Yalla para Marrocos!

Uma viagem por Casablanca, Tânger, Chefchaouen e Marraquexe mostra que o verdadeiro encanto marroquino está na diversidade de paisagens, culturas e experiências que convivem em um mesmo destino

Felipe Lima
Felipe Lima
Chefe de Redação - E-mail: felipe@brasilturis.com.br

Entre o Atlântico e o Mediterrâneo, a poucos quilômetros da Europa, o reino marroquino é um daqueles lugares onde culturas, povos e tradições se encontram há séculos. E isso não está apenas nos livros de história. Está nas ruas, nos mercados, nos pratos típicos, na arquitetura e, principalmente, no jeito como as pessoas vivem.

Marrocos é africano, árabe, berbere, mediterrâneo e europeu ao mesmo tempo. Essa mistura nasceu ao longo de mais de mil anos, passando por diferentes impérios e influências que ajudaram a moldar um país de personalidade única. Não é raro caminhar por uma medina centenária, virar a esquina e encontrar um café de inspiração francesa, enquanto o chamado para as orações ecoa pelas cidades. 

A diversidade também aparece na língua. O árabe é o idioma oficial, ao lado do amazigh, falado pelos povos originários da região. Mas quem chega logo percebe que o francês está em praticamente todos os lugares, seja nas placas das ruas, nos cardápios ou nas conversas do dia a dia. No norte, o espanhol também marca presença. 

Em pouco tempo, algumas palavras entram naturalmente no vocabulário do visitante. O tradicional e simpático “Shukran” agradece qualquer gentileza e, inevitavelmente, alguém vai soltar um “Yalla!”, uma das expressões mais populares do mundo árabe que significa algo como “vamos!” ou “bora!”, que parece resumir bem o espírito da viagem.

Para quem parte do Brasil, a aventura começa antes mesmo do primeiro passeio pelas medinas. Casablanca é a principal porta de entrada do país e recebe os voos diretos da Royal Air Maroc saindo de São Paulo. A operação, realizada às terças, quintas e domingos, leva cerca de nove horas e coloca o viajante diretamente no principal hub da companhia, que conecta mais de cem destinos espalhados pela África, Europa, Oriente Médio e Américas. 

Essa estratégia passa também pelo mercado brasileiro. Considerado um dos mercados prioritários da companhia, o Brasil deve registrar crescimento de aproximadamente 30% na oferta de assentos e 80% no volume de passageiros já neste ano. Além disso, a frequência da rota São Paulo–Casablanca será ampliada de quatro para cinco voos semanais até dezembro, enquanto a empresa trabalha para retomar a ligação direta entre Rio de Janeiro e Casablanca até o fim de 2027.

O movimento acompanha um plano ainda mais ambicioso: até 2037, a Royal Air Maroc pretende praticamente triplicar sua frota, chegando a cerca de 200 aeronaves, transportar mais de 31 milhões de passageiros por ano e consolidar Casablanca como um dos principais hubs intercontinentais do mundo.

A bordo do Boeing 787-9 Dreamliner, o voo pode ser realizado em uma das três categorias disponíveis: Business, Economy e Economy Premium, com esta última com configuração 2-3-2, diferente da econômica convencional, que segue o layout 3-3-3. Na prática, isso significa menos passageiros por fileira, mais espaço para circular e uma viagem bem mais confortável. Somado às características do Dreamliner, como cabine mais silenciosa, janelas maiores e melhor pressurização.

Outro diferencial está na flexibilidade oferecida pela companhia. Dependendo da tarifa escolhida, é possível despachar bagagem gratuitamente, fazer uma parada em Casablanca por até sete dias sem custo adicional antes de seguir para outro destino e aproveitar conexões planejadas para facilitar a descoberta de diferentes regiões do país. Todo esse processo acontece no Terminal exclusivo da Royal Air Maroc no Aeroporto Mohammed V, tornando o trânsito mais organizado e intuitivo para quem chega pela primeira vez ao continente.

É aí que Marrocos realmente começa. O cheiro das especiarias toma conta do ar, os vendedores chamam a atenção nos souks (e sem serem invasivos), os minaretes desenham o horizonte e o chá de hortelã aparece como um gesto quase obrigatório de hospitalidade. Cada cidade parece contar um capítulo diferente dessa história. Há a sofisticação urbana de Casablanca, a energia vibrante de Marraquexe, o encontro entre África e Europa em Tânger e a tranquilidade azul de Chefchaouen, que parece ter saído de um cartão-postal.

