As viagens corporativas movimentaram R$ 18 bilhões em abril de 2026, alta de 4,6% em relação ao mesmo mês do ano passado e o maior resultado já registrado para o período. Os dados são do Levantamento de Viagens Corporativas (LVC), elaborado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) em parceria com a Associação Latino-Americana de Gestão de Eventos e Viagens Corporativas (Alagev).
No acumulado dos quatro primeiros meses do ano, o segmento alcançou R$ 66,3 bilhões em movimentação financeira, crescimento de 6,1% na comparação com o mesmo período de 2025.
O resultado foi registrado em um mês marcado por feriados prolongados, tradicionalmente associados à redução das atividades corporativas. Ainda assim, a demanda por deslocamentos profissionais permaneceu em alta.
“Os números mostram que as viagens corporativas continuam sendo uma ferramenta essencial para a geração de negócios, fortalecimento de relacionamentos e desenvolvimento de oportunidades”, afirma Luana Nogueira, diretora-executiva da Alagev.
“Mesmo diante de um cenário de instabilidade global e de um calendário com diversos feriados, as empresas mantiveram seus compromissos presenciais, participando em eventos, feiras, reuniões e visitas comerciais. Isso demonstra a relevância do contato humano para a construção de resultados”, acrescenta.
Segundo a executiva, uma das características do segmento é o planejamento antecipado das viagens, o que reduz os impactos de oscilações conjunturais de curto prazo.
“As viagens corporativas costumam ser planejadas com antecedência. Eventos, convenções, reuniões estratégicas e encontros comerciais não acontecem de forma imediata. Existe uma preparação prévia que reduz o impacto de oscilações conjunturais de curto prazo e traz maior previsibilidade para o mercado”, explica.
Aviação e hotelaria acompanham crescimento
Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) mostram que a demanda aérea cresceu 1,8% em abril na comparação anual. No mesmo período, a tarifa média comercializada passou de R$ 614 para R$ 670 em valores reais, refletindo o aumento dos custos operacionais, especialmente do querosene de aviação.
Na hotelaria, números do Fórum dos Operadores Hoteleiros do Brasil (Fohb) indicam que a taxa de ocupação recuou de 61% para 60,36%, movimento considerado compatível com um mês de maior número de feriados. Já a diária média avançou 1,9% em termos reais, passando de R$ 462 para R$ 471.
Outro indicador citado pela Alagev é um levantamento da Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas, segundo o qual sete em cada dez passageiros transportados pela aviação comercial brasileira viajam a trabalho.
“O mercado continua aquecido e a demanda permanece consistente. O desafio passa a ser equilibrar os impactos da inflação e dos custos operacionais para que o crescimento seja sustentado não apenas pela elevação dos preços, mas também pelo aumento efetivo da atividade. Ainda assim, o turismo corporativo segue em trajetória de expansão e deve continuar registrando resultados expressivos ao longo de 2026”, conclui Luana.

