As primeiras operações com eVTOLs, popularmente chamados de “carros voadores”, estão previstas para começar em 2028 no Brasil. A Revo, operadora de helicópteros que realizou a primeira compra das aeronaves da Eve Air Mobility no país, trabalha com a perspectiva de lançar voos na Região Metropolitana de São Paulo e também para destinos do interior.
Parte das rotas hoje atendidas pelos helicópteros da empresa deverá ser incorporada à operação com os eVTOLs. Entre os trechos previstos estão viagens para o Aeroporto Internacional de Guarulhos, o residencial Quinta da Baroneza, em Bragança Paulista, e Alphaville, em Barueri.
Além dessas ligações regulares, a companhia pretende oferecer voos privados para Campos do Jordão. Outros destinos atualmente atendidos por helicópteros, como Fazenda Boa Vista, na região de Sorocaba, Angra dos Reis (RJ) e Paraty (RJ), não deverão entrar na operação com eVTOLs por causa da distância em relação ao ponto de partida em São Paulo. O litoral paulista também ficou fora dos planos iniciais.
As aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical desenvolvidas pela Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer, terão autonomia estimada em 100 quilômetros. O modelo foi projetado para transportar um piloto, quatro passageiros e até 500 litros de bagagem. Segundo a própria fabricante, a maior parte das rotas consideradas ideais para esse tipo de operação está concentrada em trajetos de 30 a 40 quilômetros.
Custos podem cair até 30%
“O ecossistema que estamos construindo agora vai muito além da operação convencional no setor de aviação. É uma preparação concreta para uma nova etapa da mobilidade aérea urbana no Brasil, em que trajetos curtos tendem a ganhar uma lógica operacional própria”, afirma João Welsh, CEO da Revo.
A Revo adquiriu 50 eVTOLs por US$ 250 milhões em agosto de 2025. A avaliação da empresa é de que as novas aeronaves não substituirão os helicópteros, mas funcionarão de forma complementar à frota atual, composta por modelos Airbus H155 e Airbus H135.
As projeções da companhia indicam que as operações com eVTOLs poderão reduzir entre 20% e 30% os custos para os clientes no médio e longo prazo, principalmente em trajetos urbanos e regionais de curta distância.
Para viabilizar a integração entre as duas modalidades, a Revo pretende utilizar a atual infraestrutura de helipontos e desenvolver novos vertipontos equipados com sistemas de recarga elétrica de alta potência. A previsão é de que uma recarga completa das baterias leve cerca de 15 minutos.
Pontos de partida ainda estão em estudo
A empresa ainda não definiu quais locais servirão como bases para as operações com eVTOLs. A região da Faria Lima concentra hoje parte significativa dos voos de helicópteros, mas estudos ainda estão em andamento para determinar os futuros pontos de decolagem. A localização das estruturas de recarga também segue em avaliação.
A Revo usa dados coletados na atual operação de helicópteros como referência para estruturar o novo modelo de mobilidade aérea. O plano Revo Urban Mobility, que oferece um pacote de 30 assentos anuais por US$ 13.650, é tratado pela companhia como uma etapa de aproximação com a aviação elétrica, ao oferecer maior previsibilidade de deslocamento para executivos que circulam por regiões como Faria Lima, Avenida Paulista e Aeroporto de Guarulhos.
Atualmente, a empresa permite reservas de assentos individuais, múltiplos ou da cabine completa em suas rotas regulares por meio do aplicativo. As passagens também podem ser adquiridas pelo serviço de concierge via e-mail ou WhatsApp.







