São Paulo (SP) – O Uruguai projeta encerrar 2026 com crescimento de 7% no número de turistas brasileiros e prepara uma temporada 2026/2027 marcada pelo aumento da conectividade e pela diversificação de sua oferta turística. O Brasil, segundo principal mercado emissor do país, enviou cerca de 490 mil viajantes ao destino em 2025. As perspectivas foram apresentadas por Serrana Díaz, representante do Ministério de Turismo do Uruguai, em entrevista ao Brasilturis nesta sexta-feira (2), durante a 53ª Abav Expo, no Expo Center Norte, em São Paulo.
No primeiro semestre deste ano, as chegadas de brasileiros cresceram mais de 4%, enquanto os gastos desse público avançaram 8,1%, para US$ 170 milhões. Para a próxima temporada, a expectativa também é de alta de 7% ante o período anterior, com um fluxo em janeiro de 2027 potencialmente 24% superior ao registrado no mesmo mês de 2026.
A conectividade aparece como um dos pilares desse avanço. A partir de 14 de dezembro, a Azul retomará os voos diretos entre Porto Alegre e Montevidéu, com duas frequências semanais. A Gol, por sua vez, terá dez operações diretas por semana entre Guarulhos e a capital uruguaia. Serrana destaca a importância do Rio Grande do Sul, responsável por aproximadamente metade dos brasileiros que visitam o país. “O Brasil é nosso segundo principal mercado, e metade dos brasileiros que vêm é do Rio Grande do Sul”, afirmou.
O país também busca transformar o crescimento do mercado brasileiro em maior distribuição territorial dos visitantes. Montevidéu, Punta del Este e Colônia do Sacramento permanecem como os três destinos de maior projeção, mas o Ministério de Turismo trabalha para levar os viajantes a outras regiões. No norte, a oferta inclui experiências ligadas à extração de ágatas e ametistas, a Rota do Ouro e vinícolas instaladas em áreas de solos basálticos.
O enoturismo também ocupa posição central nessa estratégia. Serrana avalia que as vinícolas uruguaias passaram por um processo de profissionalização nos últimos anos, com experiências que hoje ultrapassam as tradicionais degustações. A oferta passou a incluir hospedagem, gastronomia e outras atividades dentro das propriedades. O governo acrescentou ainda um benefício fiscal para turistas não residentes, com redução de até 9% do IVA em visitas, degustações e consumo gastronômico nas vinícolas turísticas registradas.
“Há dez anos, você ia somente consumir vinho na vinícola. Agora a oferta está mais profissionalizada”, disse Serrana. Segundo ela, as sete regiões vitivinícolas do Uruguai permitem apresentar produtos distintos aos brasileiros, desde a costa e os arredores de Montevidéu até propriedades localizadas no norte do país.
A promoção turística também explora manifestações culturais menos conhecidas do público brasileiro. Entre elas está o candombe, expressão de origem afro-uruguaia fortemente associada ao Carnaval de Montevidéu, além da murga, gênero com influência espanhola e tradição de sátira social. Para Serrana, essas manifestações ajudam a apresentar um Uruguai que ultrapassa a imagem ligada às praias, ao vinho e ao tradicional assado.
A representante vê espaço para que o mercado brasileiro ganhe ainda mais participação no turismo uruguaio. Enquanto aproximadamente 500 mil brasileiros visitam o país por ano, a Argentina envia cerca de 1,7 milhão de turistas. “Dá para crescer, dá para sonhar”, resumiu Serrana. Para um país de cerca de 3,5 milhões de habitantes, a entrada de visitantes internacionais ocupa papel relevante na atividade econômica e na estratégia de promoção dos destinos.