A experiência, claro, fica ainda mais especial com uma DMC especializada e com uma operação desenhada para apresentar diferentes facetas do país, como é o caso da Alizés, empresa marroquina que há mais de 35 anos atua na gestão de destinos e se consolidou como uma das principais referências em turismo receptivo no país. Com escritórios distribuídos por cidades como Casablanca, Rabat, Fez, Marraquexe, Tânger, Agadir e Dakhla, a companhia desenvolve roteiros personalizados para viajantes independentes, grupos e operadores internacionais, reunindo logística, transporte, hotelaria e experiências locais sob um mesmo ecossistema de serviço

A partir desta ampla presença nacional, o roteiro consegue revelar diferentes versões de Marrocos em poucos dias, com a proposta de apresentar um destino em sua totalidade, equilibrando patrimônio histórico, hospitalidade, gastronomia, natureza e experiências autênticas, sempre com forte conhecimento local e execução integrada. E tudo desenhado para o perfil do viajante, visto que o grupo reúne operações especializadas também em Mice, turismo de luxo, transporte turístico, e atuação integrada desde planejamento até a tão esperada viagem.

Cada parada revela um país diferente, sem que ele deixe de ser exatamente o mesmo. Yalla? Então é hora de descobrir o que faz de Casablanca, Marraquexe, Tânger e Chefchaouen destinos tão distintos e, ao mesmo tempo, tão complementares.

Casablanca

Casablanca é a maior cidade marroquina e o principal centro financeiro do Norte da África. Diferentemente da imagem que muitos brasileiros constroem sobre o destino, aqui não predominam os labirintos das medinas nem os mercados tradicionais. O cenário é outro: avenidas largas, edifícios contemporâneos, cafés de influência francesa, centros empresariais e uma orla que convida moradores e visitantes a desacelerar no fim do dia.

A Mesquita Hassan II é uma das maiores do mundo e, sem dúvida, o maior símbolo de Casablanca. Construída parcialmente sobre o Oceano Atlântico, a mesquita impressiona logo no primeiro olhar. O minarete, com 210 metros de altura, domina o horizonte, enquanto os detalhes em mármore, cedro esculpido e mosaicos feitos à mão revelam o cuidado artesanal que acompanha boa parte da arquitetura marroquina. Mesmo para quem opta por admirá-la apenas pelo lado externo, a visita é praticamente obrigatória.

Quando o sol se põe, Casablanca troca o ritmo dos escritórios pela hospitalidade marroquina. Próximo à antiga medina, o restaurante Dar Kaid proporciona uma verdadeira imersão cultural. O jantar vai muito além da gastronomia. Entre apresentações de música tradicional, danças típicas e uma decoração inspirada nos antigos riads, os sabores locais ganham protagonismo. Tajines preparados lentamente, cuscuz marroquino, saladas aromáticas, doces à base de mel e amêndoas e o indispensável chá de hortelã ajudam a mostrar que, em Marrocos, comer é também uma forma de conhecer a cultura.

Para quem busca hospedagem com praticidade, o Barceló Casablanca é uma escolha bastante estratégica. Localizado próximo à Corniche e ao distrito financeiro, o hotel oferece fácil acesso aos principais atrativos da cidade, além de quartos confortáveis e uma estrutura voltada tanto para o lazer quanto para o turismo corporativo. A localização permite explorar boa parte de Casablanca sem grandes deslocamentos, tornando-o uma excelente base para uma primeira visita.

Já quem procura uma experiência de alto padrão encontra no Royal Hideaway Casablanca um dos novos ícones da hotelaria marroquina. Inaugurado no fim de 2025 como o primeiro empreendimento da marca de luxo Royal Hideaway no continente africano, o hotel ocupa uma posição privilegiada no centro da cidade e traduz a nova fase vivida por Casablanca, combinando o legado art déco local com um design contemporâneo e sofisticado.

São 310 acomodações distribuídas em 17 andares, projetadas para equilibrar conforto, elegância e identidade marroquina. Mas é nos espaços comuns que o empreendimento realmente chama a atenção. A gastronomia é um dos pilares da experiência, reunindo seis ambientes distintos, que vão da culinária marroquina e mediterrânea a um rooftop com vista para a cidade e o Atlântico, passando por cafés inspirados na tradição parisiense e bares de coquetelaria.

Entre os destaques está um dos ambientes mais curiosos do hotel: um bar secreto, inspirado nos tradicionais speakeasies. Discreto e quase imperceptível para quem passa pelos corredores, o espaço aposta em uma atmosfera intimista, iluminação baixa e coquetéis autorais, oferecendo uma experiência reservada que foge completamente do convencional.

