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UneCongresso reúne mais de 120 profissionais e debate protagonismo dos CVBs

Encontro da Unedestinos chega à décima edição em Florianópolis com debates sobre investimentos, sustentabilidade, hospedagem e desenvolvimento dos destinos

Maurício Herschander
Maurício Herschander
Repórter - E-mail: mauricio@brasilturis.com.br

Mais de 120 representantes de 45 organizações de Convention & Visitors Bureaus (CVBs) participaram do primeiro dia da 10ª edição do UneCongresso, promovido pela Unedestinos (União Nacional de CVBs e Entidades de Destinos), no Costão do Santinho, em Florianópolis (SC). Exclusivo para associados, o encontro começou nesta terça-feira (28) e segue nesta quarta-feira (29), com palestras, debates, troca de experiências, networking e compartilhamento de boas práticas. A programação busca aproximar os CVBs, estimular ações conjuntas entre os destinos brasileiros e discutir novos caminhos para a atuação das entidades no turismo nacional.

Na abertura, Rubens Augusto Régis, presidente do Destino Floripa & Região, celebrou o retorno do encontro à capital catarinense. “É uma grande alegria abrir as portas de Florianópolis para receber, mais uma vez, o UneCongresso. Depois de dez anos, esse retorno à cidade acontece em um momento simbólico para a Unedestinos, celebrando uma trajetória de união, fortalecimento dos Conventions e Visitors Bureaus e promoção dos destinos brasileiros. Que estes dias sejam de muito aprendizado, troca de experiências e construção de novas parcerias”.

Para Toni Sando, presidente da Unedestinos, a volta ao Costão do Santinho também simboliza os dez anos de evolução do UneCongresso e da atuação dos Convention & Visitors Bureaus pelo Brasil. “É uma grande satisfação retornar ao Costão do Santinho para a realização do nosso 10º UneCongresso. Foi aqui que realizamos a primeira edição deste encontro e, dez edições depois, voltamos ao mesmo local, celebrando uma trajetória de crescimento, fortalecimento e união dos Convention & Visitors Bureaus de todo o Brasil. Retornar ao ponto de partida tem um significado muito especial. É uma oportunidade de reconhecer nossa história, valorizar tudo o que construímos juntos e renovar nosso compromisso com o futuro. Também quero destacar o Costão do Santinho, um resort que sempre nos recebe com excelência. Além de uma infraestrutura extraordinária, conta com uma equipe fantástica, preparada para proporcionar a todos nós uma experiência memorável”, completou.

Na sequência, o painel “O Novo Protagonismo dos CVBs” contou com Giorgio Souza, do Joinville CVB; Suemy Vasconcelos, do Visite Ceará; e Luis Felipe Campos Almeida, do Visite Campinas, sob mediação do consultor técnico da Unedestinos, Aristides De La Plata Cury. A conversa tratou das mudanças no papel dos Convention & Visitors Bureaus, hoje mais presentes na promoção dos destinos, na articulação com diferentes setores e na busca por resultados para o turismo. Suemy apontou que os CVBs conseguem executar iniciativas que nem sempre avançam com a mesma velocidade no poder público, além de contribuírem para reduzir entraves, estimular o associativismo e apoiar o desenvolvimento dos destinos. Luis Felipe apresentou o caso de Campinas, onde diferentes associações se uniram para estruturar uma visão de longo prazo e planejar o turismo da cidade para os próximos 20 anos.

O Pitch Estratégico “Sustentabilidade que Gera Competitividade” ficou a cargo de Helio Brito Jr., fundador da ESG Pulse, e Tatiana Pacheco, CEO da ESG Pulse. A apresentação abordou o ESG como elemento de competitividade para organizações de Convention & Visitors Bureaus e discutiu de que maneira práticas sustentáveis podem diferenciar as entidades, qualificar sua atuação e elevar sua relevância dentro do mercado turístico.

O painel “Competitividade e Desenvolvimento dos Destinos: Como os CVBs podem atuar na atração de investimentos?”, mediado por Andrezza Negrini, do Visite BC e Região, teve Elaine Tenerello, do Visit Iguassu; Brenda Silveira, do Porto de Galinhas CVB; Kalliny Gomes, do Natal CVB; e Fábio Zelenski, do Visite São Paulo. O grupo discutiu alternativas para estimular o desenvolvimento dos destinos por meio da articulação entre iniciativa privada e poder público, além da capacidade dos Convention & Visitors Bureaus de favorecer novos investimentos, negócios e melhores condições competitivas para os territórios onde atuam.

