Amplo portfólio; amplas possibilidades

Felipe Lima
Felipe Lima
Chefe de Redação - E-mail: felipe@brasilturis.com.br

A indústria de cruzeiros segue em expansão no Brasil e no mundo, impulsionada por novos produtos, investimentos em experiências diferenciadas e pela crescente busca dos consumidores por viagens que combinem conveniência, entretenimento e múltiplos destinos em um único roteiro. Para Ricardo Amaral, CEO da R11 Travel, o momento é de amadurecimento do mercado e de ampliação das oportunidades para agentes de viagens e companhias marítimas.

Com mais de três décadas de atuação no setor, Amaral acompanhou diferentes fases da indústria. Hoje, ele avalia que a evolução do mercado levou a companhia a ampliar seu portfólio sem perder o foco na especialização. Além da Royal Caribbean, a R11 passou a atuar em nichos como cruzeiros fluviais, expedições e produtos voltados ao segmento premium e de luxo.

“Hoje podemos trabalhar com diversas marcas, mas escolhemos aquelas que fazem sentido dentro de uma estratégia de complementaridade. O objetivo é oferecer ao agente de viagens opções que atendam diferentes perfis de clientes sem perder a profundidade de conhecimento sobre cada produto”, afirma Amaral.

A estratégia contribuiu para consolidar a empresa como uma das principais distribuidoras de cruzeiros internacionais no mercado brasileiro. De acordo com o executivo, milhares de passageiros embarcam anualmente para roteiros no Caribe, Europa, Alasca e outros destinos por meio das marcas representadas pela R11.

Apesar da posição de destaque, Amaral ressalta que o foco da companhia não está em liderança de mercado baseada apenas em volume de passageiros. “O nosso objetivo nunca foi ser o maior. Queremos ser o melhor parceiro para o agente de viagens. Investimos continuamente em treinamento, tecnologia e suporte porque entendemos que o crescimento é consequência desse trabalho”, destaca.

Nesse contexto, a capacitação do trade permanece como um dos pilares da empresa. A R11 mantém uma estrutura dedicada a treinamentos presenciais e online, além de ferramentas tecnológicas voltadas ao atendimento das agências de viagens em todo o País.

Para Amaral, os agentes continuam desempenhando papel fundamental na jornada do consumidor, especialmente nos roteiros internacionais. “O agente tem uma visão completa da viagem. Ele cuida da parte aérea, da hospedagem, dos traslados e de toda a experiência do cliente antes e depois do cruzeiro. Esse conhecimento faz muita diferença na hora de construir uma viagem personalizada”, explica.

Entre os temas que movimentam o setor atualmente está a chegada da Corazul à temporada brasileira. A companhia deve operar no País entre novembro e março, ampliando a oferta de produtos para os consumidores.

Na avaliação do executivo, a entrada da nova marca representa um movimento positivo para toda a indústria. “A chegada da Corazul fortalece o mercado e amplia as opções disponíveis para os viajantes. Quanto mais alternativas qualificadas existirem, maior tende a ser o interesse do consumidor pelo segmento”, afirma.

Além do crescimento da oferta, Amaral destaca mudanças importantes no comportamento dos passageiros. Uma delas é a valorização cada vez maior do próprio navio como parte central da experiência. “O navio deixou de ser apenas um meio de transporte. Hoje ele é, muitas vezes, o destino da viagem”, observa.

Segundo ele, os investimentos das companhias em entretenimento, gastronomia, hospedagem e destinos privativos contribuíram para essa transformação. Áreas exclusivas desenvolvidas por armadoras, como praias e resorts próprios, passaram a complementar a experiência oferecida a bordo, garantindo padrões de serviço semelhantes aos encontrados nos navios.

Outra tendência apontada pelo executivo é o crescimento do segmento de luxo. Novas marcas e grandes grupos internacionais têm investido em embarcações menores, com foco em personalização, exclusividade e experiências diferenciadas.

Amaral, no entanto, pondera que o conceito de luxo vai além do valor da viagem. “Luxo não é apenas preço. Para algumas pessoas, luxo significa exclusividade; para outras, é poder viajar com a família ou viver uma experiência única. O mais importante é entender o que cada cliente busca”, analisa.

O executivo também acredita que o setor continuará se beneficiando da versatilidade dos cruzeiros, capazes de atender públicos de diferentes idades e perfis de consumo. “Durante muito tempo existiu a ideia de que cruzeiro era uma viagem para pessoas mais velhas. Hoje isso não faz mais sentido. É um produto multigeracional, que atende famílias, casais, grupos de amigos e viajantes com interesses muito diversos”, afirma.

Com novas marcas chegando ao mercado, investimentos constantes em inovação e uma demanda crescente por experiências diferenciadas, Amaral vê um cenário promissor para os próximos anos. “Eu só vejo essa indústria crescendo. Os cruzeiros oferecem conveniência, excelente custo-benefício e experiências cada vez mais completas. Ainda existe muito espaço para desenvolvimento e para a entrada de novos consumidores”, conclui.

 

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