O Turismo em Minas Gerais voltou ao campo positivo em maio, após uma sequência de resultados desfavoráveis nos últimos meses. A atividade turística no estado cresceu 1,4% frente a abril, enquanto o desempenho nacional apresentou queda de 0,4%. Com isso, Minas ficou 1,8 ponto percentual acima da média brasileira na comparação mensal com ajuste sazonal, sinalizando melhora gradual na movimentação do setor. Os dados fazem parte de análise do Núcleo de Estudos Econômicos da Fecomércio MG, elaborada a partir da Pesquisa Mensal de Turismo (PMT), recorte da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), do Ibge.
Apesar da reação mensal, os resultados acumulados indicam que a recuperação ainda ocorre em ritmo moderado. Na comparação entre maio de 2026 e igual período de 2025, a atividade turística mineira caiu 2,8%, enquanto o Brasil apresentou retração de 1,6%. De janeiro a maio, Minas acumula recuo de 5,6%, diante da relativa estabilidade do cenário nacional, com -0,1%. Considerando os últimos 12 meses, a diferença aumenta: o estado registra queda de 6,6%, enquanto o indicador brasileiro avançou 1,7%.
Segundo a economista da Fecomércio MG, Fernanda Gonçalves, o desempenho recente mostra que o Turismo mineiro começa a reagir, mas ainda não recuperou plenamente o dinamismo observado em períodos anteriores. “O resultado do mês de maio demonstra que existe uma retomada em curso, impulsionada principalmente pelo turismo doméstico e pelo aumento do consumo voltado ao lazer. Entretanto, essa recuperação ainda é localizada e insuficiente para reverter as perdas acumuladas ao longo do último ano. Os indicadores mostram que o setor continua enfrentando desafios importantes para consolidar um ciclo sustentável de crescimento.”
O resultado positivo do mês teve como principais vetores as atividades de hospedagem, alimentação e serviços destinados às famílias. O comportamento desses segmentos acompanha o aumento das viagens de curta duração, do turismo regional e das despesas associadas ao lazer. Em contrapartida, áreas importantes para a cadeia turística continuam dificultando uma reação mais ampla da atividade. “Os setores de transporte e de serviços profissionais e administrativos continuam apresentando desempenho mais fraco, o que afeta a mobilidade turística e o turismo de negócios, e reduz a capacidade de expansão do setor como um todo. A recuperação existe, mas ocorre de maneira seletiva, concentrada em atividades mais ligadas ao consumo das famílias.”
A leitura acompanha os resultados apresentados pelo estudo, que identifica a continuidade da retração dessas atividades entre os principais obstáculos para uma recuperação mais robusta do turismo mineiro.
Outro ponto de atenção está na posição ocupada por Minas Gerais no panorama brasileiro. Entre as unidades da federação analisadas pelo Ibge, o estado apresentou o pior resultado no acumulado de 12 meses, com queda de 6,6%. Enquanto diferentes estados avançam acima da média brasileira, Minas ainda encontra obstáculos para recuperar o nível de atividade turística, cenário que evidencia a importância de estimular segmentos ligados à mobilidade, aos eventos corporativos e às viagens de negócios.
Para Fernanda Gonçalves, a evolução do turismo estará associada à melhora das condições econômicas e ao avanço dos investimentos destinados à atividade. “Minas Gerais reúne um dos maiores potenciais turísticos do país, com forte diversidade cultural, gastronômica e natural. A consolidação desse potencial passa pelo fortalecimento da infraestrutura, pela ampliação da oferta de serviços e pela recuperação dos segmentos que ainda permanecem retraídos. À medida que o ambiente econômico se torna mais favorável, o turismo tende a ganhar tração e ampliar sua contribuição para a economia mineira.”
Mesmo com os resultados negativos registrados nos indicadores de períodos mais longos, o crescimento observado em maio representa uma mudança relevante para a atividade turística. O comportamento do setor nos próximos meses deverá mostrar se a alta mensal constitui o começo de uma recuperação mais consistente ou permanece como uma oscilação pontual em um ambiente que ainda demanda cautela dos empresários ligados ao turismo.







