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Qantas Airways conclui teste para o voo mais longo do mundo: 19 horas entre França e Austrália

Aeronave percorreu cerca de 17 mil quilômetros sem escalas e integra o Projeto Sunrise, que prevê voos diretos entre Sydney e Londres a partir de 2027

Maurício Herschander
Maurício Herschander
Repórter - E-mail: mauricio@brasilturis.com.br

O primeiro teste intercontinental de longa distância do Airbus A350-1000ULR da Qantas Airways foi concluído com sucesso na sexta-feira (26), após uma viagem de mais de 19 horas entre Toulouse, na França, e Melbourne, na Austrália. O voo mais longo do mundo ocorreu de forma experimental e percorreu aproximadamente 17 mil quilômetros sem escalas, marcando a primeira chegada da aeronave ao território australiano.

Desenvolvido especialmente para o Projeto Sunrise, da Qantas, o modelo foi concebido para operar algumas das rotas comerciais mais longas do mundo. A expectativa da companhia é iniciar, em outubro de 2027, a ligação direta entre Sydney e Londres, com tempo de viagem que poderá chegar a 22 horas.

A aeronave deixou a fábrica da Airbus em Toulouse às 7h33 de quinta-feira, no horário local, e pousou em Melbourne às 10h46 de sexta-feira, também no horário local. A operação totalizou pouco mais de 19 horas de voo.

O teste despertou forte interesse entre entusiastas da aviação. De acordo com o Flightradar24, mais de 67 mil pessoas acompanharam o deslocamento em tempo real, o que transformou a operação no voo mais monitorado do mundo naquela sexta-feira e no segundo mais acompanhado da história da plataforma.

A aeronave foi operada por quatro pilotos de teste da Airbus e cinco engenheiros especializados. A equipe permanecerá em Melbourne durante o fim de semana e retornará a Toulouse na segunda-feira. Dois pilotos da Qantas também farão parte do voo de volta.

Segundo Alex Passerini, piloto-chefe técnico da companhia, a viagem de retorno deverá durar aproximadamente 23 horas. Durante o percurso, diferentes sistemas do avião serão avaliados, entre eles transferência de combustível, ar-condicionado e outros equipamentos de bordo.

“Todos vão ficar cansados”, afirmou Passerini à emissora australiana Channel Seven, acrescentando que a tripulação poderá fazer pausas regulares para descanso, seguindo protocolos definidos pela companhia.

Este é o primeiro exemplar do A350-1000ULR a participar do programa de testes. A aeronave realizou seu voo inaugural em 2 de junho, em uma operação de três horas e 43 minutos sobre a França e a costa atlântica do país, e desde então passa por diferentes avaliações técnicas.

O avião usado nos testes ainda não recebeu a pintura definitiva da Qantas. No lugar das tradicionais cores vermelha e branca da companhia, a fuselagem apresenta tonalidade bege, acompanhada da marca da empresa e de logotipos nas pontas das asas. A primeira unidade com a identidade visual oficial, batizada de Vega, permanece em montagem e tem entrega prevista para abril de 2027.

Projeto Sunrise

Além da futura conexão entre Sydney e Londres, a Qantas pretende utilizar o A350-1000ULR em voos sem escalas entre Sydney e Nova York. A estratégia é ligar diretamente a costa leste da Austrália a importantes centros financeiros internacionais, com redução do tempo total de viagem e eliminação de conexões ao longo do percurso.

As novas ligações fazem parte do Projeto Sunrise, iniciativa criada pela companhia australiana para viabilizar rotas de ultralonga distância. Para isso, a aérea encomendou versões adaptadas do Airbus A350-1000, denominadas A350-1000ULR, com modificações voltadas à ampliação da autonomia e ao conforto dos passageiros.

As aeronaves terão tanques adicionais de combustível e capacidade inferior à dos modelos convencionais. Em vez de mais de 300 passageiros, os aviões deverão transportar cerca de 238 pessoas, distribuídas entre primeira classe, executiva, econômica premium e econômica. A operação também contará com revezamento entre pilotos.

A configuração interna foi planejada para tornar mais confortável uma viagem que poderá ultrapassar 20 horas. Os passageiros terão espaços específicos para alongamentos e movimentação ao longo do voo.

A Qantas também realizou estudos com especialistas em medicina do sono, nutrição e fadiga para reduzir os efeitos do fuso horário e do longo período dentro da aeronave. Iluminação da cabine, horários das refeições e períodos de descanso foram definidos para auxiliar na adaptação dos viajantes ao destino.

Quando entrar em operação, a rota entre Sydney e Londres deverá se tornar a ligação comercial sem escalas mais longa do mundo. A duração estimada varia entre 18 e 20 horas, podendo alcançar até 22 horas, e colocará o Projeto Sunrise entre as principais iniciativas voltadas às viagens aéreas de ultralonga distância.

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