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De Marrocos à Islândia: conheça os cenários onde foi gravado “A Odisseia”, de Christopher Nolan

Produção percorreu cinco países e um território não autônomo para transformar kasbahs, praias, ilhas e falésias em cenários da jornada de Ulisses

Maurício Herschander
Maurício Herschander
Repórter - E-mail: mauricio@brasilturis.com.br

Poucas narrativas atravessaram tantos séculos quanto “A Odisseia”. Antes de chegar aos cinemas, o poema atribuído a Homero e escrito na Grécia Antiga já contava, há quase três mil anos, a jornada de Ulisses, rei de Ítaca, que passa dez anos tentando regressar ao lar após a Guerra de Troia. Para transportar essa história para as telas, Christopher Nolan decidiu abandonar os estúdios e levar a produção a Marrocos, Grécia, Itália, Islândia e Escócia, além do Saara Ocidental. Com a chegada do longa aos cinemas, esses cenários voltam ao radar dos viajantes, e a Civitatis, plataforma de reserva de atividades presente em mais de 160 países, reuniu seis experiências relacionadas às locações.

Filmado integralmente com câmeras Imax, o longa traz Matt Damon no papel de Ulisses, acompanhado por Tom Holland como Telêmaco, Anne Hathaway como Penélope e Zendaya como a deusa Atena. Em material promocional divulgado antes da estreia, Damon chegou a comentar que a produção parecia reunir seis ou sete filmes diferentes, tamanha a variedade de cenários. A diversidade aparece ao longo da narrativa, que parte do deserto marroquino e chega às falésias do norte da Escócia.

A decisão de trabalhar com paisagens reais ajuda a colocar destinos já conhecidos do turismo internacional novamente em evidência. Aït Benhaddou, o Peloponeso, Favignana e a costa sul da Islândia já recebiam visitantes muito antes das filmagens, mas grandes produções costumam ampliar esse interesse. Segundo a Civitatis, reservas de atividades relacionadas a Harry Potter cresceram 20% no mês de lançamento do novo trailer da série da Warner Bros, em abril de 2026.

“O que torna ‘A Odisseia’ interessante para o turismo é que Nolan não inventou paisagens: ele foi atrás de lugares que já existem e que o viajante pode visitar. Aït Benhaddou, o Peloponeso, Favignana e a costa sul da Islândia são destinos com estrutura receptiva pronta e passeios saindo de cidades-base. O filme funciona como uma porta de entrada para roteiros que já estavam ali”, afirma Alexandre Oliveira, Country Manager da Civitatis no Brasil.

Onde “A Odisseia” foi filmada?

1. Marrocos: Troia entre kasbahs e o litoral atlântico

Aït Benhaddou, Marrocos. Crédito: Divulgação

A cidadela de Aït Benhaddou, próxima a Ouarzazate e reconhecida como Patrimônio Mundial pela Unesco, foi escolhida para representar Troia. As construções de terra batida vistas no filme fazem parte de um conjunto histórico aberto aos visitantes. Uma das opções de passeio parte de Marrakech, cruza a Cordilheira do Atlas pelo desfiladeiro de Tizi n’Tichka, a 2.260 metros de altitude, e inclui tempo livre no kasbah e em Ouarzazate, conhecida como “Hollywood da África” por abrigar estúdios utilizados em produções como “Gladiador” e “Game of Thrones”.

O litoral de Essaouira também aparece na produção, especialmente nas cenas relacionadas ao Cavalo de Troia. Conhecida como “Pérola do Atlântico”, a cidade reúne uma medina fortificada considerada Patrimônio Mundial pela Unesco, porto pesqueiro e praias marcadas pelos ventos, que atraem praticantes de kitesurfe. Excursões a partir de Marrakech levam cerca de três horas até o destino e permitem visitar as muralhas, o porto e o centro histórico.

2. Grécia: o Peloponeso e os cenários ligados à tradição homérica

Micenas, no Peloponeso. Crédito: Divulgação

Parte das gravações ocorreu no Peloponeso, região diretamente associada às narrativas da Grécia Antiga. Entre as locações escolhidas estão a Caverna de Nestor, usada como esconderijo do Ciclope Polifemo, além do Castelo de Methoni, da Praia de Voidokilia e da fortaleza de Acrocorinto.