O Royal Hideaway também reforça a importância de Casablanca para o segmento MICE. O empreendimento conta com salas modulares para eventos, auditório, áreas privativas para reuniões, além de spa com hammam tradicional, piscina, academia e espaços gastronômicos que podem receber desde encontros corporativos até celebrações exclusivas. 

Casablanca dificilmente será a cidade mais exótica de um roteiro por Marrocos. E talvez nem precise ser. Seu papel é outro. Ela mostra que o país vai muito além dos clichês. É moderna sem perder a identidade, cosmopolita sem abandonar as tradições e sofisticada sem deixar de lado a hospitalidade. No fim das contas, não poderia existir lugar melhor para dar as boas-vindas ao viajante antes de mergulhar nas muitas facetas que o restante do país ainda reserva.

Tanger

Enquanto Casablanca apresenta o lado mais moderno de Marrocos, Tânger mostra como o país aprendeu a viver entre diferentes mundos. Basta olhar o mapa para entender o motivo. De um lado está a África. Do outro, a Europa. Entre elas, apenas o Estreito de Gibraltar. É uma distância tão pequena que, em dias de céu limpo, o litoral espanhol aparece no horizonte quase como um convite.

Mas Tânger não vive apenas dessa geografia privilegiada. A cidade tem uma energia própria, mais leve, quase boêmia. Durante décadas foi refúgio de escritores, artistas e músicos, atraídos justamente por essa mistura de culturas que ainda hoje se percebe nas ruas. Aqui, o árabe divide espaço com o francês e o espanhol, enquanto o Mediterrâneo dita um ritmo bem diferente daquele encontrado nas grandes metrópoles marroquinas.

A primeira parada leva justamente ao Cap Spartel, um dos cartões-postais mais emblemáticos do país. No alto de uma falésia, o farol construído no século 19 observa um dos encontros mais famosos do planeta: o Oceano Atlântico e o Mar Mediterrâneo. Indo além de tentar descobrir onde termina um e começa o outro, vale parar por alguns minutos, sentir o vento forte vindo do mar e simplesmente contemplar a paisagem. É um daqueles lugares que fazem qualquer câmera trabalhar bastante.

De lá, o roteiro segue para a Kasbah, antiga cidadela fortificada que domina o ponto mais alto da medina. Diferentemente do agito encontrado em outras cidades marroquinas, caminhar por suas vielas parece um convite para diminuir o ritmo, complementadas pelas portas coloridas, pequenos ateliês, casas brancas com detalhes em azul, gatos espalhados pelas escadarias e mirantes que revelam o porto e o Estreito de Gibraltar transformam qualquer caminhada em uma coleção de boas fotos. A dica, aliás, é esquecer o GPS por alguns instantes. Em Tânger, perder-se faz parte da experiência.

Foi justamente dessa cidade que partiu um dos maiores viajantes da história. O Museu Ibn Battouta, instalado em um antigo forte militar do século 18, presta homenagem ao explorador marroquino que percorreu cerca de 120 mil quilômetros muito antes de existir qualquer avião. 

E entre um passeio e outro, chega a hora de fazer aquilo que os marroquinos sabem muito bem: sentar à mesa sem pressa. É na movimentada Avenida Mohammed VI, o restaurante Casa Sevilla mostra um lado diferente da gastronomia local. Inspirado na proximidade histórica entre Marrocos e Espanha, o espaço mistura referências mediterrâneas e espanholas com ingredientes marroquinos, em um ambiente descontraído que reúne moradores e turistas. 

Tapas, frutos do mar, peixes frescos e boas opções de carnes dividem espaço com uma carta de vinhos e drinques que fazem do restaurante um dos pontos de encontro mais tradicionais da cidade, especialmente no fim da tarde, quando a varanda começa a ganhar movimento. O clima é leve, animado e traduz bem a personalidade cosmopolita de Tânger.

Talvez seja justamente essa a maior qualidade da cidade. Tânger não tenta impressionar pelo exagero. Ela conquista aos poucos. Em um momento, você está observando dois continentes separados por poucos quilômetros. No dia seguinte, se perde entre vielas centenárias ou termina a tarde olhando o mar com um chá de hortelã nas mãos. É uma cidade feita de encontros: entre oceanos, entre culturas, entre idiomas e entre histórias.

No fim do dia, quando alguém solta mais um “Yalla!”, já fica claro que Tânger não é apenas uma parada no roteiro por Marrocos. É um daqueles lugares que fazem a viagem desacelerar e mostram que, às vezes, o melhor caminho é simplesmente continuar esta jornada.

