, mais difícil fica encontrar uma solução”, destacou.

Para romper esse padrão, Cris defendeu o desenvolvimento da inteligência emocional como uma competência estratégica para líderes e empreendedores. “Quando você percebe o que está sentindo, já deu o primeiro passo. Estou com raiva? Estou frustrado? Estou preocupado? Reconhecer isso ajuda a sair do piloto automático e voltar a pensar de forma racional”, explicou.

A palestrante também abordou os chamados sabotadores internos: padrões de comportamento que limitam o crescimento profissional. Entre eles, citou o perfeccionismo excessivo, a necessidade de aprovação constante, o medo de errar, a dificuldade de delegar e a tendência de evitar conflitos. “Ninguém vai fazer exatamente igual a você. Talvez faça até melhor. Mas enquanto você acreditar que precisa controlar tudo, seu negócio não cresce”, afirmou.

Outro ponto central da palestra foi a necessidade de adaptação em um cenário cada vez mais dinâmico. Para Bulsoni, o planejamento continua importante, mas precisa ser acompanhado de flexibilidade.

“Antigamente as empresas faziam planejamento para cinco anos. Hoje até podemos definir onde queremos chegar, mas precisamos revisitar isso constantemente. O mundo muda rápido demais. A capacidade de adaptação é uma das competências mais importantes para qualquer empreendedor.”

Ao encerrar sua apresentação, a especialista reforçou que desenvolvimento profissional não significa apenas participar de cursos ou treinamentos. Buscar feedbacks, trocar experiências com outros profissionais, ampliar repertório e reservar momentos para reflexão também fazem parte do processo de crescimento.

“A gente aprende muito na relação com o outro. Por isso encontros como este são tão importantes. Quando conversamos, ouvimos experiências diferentes e saímos da nossa rotina, conseguimos enxergar novas possibilidades para os nossos negócios”, concluiu.

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