Os resultados apresentados nos anuários estatísticos do Ministério do Turismo (MTur) demonstram que o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (PERSE) cumpriu o objetivo para o qual foi criado: permitir a recuperação de um dos segmentos mais impactados pela pandemia de covid-19. A avaliação é de Doreni Caramori Júnior, empresário e presidente da Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (Abrape).
Criado em 2021, o programa surgiu como uma medida emergencial para garantir a sobrevivência de empresas do setor de eventos, turismo e entretenimento durante o período mais crítico da crise sanitária. Segundo Doreni Caramori Júnior, os números registrados nos últimos anos evidenciam que a iniciativa contribuiu diretamente para a retomada das atividades.
De acordo com dados da International Congress and Convention Association (ICCA), o Brasil sediou apenas quatro eventos internacionais em 2021. Em 2022, o número saltou para 110, chegando a 156 em 2023 e alcançando 234 eventos em 2024, superando os 209 registrados antes da pandemia.
O desempenho também refletiu na posição do país no ranking internacional da ICCA. Em 2022, o Brasil ocupava a 25ª colocação mundial. Dois anos depois, avançou para o 15º lugar, mantendo a liderança na América do Sul. Atualmente, mais de 40 cidades brasileiras recebem eventos internacionais, ampliando os impactos econômicos em diferentes regiões.
A expansão também pode ser observada na estrutura empresarial do setor. Dados do Cadastur apontam que o número de organizadoras de eventos registradas passou de aproximadamente 4,5 mil em 2019 para mais de 8 mil em 2022. Já as empresas de infraestrutura para eventos chegaram a quase 5 mil registros em 2024.
O turismo internacional acompanhou esse movimento de recuperação. O Brasil recebeu 3,6 milhões de visitantes estrangeiros em 2022, número que subiu para 5,9 milhões em 2023 e alcançou 6,8 milhões em 2024. Segundo o dirigente da Abrape, a retomada dos congressos, feiras, convenções e encontros corporativos contribuiu para impulsionar toda a cadeia de serviços ligada ao turismo.
Na avaliação de Doreni Caramori Júnior, os resultados não ocorreram de forma espontânea. O empresário destaca que o Perse permitiu que empresas preservassem operações, mantivessem empregos, renegociassem compromissos financeiros e retomassem investimentos após o período de paralisação provocado pela pandemia.
Para o presidente da Abrape, os dados oficiais reforçam que o programa teve papel relevante na recuperação econômica do setor de eventos e na retomada do turismo brasileiro, contribuindo para a manutenção de empresas e profissionais que hoje participam do crescimento da atividade no país.








