Salvador recebeu 114,4 mil turistas internacionais por via aérea entre janeiro e junho de 2026, crescimento de 43% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram registradas 79,8 mil chegadas. Os dados são da Embratur, com base nos registros migratórios da Polícia Federal, e apontam a capital baiana como uma das principais portas de entrada de visitantes estrangeiros no Brasil.
Segundo representantes do setor, o resultado está relacionado à ampliação da malha aérea internacional, ao fortalecimento da promoção do destino e ao interesse crescente pelos atrativos culturais e históricos da cidade.
Rogério Ribeiro Pereira, presidente da Abav-BA, atribui o desempenho a um conjunto de ações desenvolvidas nos últimos anos. “Esse crescimento de 43% é resultado de um conjunto de fatores que vêm sendo trabalhados nos últimos anos. Destaco a ampliação da conectividade aérea internacional, a promoção mais assertiva de Salvador em mercados estratégicos, o fortalecimento da imagem da Bahia no exterior e a valorização dos nossos diferenciais, como cultura, gastronomia, patrimônio histórico e a identidade afro-brasileira”, afirma.
Segundo o dirigente, o movimento já é percebido pelas agências de viagens. “As agências de viagens têm percebido esse movimento de forma muito positiva. Há um aumento na procura por informações, reservas e experiências personalizadas, além de um maior interesse de operadores internacionais em incluir Salvador e outros destinos baianos em seus portfólios. Isso demonstra que a cidade está cada vez mais consolidada como uma importante porta de entrada do turismo internacional no Nordeste”, explica.
Argentina lidera emissões
A Argentina permaneceu como principal mercado emissor, com 50,1 mil visitantes no primeiro semestre, alta de 61% em relação ao mesmo período de 2025 e participação de aproximadamente 44% das chegadas internacionais em Salvador.
Também houve crescimento no fluxo de turistas de Portugal (21%), França (31%), Espanha (30%), Itália (30%), Alemanha (40%) e Reino Unido (46%). Nove dos dez principais mercados emissores registraram expansão.
Os maiores avanços percentuais foram observados nos Estados Unidos e na China. As chegadas de turistas norte-americanos cresceram 470%, impulsionadas pela retomada da operação da Copa Airlines entre Salvador e a Cidade do Panamá. Já o mercado chinês avançou 493%, movimento associado ao fortalecimento das relações econômicas entre Brasil e China, à instalação da BYD na Bahia e à flexibilização das regras para concessão de vistos a turistas chineses.
Na avaliação de Rogério Ribeiro Pereira, o aumento do fluxo internacional beneficia diversos segmentos da cadeia turística. “Sem dúvida. O aumento do fluxo internacional já impacta diretamente a comercialização de pacotes, hospedagem, passeios, receptivos, transporte turístico e experiências culturais. O turista estrangeiro tem buscado uma vivência mais completa, combinando Salvador com outros destinos da Bahia, como a Chapada Diamantina, Morro de São Paulo, Praia do Forte e Porto Seguro”, detalha.
O presidente da Abav-BA também destaca a diversificação dos mercados emissores. “A Argentina continua sendo o principal mercado emissor, com números bastante expressivos. Também observamos uma crescente participação de Portugal, Espanha, França, Itália e Reino Unido. Merece destaque, ainda, o crescimento dos mercados dos Estados Unidos e da China, que demonstram um grande potencial para os próximos anos. Esse cenário fortalece toda a cadeia produtiva do turismo, gerando emprego, renda e novas oportunidades de negócios”, completa.
Conectividade aérea e promoção do destino
De acordo com a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secult), o aumento das conexões internacionais contribui para ampliar a competitividade do destino e estimular a economia local.
Ana Paula Matos, vice-prefeita e secretária municipal de Cultura e Turismo em exercício, afirma que os indicadores refletem a estratégia adotada pelo município. “Esse crescimento expressivo mostra que Salvador deixou de ser apenas um destino desejado para se tornar uma cidade estrategicamente conectada ao mundo”, declara.
“Temos investido na promoção internacional, na ampliação da malha aérea, na valorização da nossa cultura, da nossa identidade afro-brasileira e na melhoria da experiência de quem nos visita. Cada novo turista representa mais oportunidades para quem trabalha com hotelaria, gastronomia, transporte, cultura, comércio e economia criativa. É um resultado que beneficia toda a cidade e confirma que estamos no caminho certo”, destaca Ana Paula.
Para Alexandre Reis, secretário municipal de Cultura e Turismo, os números refletem o trabalho realizado para ampliar a conectividade e diversificar os mercados emissores. “O crescimento é resultado de um trabalho técnico baseado em inteligência de mercado, articulação com companhias aéreas, promoção qualificada do destino e monitoramento permanente dos mercados prioritários.
“A ampliação da conectividade aérea reduz barreiras de acesso, aumenta nossa competitividade frente a outros destinos e diversifica a origem dos visitantes, tornando o turismo mais resiliente e sustentável. O fortalecimento de mercados consolidados, como a Argentina, e a expansão de mercados estratégicos, como Estados Unidos e China, mostram que Salvador ocupa hoje uma posição cada vez mais relevante no mapa internacional do turismo”, avalia Reis.
Representantes do setor afirmam que a manutenção desse crescimento dependerá da continuidade das ações de promoção do destino, da realização de eventos ao longo de todo o ano, de investimentos em infraestrutura, qualificação profissional, mobilidade urbana e segurança, além da integração de Salvador com outras regiões turísticas da Bahia para ampliar o tempo de permanência dos visitantes.
Para Rogério Ribeiro Pereira, a continuidade desse processo exige atuação conjunta entre poder público e iniciativa privada. “Acreditamos que o turismo sustentável passa pela união entre o poder público, a iniciativa privada e as entidades do setor. Salvador vive um momento extraordinário, mas precisamos transformar esse crescimento em uma política permanente de desenvolvimento, garantindo estabilidade para o mercado e benefícios para toda a população”, conclui.