Chefchaouen

Existe uma pergunta que todo visitante faz assim que entra em Chefchaouen: por que tudo é azul? A resposta depende de quem responde. Alguns moradores dizem que a tradição começou com os judeus sefarditas que chegaram à cidade durante o século 15, levando consigo o costume de pintar as casas de azul como símbolo do céu, da espiritualidade e da proximidade com Deus. Outros afirmam que a cor ajuda a manter os ambientes mais frescos durante o verão ou até mesmo afasta os mosquitos. Há quem diga que é simplesmente tradição.

A verdade é que pouco importa qual versão seja a correta. Hoje, o azul se tornou a identidade de Chefchaouen. Escondida entre as montanhas do Rif, no norte de Marrocos, a cidade parece ter sido pintada à mão. Cada morador escolhe sua própria tonalidade. Algumas ruas ganham um azul-claro quase branco, outras mergulham em tons turquesa ou anil profundo. Não existe um padrão. E talvez seja justamente essa falta de padrão que torne tudo tão bonito.

Afinal, lá o relógio parece funcionar em outro ritmo. As lojas abrem sem pressa. Os moradores conversam sentados nas portas de casa. Os gatos caminham tranquilamente pelas escadarias e o cheiro de pão recém-assado toma conta das vielas logo nas primeiras horas da manhã. Em muitos pontos da medina ainda é possível observar fornos comunitários funcionando como antigamente, onde famílias levam a massa preparada em casa para ser assada, preservando uma tradição que atravessa gerações.

Outro detalhe chama atenção logo nas primeiras conversas. Diferentemente de Casablanca ou Marraquexe, onde o francês domina boa parte do cotidiano, em Chefchaouen o espanhol é quase uma segunda língua. A proximidade com a Andaluzia e a influência histórica espanhola fazem com que restaurantes, lojas e até moradores alternem naturalmente entre árabe, espanhol e francês, facilitando bastante a comunicação para quem visita a região.

E basta caminhar alguns metros para perceber que Chefchaouen também é uma cidade de aromas. Os pequenos comércios espalhados pela medina exibem montanhas coloridas de especiarias, açafrão, páprica, cominho, ras el hanout e ervas secas que perfumam as ruas. Nas bancas vizinhas aparecem diferentes tipos de azeitonas, frutas secas, mel, sabonetes artesanais e frascos do famoso óleo de argan, um dos produtos mais tradicionais de Marrocos, utilizado tanto na gastronomia quanto nos cuidados com a pele e os cabelos.

As tapeçarias produzidas pelas comunidades berberes também merecem atenção. Diferentemente das encontradas em outras regiões do país, muitas carregam desenhos geométricos inspirados nas montanhas do Rif e são confeccionadas manualmente em pequenos ateliês familiares. Comprar diretamente desses artesãos é uma das formas mais autênticas de levar um pedaço de Chefchaouen para casa.

Há apenas uma dica prática que faz toda a diferença: leve dinheiro em espécie. Embora alguns hotéis e estabelecimentos maiores aceitam cartões internacionais, a maior parte das lojas da medina, mercados e até diversos restaurantes ainda trabalham prioritariamente com pagamentos em dinheiro. Ter dirhams no bolso evita surpresas e permite aproveitar com mais tranquilidade as compras de artesanato, especiarias e produtos locais.

Antes mesmo de conhecer a famosa Cidade Azul, porém, vale a pena experimentar outro lado da região. A cerca de 12 quilômetros da medina, o Dar Ba Sidi & Spa funciona quase como um destino dentro do destino. Cercado pelas montanhas, o hotel se integra completamente à paisagem e convida o visitante a diminuir o ritmo antes mesmo de chegar a Chefchaouen. Piscinas com vista para as montanhas, jardins, spa com banho árabe tradicional, trilhas e gastronomia baseada no conceito farm to table fazem do empreendimento uma experiência por si só.

À noite, o jantar servido na tradicional khaima, a tenda berbere instalada dentro da propriedade, transforma a refeição em um espetáculo cultural. Música ao vivo, danças típicas e receitas preparadas lentamente mostram que, em Marrocos, hospitalidade não é apenas um conceito. É parte da cultura.

Contudo, se engana quem imagina que para por aí. A aproximadamente 45 minutos dali está Akchour, no coração do Parque Nacional de Talassemtane. Se Chefchaouen encanta pelas cores, Akchour impressiona pela natureza. Cedros, carvalhos, rios cristalinos, paredões de calcário e montanhas que ultrapassam os 2 mil metros de altitude desenham uma paisagem completamente diferente daquela normalmente associada a Marrocos.

