São Paulo (SP) – John Rodgerson, CEO da Azul Linhas Aéreas, afirmou que o aumento do uso de medicamentos para perda de peso pode gerar economia operacional para as companhias aéreas. A declaração foi feita durante um painel promovido pela rede de farmácias Pague Menos e pelo Itaú BBA, que discutiu os impactos das chamadas canetas emagrecedoras.
“Se cada cliente perde dois quilos, que é o que está acontecendo, vamos economizar R$ 3 milhões por mês”, disse o executivo. Segundo ele, a redução do peso transportado contribui para diminuir o consumo de combustível das aeronaves.
A fala ocorre em um contexto de aumento dos custos do querosene de aviação (QAV). Desde o início do conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, o combustível registrou alta de cerca de 70% no Brasil. De acordo com a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), o QAV passou a representar aproximadamente 45% dos custos das companhias, ante cerca de 30% antes da guerra.
O aumento das despesas tem levado as empresas aéreas a rever suas operações. Segundo estimativas da Abear, Azul, Gol e Latam estão retirando 121 voos diários de suas malhas neste mês, movimento que deve continuar nos próximos meses. Paralelamente, dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) indicam que a tarifa aérea doméstica média subiu pouco mais de 25% nos meses de março e abril.
“Eu sou o maior promotor da caneta que existe, porque o custo do combustível é o mais caro do mundo aqui no Brasil e dobrou nos últimos três meses por causa da guerra”, afirmou Rodgerson. O executivo acrescentou que espera a manutenção de preços mais elevados para as passagens nos próximos meses.
A pressão sobre os custos também afeta as projeções financeiras do setor. A Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) revisou sua estimativa de lucro global da indústria aérea em 2026 para US$ 23 bilhões, ante projeção inicial de US$ 46 bilhões.
Entre as companhias brasileiras, a Latam estima impacto de US$ 700 milhões em suas contas no segundo semestre devido ao aumento do combustível. Já a Azul informou que não projeta crescimento em 2026.
O potencial efeito dos medicamentos para emagrecimento sobre os custos das aéreas também vem sendo analisado em outros mercados. Um estudo divulgado pela empresa de serviços financeiros Jefferies apontou que as quatro maiores companhias aéreas dos Estados Unidos — American Airlines, Delta Air Lines, Southwest Airlines e United Airlines — podem economizar até US$ 580 milhões por ano em combustível em função da redução de peso dos passageiros.
PL dos snacks
Enquanto isso, uma proposta em tramitação no Congresso Nacional pode alterar a oferta de alimentos a bordo. O Projeto de Lei 1.094/26, de autoria do deputado Sidney Leite (PSD-AM), prevê a proibição do fornecimento de alimentos ultraprocessados por empresas de transporte aéreo e outros modais.
“A proposta busca promover ambientes alimentares mais saudáveis. Além de incentivar a substituição por alimentos in natura ou minimamente processados, a medida contribui para a conscientização alimentar da população e para a redução dos impactos negativos do consumo excessivo de ultraprocessados”, afirma o parlamentar.
Caso seja aprovado, o projeto estabelece prazo de 180 dias para adequação das empresas. O texto ainda será analisado pelas comissões de Viação e Transportes, Saúde, Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados, além de precisar passar pelo Senado Federal.







