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Demanda global por viagens aéreas recua 1,7% em junho, aponta Iata

Tráfego internacional cai 0,9%, enquanto mercado doméstico registra retração de 3%; Brasil cresce 0,9% no período

Maurício Herschander
Maurício Herschander
Repórter - E-mail: mauricio@brasilturis.com.br

A demanda global por viagens aéreas registrou queda de 1,7% em junho de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano passado, segundo dados divulgados pela Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata). Sem considerar o Oriente Médio, a retração foi de 0,6%. A capacidade total, medida em assentos-quilômetros disponíveis (ASK), diminuiu 1,3% na comparação anual, enquanto a taxa de ocupação ficou em 84,2%, recuo de 0,4 ponto percentual ante junho de 2025.

Nos mercados internacionais, a demanda caiu 0,9% em relação a junho do ano passado. Quando o Oriente Médio é excluído do cálculo, porém, o tráfego internacional apresentou crescimento de 1,1%. A capacidade internacional teve redução de 0,6%, enquanto a taxa de ocupação alcançou 84,2%, 0,2 ponto percentual abaixo do resultado registrado um ano antes.

Já o mercado doméstico apresentou retração mais acentuada. A demanda diminuiu 3% na comparação anual, acompanhada por uma redução de 2,4% na capacidade. A taxa de ocupação dos voos domésticos chegou a 84%, queda de 0,5 ponto percentual frente a junho de 2025.

“A demanda global por viagens aéreas caiu 1,7% em junho em comparação com 2025. Isso se deve, em grande parte, às quedas nos mercados domésticos da China, dos Estados Unidos e do Japão, além da demanda internacional fraca, embora em recuperação, das companhias aéreas do Oriente Médio. Embora o desempenho do Oriente Médio tenha melhorado, as novas tensões não ajudarão na recuperação da região, e o impacto do aumento dos preços dos combustíveis continuará onerando os viajantes com tarifas aéreas mais altas.

As pessoas continuam viajando, o que representa uma contribuição importante para o crescimento econômico global. Não há dúvida, porém, de que estabilizar a situação no Oriente Médio e normalizar o fornecimento de petróleo melhoraria as perspectivas para as companhias aéreas, as economias e as sociedades em todo o mundo”, afirmou Willie Walsh, diretor-geral da Iata.

Mercado global de passageiros

Na análise do mercado total de viagens aéreas, a África apresentou crescimento de 3,8% na demanda em junho, acompanhado por avanço de 4,7% na capacidade. A taxa de ocupação ficou em 73,9%, com redução de 0,6 ponto percentual. A região representa 2,2% dos RPKs globais da indústria.

A Ásia-Pacífico, responsável por 34,4% do mercado, teve retração de 2% na demanda e de 2,1% na capacidade. A taxa de ocupação chegou a 83,1%, alta de 0,1 ponto percentual na comparação com junho de 2025.

Na Europa, a demanda cresceu 0,8%, enquanto a capacidade aumentou 1,4%. A taxa de ocupação ficou em 87,5%, queda de 0,5 ponto percentual. A região responde por 26,7% dos RPKs da indústria.

América Latina e Caribe registraram avanço de 1,5% na demanda total e crescimento de 3,9% na capacidade. Com a oferta avançando acima do tráfego, a taxa de ocupação caiu dois pontos percentuais, para 81,2%. A região representa 5,4% do mercado global.

O Oriente Médio apresentou o resultado mais negativo entre as regiões, com queda de 13,9% na demanda e redução de 11,3% na capacidade. A taxa de ocupação recuou 2,3 pontos percentuais, para 76,1%. Já a América do Norte teve retração de 1,1% tanto na demanda quanto na capacidade, mantendo a ocupação estável em 86,1%.

Mercado internacional

Considerando somente os voos internacionais, os RPKs diminuíram 0,9% em junho, enquanto a capacidade teve queda de 0,6%. Sem o Oriente Médio, entretanto, o tráfego internacional cresceu 1,1% frente ao mesmo período de 2025.

As companhias da Ásia-Pacífico registraram aumento de 0,4% na demanda internacional. A capacidade caiu 1,1%, enquanto a taxa de ocupação subiu 1,3 ponto percentual, para 84%. Segundo a Iata, o menor ritmo de crescimento decorreu da redução de rotas de curta distância por algumas empresas diante dos preços mais altos dos combustíveis. Nas ligações internacionais dentro da Ásia, a capacidade recuou 4,8%.

As aéreas europeias tiveram crescimento de 1,5% na demanda e de 2% na capacidade, com taxa de ocupação de 87,1%, queda de 0,5 ponto percentual. O corredor entre Europa e Ásia avançou 11%, o maior crescimento entre as principais rotas internacionais analisadas.

Na América do Norte, as companhias registraram redução de 1% na demanda internacional e de 0,7% na capacidade. A taxa de ocupação ficou em 86,9%, 0,3 ponto percentual abaixo do nível observado em junho de 2025.

As empresas do Oriente Médio tiveram queda de 14% na demanda e de 11% na capacidade, com taxa de ocupação de 76,3%, retração de 2,6 pontos percentuais. Os impactos da guerra no Irã continuam pressionando a comparação anual, embora o ritmo de queda tenha sido reduzido pela metade, mês a mês, desde abril. O movimento reflete a normalização gradual das operações aéreas na região e uma base de comparação menor, já que junho de 2025 também foi afetado por ataques militares.

Na América Latina, a demanda internacional por viagens aéreas avançou 3,5%, enquanto a capacidade cresceu 6,3%. A taxa de ocupação atingiu 81,6%, queda de 2,2 pontos percentuais. As companhias africanas, por sua vez, tiveram alta de 6,7% na demanda e de 7% na oferta, com ocupação de 74,2%, recuo de 0,3 ponto percentual.

Mercado doméstico

A demanda doméstica global caiu 3% em junho de 2026 frente ao mesmo mês do ano anterior. O Brasil foi uma das exceções entre os principais mercados analisados, com crescimento de 0,9%, enquanto a Austrália permaneceu estável. Os demais países avaliados apresentaram retração.

A China registrou a maior queda, de 5,2%, acompanhada por redução de 3,4% na capacidade e taxa de ocupação de 82,2%, 1,6 ponto percentual menor. O Japão teve retração de 3,8% na demanda e de 1,9% na oferta, enquanto a ocupação caiu 1,5 ponto percentual, para 75,8%. A Iata aponta os preços mais elevados dos combustíveis como provável fator para o desempenho desses mercados.

Nos Estados Unidos, a demanda doméstica recuou 1,2%, com redução de 1,3% na capacidade e ocupação de 85,5%, leve alta de 0,1 ponto percentual. A Índia registrou queda de 0,5% na demanda e de 1,7% na capacidade, enquanto a taxa de ocupação avançou um ponto percentual, também para 85,5%.

O mercado brasileiro teve crescimento de 0,9% na demanda doméstica, mas a capacidade avançou em ritmo superior, com alta de 4%. Como resultado, a taxa de ocupação caiu 2,5 pontos percentuais, para 80,2%, a maior redução entre os principais mercados domésticos acompanhados pela Iata em junho.

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