Mesmo diante de um cenário de custos elevados, especialmente relacionados ao combustível, a Latam mantém sua estratégia de expansão no mercado brasileiro. A afirmação foi feita por Jerome Cadier, CEO da Latam Brasil, durante a apresentação dos resultados do segundo trimestre de 2026, quando destacou que a companhia segue investindo em diferentes frentes para fortalecer sua operação no País.
Segundo o executivo, a estratégia vai além da ampliação da malha aérea e envolve melhorias na experiência do cliente, renovação da frota, desenvolvimento de soluções digitais e formação de profissionais para atender ao crescimento da companhia.
“Apesar do ambiente mais complexo e desafiador de combustível, a gente continua investindo no Brasil”, afirmou.
Cadier detalhou que uma das principais frentes está voltada à experiência do passageiro. Entre as iniciativas estão a renovação das cabines, a instalação de Wi-Fi nos voos internacionais, o desenvolvimento de uma nova classe Premium Comfort entre a cabine Business e a Econômica, além da modernização dos lounges.
O executivo também destacou investimentos em canais digitais, inteligência artificial e no programa Latam Pass, iniciativas que, segundo ele, contribuíram para elevar em 33 pontos o Net Promoter Score (NPS) desde a pandemia.
Na área de cargas, a empresa reduziu em 30% o tempo de entrega do e-commerce neste ano e elevou o NPS em 50 pontos nos últimos três anos, alcançando índice de 67.
Expansão da malha e renovação da frota
Cadier lembrou que a Latam inaugurou recentemente voos para Bruxelas, Amsterdã, Punta Cana, Ushuaia e Cidade do Cabo, chegando a 31 destinos internacionais conectados diretamente ao Brasil.
Na frota, o grupo receberá mais de 40 aeronaves em 2026, encerrando o ano com aproximadamente 410 aviões. Apenas no primeiro semestre, foram entregues 13 aeronaves ao Grupo Latam, sendo nove destinadas à operação brasileira.
Segundo o CEO, além do aumento de capacidade, os novos equipamentos proporcionam maior eficiência operacional, menor consumo de combustível e redução das emissões.
Companhia amplia contratação e formação de profissionais
Os investimentos também contemplam a área de recursos humanos. A Escola Latam de Mecânicos reúne atualmente 200 alunos e deve receber mais 180 até o fim do ano. De acordo com Cadier, cerca de 90% dos formandos já foram contratados pela companhia.
O executivo destacou ainda que 40% dos participantes são mulheres, movimento que amplia a diversidade em uma profissão historicamente masculina.
Somente no primeiro semestre de 2026, a Latam Brasil contratou aproximadamente três mil colaboradores, entre eles 240 pilotos, 600 comissários de bordo e profissionais das áreas de manutenção, aeroportos e administração.
Brasil ainda pode crescer muito mais, avalia CEO
Apesar dos recordes recentes da aviação brasileira, Cadier defendeu que o País precisa adotar uma estratégia de longo prazo para ampliar significativamente o mercado.
“O Brasil bateu recorde de passageiros em 2025. Que bom. Deve ter um número bom em 2026 também. Mas, se olharmos os últimos 10 ou 12 anos, ainda estamos em níveis parecidos com os do começo da década de 2010”, explicou.
Segundo ele, o Brasil registra cerca de 0,5 viagem aérea por habitante ao ano, índice inferior ao do Chile e muito distante dos mercados europeu e norte-americano.
Para o executivo, dobrar o mercado brasileiro na próxima década depende de medidas estruturais.
“A gente precisa ter um apetite muito maior de crescimento”, frisou Cadier.
Entre os pontos destacados estão estabilidade regulatória, revisão da carga tributária incidente sobre a aviação, redução da litigância judicial, diminuição dos custos de combustível, aeroportos e navegação aérea, além de políticas permanentes de promoção internacional do Brasil.

