BRL - Moeda brasileira
EUR
5,77
USD
4,91

Por que a Azul Viagens está apostando mais do que nunca nos agentes

Clusterização, atendimento consultivo, nichos e desenvolvimento comercial revelam a estratégia da operadora para crescer junto ao trade

Kamilla Alves
Kamilla Alves
Gestora Web - E-mail: milla@brasilturis.com.br

Fortaleza (CE) – Em um momento em que inteligência artificial, plataformas digitais e ferramentas de autoatendimento avançam sobre o mercado de viagens, a Azul Viagens está seguindo um caminho que pode parecer contraintuitivo para parte da indústria: investir ainda mais no agente de viagens.

A mensagem foi repetida em diferentes momentos por Giulliana Mesquita, diretora da operadora, durante o Agente Tá On na Estrada Ceará. Mais do que defender a relevância do canal, a executiva apresentou uma visão de futuro baseada na profissionalização, especialização e desenvolvimento das agências.

A estratégia parte de uma constatação simples. Na visão da Azul Viagens, a internet tornou a comparação de preços cada vez mais fácil. O acesso à informação deixou de ser um diferencial. O que permanece difícil de replicar é a confiança.

“Quando você compra um carro de alto valor, você quer falar com uma pessoa. Com viagens acontece a mesma coisa. Você está investindo tempo, dinheiro e expectativa. O agente tem um papel fundamental nessa decisão”, afirmou Giulliana e esse entendimento ajuda a explicar parte das transformações realizadas pela operadora nos últimos anos.

Do vendedor ao consultor

Historicamente, muitas relações entre operadoras e agências eram construídas sobre volume de vendas. Hoje, segundo Giulliana, o desafio é diferente. O foco passou a ser o desenvolvimento dos parceiros.

A criação da clusterização nacional é um dos exemplos dessa mudança. Mais do que ranquear desempenho, o sistema passou a funcionar como ferramenta de acompanhamento da maturidade das agências.

Por trás da estrutura existe um modelo pouco visível ao mercado: a análise do ciclo de vida de cada parceiro.

A partir desse acompanhamento, os executivos comerciais deixam de atuar apenas como vendedores e passam a exercer uma função consultiva. O objetivo é ajudar a agência a crescer, identificar oportunidades, ampliar portfólio, melhorar conversão e encontrar novos nichos de atuação.

“Não estamos olhando apenas para venda. Estamos olhando para como aquela agência pode amadurecer dentro da operação”, explicou.

O fim da guerra de preços

Outro ponto recorrente na fala da executiva é a necessidade de romper a lógica da competição baseada exclusivamente em tarifas. Para a Azul Viagens, a distribuição turística enfrenta um cenário de comoditização crescente. Nesse ambiente, a agência que vende apenas aéreo e hotel corre o risco de perder relevância.

Por isso, a operadora passou a direcionar esforços para produtos capazes de agregar valor ao trabalho consultivo.

A aposta inclui experiências, nichos temáticos, roteiros segmentados e produtos especializados.

“O preço está cada vez mais acessível em qualquer lugar. O diferencial passa a ser a proposta de valor”, resumiu Giuliiana.

Oportunidades escondidas nos nichos

Entre os caminhos apontados pela executiva estão mercados de interesse específico, capazes de gerar novos clientes para as agências. O exemplo mais citado foi o segmento de corridas de rua.

A executiva lembrou que praticamente todas as cidades possuem grupos organizados de corredores. Ao estruturar produtos voltados para esse público, a agência deixa de disputar o mesmo cliente que todos procuram e passa a acessar uma demanda nova.

A lógica pode ser replicada para gastronomia, bem-estar, turismo religioso, natureza, observação de estrelas, experiências culturais e diversos outros segmentos. “Você gera um lead que antes não estava na sua base”, destacou.

Além disso, a Azul Viagens acredita que o fator humano continuará sendo decisivo. Ao citar exemplos de agências que se destacam dentro da operação, Giulliana mencionou práticas simples, mas que reforçam o relacionamento com o cliente.

Entre elas está o uso de brindes personalizados produzidos em impressoras 3D e entregues aos passageiros antes ou depois das viagens. A lógica por trás dessas iniciativas é criar memória afetiva, fortalecer relacionamento e estimular recompra. Segundo ela, muitas das agências que mais crescem trabalham muito bem o encantamento.

O futuro passa pelo relacionamento

Se existe uma conclusão possível a partir das mensagens transmitidas pela executiva durante o evento, é que a Azul Viagens enxerga o futuro da distribuição turística menos como uma disputa tecnológica e mais como uma disputa por relevância.

Nesse cenário, ferramentas digitais, inteligência artificial e automação devem continuar avançando. Mas, para a operadora, o agente seguirá ocupando uma posição estratégica justamente por ser capaz de fazer algo que nenhuma plataforma consegue reproduzir integralmente: interpretar necessidades, gerar confiança e transformar produtos em experiências.

LEIA MAIS NOTÍCIAS

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem, 
necessariamente, a opinião deste jornal

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

MAIS LIDAS

NEWSLETTER

    AGENDA 2026

    Labace

    REDES SOCIAIS

    PARCEIROS