A prorrogação da isenção de visto para turistas brasileiros até 2029 deve impulsionar a demanda por viagens ao Japão e estimular um movimento crescente em direção a roteiros que vão além dos destinos tradicionais como Tóquio, Kyoto e Osaka. Com menos burocracia para entrar no país asiático, cresce o interesse por experiências regionais, natureza, gastronomia e cultura local.
Segundo dados da Japan National Tourism Organization (JNTO), mais de 110 mil brasileiros visitaram o Japão em 2025, alta de 29% em relação ao ano anterior. Para a Quickly Travel, especializada em viagens ao destino e integrante do grupo japonês JTB, a extensão da isenção tende a favorecer tanto quem fará a primeira viagem quanto quem pretende retornar ao país com roteiros mais personalizados.
Mami Fumioka, CEO da Quickly Travel, avalia que a medida reduz uma etapa importante do planejamento e amplia a confiança do viajante brasileiro.
“A extensão da facilidade até setembro de 2029 reduz uma etapa do planejamento e reforça a confiança do viajante em escolher o Japão como destino. Isso também abre espaço para que as pessoas pensem em roteiros mais completos, incluindo regiões menos conhecidas, e até considerem uma segunda viagem para explorar outras partes do país”.
Com o acordo, brasileiros podem permanecer no Japão por até 90 dias consecutivos sem necessidade de visto para turismo. A isenção não se aplica a atividades remuneradas ou situações que exijam autorização específica de entrada.
Destinos regionais ganham espaço
Entre os destinos apontados como alternativas à rota clássica está Kanazawa, conhecida pelos jardins tradicionais, bairros históricos preservados e forte identidade gastronômica. Nos Alpes Japoneses, Takayama atrai visitantes com ruas centenárias, mercados locais e festivais que mantêm vivas tradições seculares.
Outro destaque é Naoshima, ilha que se tornou referência internacional ao combinar arte contemporânea e arquitetura em meio à paisagem natural. No sul do país, Kyushu reúne vulcões, águas termais, natureza exuberante e cidades históricas, enquanto Tohoku, no norte, oferece montanhas, lagos e festivais tradicionais ainda pouco explorados pelo turismo internacional.
Para quem busca uma imersão cultural, a recomendação é incluir uma hospedagem em um ryokan, estalagem japonesa tradicional que reúne arquitetura típica, culinária regional, uso de quimonos, camas de futon e banhos termais (onsen). Takayama, Kyushu e Hakone figuram entre as regiões mais procuradas para esse tipo de experiência. Localizada a cerca de 100 quilômetros de Tóquio, Hakone também é conhecida pelas vistas para o Monte Fuji em dias de céu aberto.
Segundo Mami Fumioka, a possibilidade de permanecer até 90 dias no país favorece um novo perfil de viagem, com maior profundidade e tempo para explorar diferentes regiões.
“Hoje, percebemos que muitos viajantes querem vivenciar o Japão de forma mais profunda. Não se trata apenas de visitar os lugares mais famosos, mas de entender as particularidades de cada região, experimentar sabores locais e viver experiências que dificilmente cabem em um roteiro de poucos dias ou que inclua somente as cidades mais populares”, conclui.

