São Miguel do Gostoso mira mercado nacional para reduzir sazonalidade durante a semana

Destino potiguar busca maior presença nas operadoras, prepara retorno do Réveillon e trabalha para atrair argentinos e pequenos eventos corporativos

Maurício Herschander
Maurício Herschander
Repórter - E-mail: mauricio@brasilturis.com.br

São Paulo (SP) – São Miguel do Gostoso (RN) aproveita a 53ª Abav Expo para estreitar relações com agências e operadoras nacionais e reduzir uma das principais lacunas de sua atividade turística: a ocupação hoteleira durante os dias úteis. O destino apresenta bons índices aos fins de semana e já possui demanda internacional ligada aos esportes de vento, mas busca aumentar a presença do mercado brasileiro de lazer entre segunda e quinta-feira. A estratégia foi detalhada ao Brasilturis nesta sexta-feira (2) por Henrique da Costa, da Secretaria de Turismo de São Miguel do Gostoso, e Sebah Campos e Raphael Claro, do Visit Gostoso.

Com aproximadamente 15 mil habitantes, o município possui uma oferta de hospedagem que vai de pousadas a empreendimentos de luxo. Uma iniciativa do Visit Gostoso já inseriu cerca de 150 unidades habitacionais, distribuídas por aproximadamente 12 pousadas, em sistemas de distribuição hoteleira. “Temos uma oferta bastante ampla de hotelaria”, afirmou Costa. Segundo ele, as diárias podem partir da faixa de R$ 250 a R$ 300 e alcançar aproximadamente R$ 3 mil nos produtos de maior padrão.

A temporada de maior movimento já começou. Favorecido pela posição geográfica, São Miguel do Gostoso está inserido em uma região que chega a registrar dez meses de vento ao ano. Os primeiros praticantes de esportes como kitesurf e windfoil começam a chegar em agosto, enquanto outubro e novembro concentram o ápice da presença de europeus, sobretudo franceses, alemães e italianos. A partir de dezembro, o fluxo passa a contar também com maior participação do turista brasileiro tradicional.

O destino também mira o mercado argentino. A estratégia ganhou espaço após ações realizadas na FIT, em Buenos Aires, diante da conectividade aérea entre a Argentina e o Rio Grande do Norte. Segundo os entrevistados, a intenção é capturar parte de um público estrangeiro que ainda se concentra principalmente em Natal e Pipa. Já surgem, inclusive, roteiros conjugados que combinam quatro dias em Natal e três em Gostoso, ou São Miguel com Galinhos.

Outra iniciativa para o próximo verão será o retorno de um Réveillon estruturado após uma pausa de três anos. Batizado de “Aqui se Faz Gostoso – O Réveillon”, o evento terá capacidade para até mil pessoas e uma proposta direcionada principalmente ao público acima dos 30 anos, com famílias e praticantes de esportes náuticos entre os perfis prioritários. A programação terá bandas, samba, pagode, DJs e formato open bar, além de parcerias com pousadas, restaurantes e beach clubs locais.

A intenção, segundo Campos e Claro, é evitar um modelo de festival desconectado do restante do município. “É um Réveillon de experiência”, resumiram. A proposta prevê que o visitante também conheça a gastronomia, as praias e os estabelecimentos locais durante sua permanência. “A pessoa tem interesse de ir para o destino que vai ter um Réveillon legal, e não ir para um Réveillon em um destino perdido”, explicaram.

O mercado corporativo aparece como uma frente complementar. A hotelaria local possui média de aproximadamente 15 apartamentos por estabelecimento, característica que limita a realização de encontros de grande porte. O Visit Gostoso, porém, iniciou conversas para estruturar um Convention Bureau e captar eventos menores, direcionados, por exemplo, a diretorias e grupos de até 25 pessoas. “A gente pretende entrar nesse mercado, mas entende que temos uma limitação no destino e que esse não é o grande objetivo”, explicou Costa.

Os casamentos constituem outra vertente de eventos com espaço no município. Segundo os representantes do destino, diversos empreendimentos passaram a se especializar nesse segmento. O Hotel Nanii, citado durante a entrevista, contabilizou mais de 50 casamentos agendados neste ano, enquanto outros estabelecimentos também recebem cerimônias à beira-mar. A demanda inclui tanto clientes regionais quanto casais de outros estados.

Para quem visita São Miguel do Gostoso a lazer, os entrevistados consideram cinco dias um período adequado para conhecer o município e seus arredores. Além das praias e dos esportes de vento, o roteiro pode incluir a nascente do Rio Catolé, os parrachos de Perobas e Maracajaú, passeios de UTV, quadriciclo e buggy e a oferta gastronômica distribuída por áreas como a Rua da Xêpa, Avenida dos Arrecifes e Vila Cavalo Marinho. “Cinco dias é um excelente número para aproveitar as experiências que São Miguel do Gostoso traz e os seus entornos”, concluiu Costa.

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