Para quem deseja conhecer a península, roteiros partindo de Atenas passam por Corinto, Micenas, Náfplio e Epidauro em cerca de dez horas. O trajeto inclui o Canal de Corinto, a cidadela de Micenas, que dominou o Egeu entre os séculos XVII e XIII a.C., e o tradicional teatro de Epidauro.

Na capital grega, outra alternativa é o tour mitológico por Atenas, com aproximadamente duas horas de duração, dedicado às histórias que ajudaram a construir a identidade da cidade, entre elas a de Atena, deusa que acompanha e protege Ulisses durante sua jornada.

3. Itália: Favignana assume o papel de Ítaca

Favignana, ilha na Sicilia, Itália. Crédito: Divulgação

Ítaca, destino final da viagem de Ulisses e lugar onde Penélope aguarda seu retorno, foi representada por Favignana, ilha localizada no arquipélago das Égadas, na Sicília. Cercado por falésias de calcário e pequenas enseadas de águas cristalinas, o destino aparece em diferentes momentos do filme.

O Castello di Santa Caterina, situado no alto da montanha, foi utilizado como representação do palácio do herói. Entre as formas de visitar a ilha está o cruzeiro por Favignana e Levanzo com saída de Trapani, que leva cerca de 40 minutos até o destino e inclui tempo livre no vilarejo, paradas para banho em pontos como Cala Rossa e Cala Azzurra e almoço siciliano a bordo.

4. Islândia: praias negras representam o reino de Hades

Reynisfjara, na Islândia. Crédito: Divulgação

Uma das passagens mais sombrias da saga de Ulisses ocorre durante sua descida ao reino de Hades, quando o herói atravessa os limites do mundo conhecido para consultar o profeta Tirésias. Para criar a atmosfera desse trecho, a produção escolheu diferentes regiões da Islândia.

As gravações foram realizadas em junho, durante o período do sol da meia-noite, e passaram pela península de Snæfellsnes, pelas praias de Hjörleifshöfði e pela faixa de areia negra próxima ao rio Markarfljót. Um dos passeios disponíveis parte de Reykjavík e percorre a costa sul por cerca de dez horas e meia, com paradas nos campos de lava ao redor da montanha Hengill, nas cascatas Seljalandsfoss e Skógafoss e na praia de Reynisfjara, conhecida pelas formações vulcânicas associadas, segundo a tradição local, a trolls petrificados.

5. Escócia: as Terras Altas dão forma à ilha de Circe

Parque Nacional de Cairngorm, na Escócia. Crédito: Divulgação

Entre os encontros de Ulisses durante a viagem está Circe, feiticeira capaz de transformar homens em animais. Para representar esse universo, Nolan utilizou paisagens de Moray Firth, no nordeste da Escócia, além das ruínas do Castelo de Findlater e da vegetação densa da Floresta de Culbin.

Roteiros partindo de Inverness percorrem áreas semelhantes às utilizadas nas filmagens, incluindo o Parque Nacional Cairngorms, Clava Cairns e o Castelo de Cawdor. O trajeto passa pelo círculo pré-histórico de pedras de Clava Cairns, localizado a cerca de 20 minutos da cidade, segue pelos jardins e salões do Castelo de Cawdor e termina no Parque Nacional Cairngorms, o maior do Reino Unido, com parada em Aviemore.

6. Saara Ocidental: as White Dunes de Dakhla

Dakhla, no Saara Ocidental. Crédito: Divulgação

As cenas entre Ulisses e Atena foram gravadas nas White Dunes, próximas a Dakhla, no Saara Ocidental, território não autônomo administrado pelo Marrocos. A região fica na costa atlântica africana e ainda possui presença limitada no turismo organizado.

Dakhla é conhecida principalmente entre praticantes de kitesurfe e completa o conjunto de paisagens escolhidas por Christopher Nolan para retratar a jornada de Ulisses no novo épico cinematográfico.

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