Durante o debate, Brenda Silveira informou que mais de 80% dos recursos do Porto de Galinhas CVB têm origem na iniciativa privada e lembrou que diversos empreendimentos hoje reconhecidos como grandes resorts nasceram como pequenas pousadas que aplicaram recursos próprios no desenvolvimento do destino. Elaine Tenerello apontou que, em diferentes situações, a iniciativa privada assume os primeiros movimentos, apresenta resultados e cria condições para envolver o poder público. Segundo ela, esse trabalho está apoiado em quatro eixos estratégicos: promoção e marketing, infraestrutura, qualificação profissional, inovação e tecnologia.

Kalliny Gomes compartilhou a experiência do Natal CVB e observou que fundações encontram maior facilidade para acessar recursos públicos em razão do interesse coletivo de suas atividades. Para os Convention & Visitors Bureaus, segundo ela, um dos principais desafios está em estabelecer um círculo virtuoso que gere negócios, dê maior visibilidade aos destinos e atraia investimentos com efeitos sobre toda a cadeia turística. Fábio Zelenski, por sua vez, destacou que a atuação dos CVBs precisa considerar o destino em sua totalidade, em vez de se limitar a contrapartidas individuais aos associados. Para ele, as empresas devem colaborar entre si e compreender que os ganhos decorrentes do desenvolvimento do destino alcançam diferentes segmentos do turismo.

Hotelaria e short term rental discutem integração

Outro momento da agenda foi o painel “Destinos Competitivos: Integração, Diversidade e Inovação”, com Ammar Aziz, do Airbnb; Jurema Monteiro, do Comitê Travel Tech/Câmara-e.net; e Rubens Régis, do Destino Floripa, sob mediação de Toni Sando, presidente da Unedestinos. A discussão analisou como hotelaria, locação por temporada e plataformas digitais podem atuar de maneira integrada para diversificar a oferta, melhorar a experiência dos visitantes e beneficiar a cadeia turística. O encontro também colocou os Convention & Visitors Bureaus no centro da interlocução entre os diferentes participantes desse mercado.

Rubens Régis afirmou que inovações disruptivas costumam provocar discussões e comparou a expansão das plataformas de locação por temporada a mudanças anteriormente vividas pelo turismo e pela economia, entre elas o avanço dos cruzeiros marítimos e dos aplicativos de transporte. De acordo com ele, Florianópolis possui atualmente cerca de 12 mil quartos de hotel e 31 mil imóveis anunciados em plataformas de locação, parte deles oriunda da formalização de propriedades que antes permaneciam na informalidade. Na avaliação do presidente do Destino Floripa, o desafio passa pela busca de isonomia regulatória entre os diferentes meios de hospedagem, sobretudo diante da reforma tributária, de forma a manter condições competitivas e sustentáveis para o setor.

Jurema Monteiro observou que a tecnologia alterou o comportamento dos viajantes e multiplicou as alternativas disponíveis no momento da escolha da hospedagem. Ela ressaltou ainda que a reputação dos empreendimentos passou a ser construída diretamente pelos consumidores nas plataformas digitais e que os destinos precisam estar preparados para receber públicos com diferentes necessidades. Dentro desse cenário, a locação por temporada aparece como uma modalidade complementar à hotelaria convencional e contribui para diversificar a oferta existente nos destinos.

Ammar Aziz também apresentou o Airbnb como uma alternativa complementar à hotelaria e citou os efeitos econômicos da locação por temporada nos destinos. Segundo ele, estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) indica que, a cada R$ 100 destinados à hospedagem pela plataforma, outros R$ 500 circulam na economia local e alcançam diferentes atividades. O executivo lembrou ainda que o turismo brasileiro possui forte presença do mercado doméstico, cenário que demonstra o peso das viagens nacionais e a necessidade de disponibilizar diferentes modalidades de hospedagem compatíveis com os hábitos dos brasileiros.

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