São Paulo (SP) – Se filmes e séries já influenciam a escolha de destinos, os videogames começam a ocupar espaço semelhante nessa relação entre entretenimento e turismo. Com mundos virtuais cada vez mais detalhados e ambientados em cidades e regiões reais, os jogos podem despertar no público o interesse de conhecer pessoalmente lugares que antes existiam apenas na tela.
O potencial dos games foi destacado por Renato Gonçalves, responsável pelo desenvolvimento de negócios da Universal, durante o Universal and U, evento que reuniu cerca de mil agentes de viagens em São Paulo, nesta quarta-feira (12). Segundo o executivo, a indústria movimentou bilhões em 2025. “Os games têm uma força que às vezes a gente não observa. Em 2025, a indústria dos games faturou 200 bilhões de dólares. Sabe quanto a indústria do cinema faturou ano passado? 35 bilhões. Sabe quanto a indústria da música faturou ano passado? 30 bilhões”, afirmou.
Um dos exemplos que podem ganhar força no turismo é Grand Theft Auto VI (GTA 6). O jogo se passa em Vice City, versão fictícia de Miami, e apresenta referências visuais a locais e elementos reconhecíveis da Flórida. A reprodução de ambientes reais pode funcionar como uma espécie de vitrine para o destino, especialmente entre jogadores que já possuem familiaridade com a cidade por meio do game.
A lógica já aparece em outros títulos. Assassin’s Creed, por exemplo, utiliza cidades e períodos históricos reais em diferentes capítulos da franquia, enquanto Ghost of Tsushima leva o jogador para a ilha japonesa de Tsushima. A relação pode ultrapassar a ficção: há relatos de jogadores que viajaram à ilha depois de conhecerem o destino pelo game, e a cidade de Tsushima chegou a estabelecer ações de promoção turística relacionadas ao título.
Universal transforma games em experiência
A Universal já trabalha diretamente com essa conexão entre games e turismo. No Epic Universe, em Orlando, o Super Nintendo World transforma os universos de Super Mario e Donkey Kong em experiências físicas, com atrações como Mario Kart: Bowser’s Challenge, Yoshi’s Adventure e Mine-Cart Madness, além de encontros com personagens.
A lógica também se estende a outras propriedades da Universal. Harry Potter, por exemplo, conecta literatura, cinema e experiências físicas; enquanto Shrek, Jurassic Park e Como Treinar o Seu Dragão transformam personagens e histórias conhecidas em ambientes que podem ser explorados pelos visitantes.

