Deserto do Atacama floresce após chuvas associadas ao El Niño

Floração deve atingir cerca de 15 mil hectares em outubro, segundo a Conaf; fenômeno ocorre após chuvas de inverno que superaram 180 milímetros em alguns pontos

Matheus Alves
Matheus Alves
Repórter - E-mail: matheus@brasilturis.com.br

O deserto do Atacama, no norte do Chile, registra uma nova floração após as chuvas de inverno associadas ao fenômeno El Niño. Conhecido como “deserto florido”, o evento ocorre quando a precipitação ativa sementes e bulbos que permanecem sob o solo durante o ano.

Segundo a Corporação Nacional Florestal do Chile (Conaf), cerca de 200 espécies de plantas podem participar do fenômeno. Entre elas estão os suspiros brancos e as patas de guanaco, que formam áreas de coloração violeta em diferentes pontos do deserto.

As chuvas deste inverno austral ultrapassaram 180 milímetros em alguns locais da região. “Volumes muito altos que nunca tinham sido registrados”, explica César Pizarro, chefe da seção de conservação da biodiversidade da Conaf no Atacama.

Segundo Pizarro, a água penetrou mais profundamente na areia e ativou a vegetação do parque natural, localizado a cerca de 800 quilômetros ao norte de Santiago.

A Conaf estima que a floração alcance seu pico em outubro, quando deverá ocupar aproximadamente 15 mil hectares. A extensão é considerada pela entidade uma das maiores registradas na história do fenômeno.

Efeitos do El Niño

“ O fenômeno El Niño deste ano, embora haja uma grande preocupação (…) dos impactos que está provocando em muitos lugares, também gera vida ou ativa a vida”, diz Pizarro.

O fenômeno climático está associado a uma variação natural que ocorre a cada dois a sete anos e eleva as temperaturas da superfície do Pacífico equatorial central e leste, provocando alterações nos padrões globais de ventos e chuvas.

No norte do Chile, a atuação do fenômeno esteve associada a chuvas torrenciais entre 16 e 22 de julho. Segundo as autoridades, o temporal deixou 13 mortos e cerca de 4 mil moradias destruídas ou com danos graves.

A ocorrência da floração está relacionada às sementes e aos bulbos de diferentes espécies que permanecem no solo durante o período seco e germinam quando encontram condições de umidade.

Ecossistema

O fenômeno envolve não apenas a vegetação. Segundo Pizarro Gacitúa, o deserto florido é “mais que flores”, pois a ocorrência das plantas também depende da presença de insetos, caracóis, aves, répteis e mamíferos.

As abelhas participam da polinização das plantas. Os besouros, por sua vez, alimentam-se de restos vegetais e contribuem para a fertilização do solo por meio de seus excrementos, ricos em nitrogênio e fósforo.

Com a chegada de turistas para observar a floração, Pizarro recomenda que os visitantes não caminhem sobre as plantas, utilizem as rotas estabelecidas e não levem animais para a região. A preocupação é evitar danos à vegetação e a transmissão de doenças à fauna local.

“Para nosso país, o deserto florido é um orgulho, é parte do nosso patrimônio”, diz Pizarro. “Embora haja vários desertos que florescem quando chove, o alcance territorial e a diversidade de espécies que existem aqui são únicas”.

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