O vale é considerado um dos principais destinos de trekking do país. Existem trilhas para todos os níveis, desde caminhadas leves até cachoeiras e piscinas naturais, até travessias de vários dias por aldeias berberes isoladas. Entre os percursos mais famosos está a caminhada até a Ponte de Deus, um impressionante arco natural esculpido na rocha ao longo de milhares de anos.

Contudo, até mesmo para aqueles que desejam apenas descansar, a experiência de nadar em águas cristalinas rodeadas pelas enormes formações rochosas vem, novamente, a ser um convite para a contemplação, para o sentir e até mesmo para novas amizades, que se tornam fáceis com os marroquinos. 

No fim das contas, Chefchaouen acaba sendo muito mais do que a cidade das fotos perfeitas. É lá onde se aprende que o azul não está apenas nas paredes. Está na forma como a cidade escolheu viver: com calma, simplicidade e tempo para apreciar cada detalhe. Por isso, o que para muitos pode ser apenas um roteiro de um dia, na verdade é o convite para o estar e permanecer. 

Marraquexe

Chefchaouen conquistou fama mundial por suas fachadas em diferentes tons de azul. Já Marraquexe impressiona justamente pelo contraste. Conhecida como a “Cidade Vermelha”, ela recebeu esse apelido por causa da coloração avermelhada de suas muralhas, palácios e construções históricas, erguidas com uma mistura de argila, areia e pigmentos naturais extraídos da própria região. 

Além de conferir identidade à cidade, esse material ajuda a amenizar o calor intenso e cria uma paisagem que muda de tonalidade ao longo do dia, especialmente durante o pôr do sol. O resultado é um cenário que reúne séculos de história, arquitetura islâmica, hotéis de alto padrão, gastronomia típica e experiências que combinam patrimônio cultural, bem-estar e exclusividade.

O coração histórico é a Medina de Marraquexe, declarada Patrimônio Mundial pela Unesco, onde vielas estreitas conduzem a palácios, riads, mesquitas, pátios internos e souks (mercados tradicionais). É nesse cenário que se encontra a Mesquita Koutoubia, principal marco arquitetônico da cidade. Uma curiosidade sobre seu minarete de 77 metros, construído no século 12, conta com uma rampa helicoidal interna larga o suficiente para que o muezim pudesse subir a cavalo para realizar o chamado à oração.

Outro destaque é o Palácio da Bahia, um dos mais importantes exemplares da arquitetura marroquina. Construído no século 19 para abrigar a residência de um grão-vizir, o complexo impressiona pelos jardins, pátios internos, salões decorados com mosaicos zellige, tetos de madeira esculpida e detalhes artesanais que refletem o refinamento da arte marroquina.

A poucos minutos dali está a praça Jemaa el-Fna, considerada o centro da vida cultural e social da cidade. Dia e noite, o espaço recebe encantadores de serpentes, macaquinhos treinados para fotos, barracas de culinária típica e sucos frescos, contadores de histórias e rodas de música berberes, entre outros atrativos culturais, que sintetizam a energia vibrante de Marraquexe.

A experiência na cidade dificilmente fica completa sem uma visita aos tradicionais souks. Organizados por categorias de produtos, esses mercados reúnem centenas de artesãos especializados em couro, cerâmica, tapeçaria, joalheria, metais, perfumes, luminárias e especiarias. Mais do que um centro de compras, os souks preservam técnicas artesanais transmitidas entre gerações e uma oportunidade de interação entre turistas e vendedores. Aqui, barganhar faz parte da experiência.

Entre os espaços culturais mais visitados estão o Jardim Majorelle e o Museu Yves Saint Laurent. O jardim botânico, criado pelo artista francês Jacques Majorelle e posteriormente restaurado por Yves Saint Laurent e Pierre Bergé, combina espécies vegetais de diferentes continentes com espelhos d’água e construções no característico azul-cobalto que se tornou sua marca registrada. Ao lado, o museu homenageia o estilista francês, apresentando parte de sua obra e evidenciando como Marraquexe influenciou sua produção criativa e sua relação com a moda.

Para o público de alto padrão, Marraquexe também se destaca pela oferta de hospedagem. A cidade reúne resorts, hotéis de luxo e riads boutique instalados tanto na Medina quanto em áreas mais reservadas, combinando arquitetura tradicional marroquina, spas, gastronomia autoral, campos de golfe e infraestrutura voltada para experiências personalizadas. Empreendimentos como o Jaal Riad Resort, o Mövenpick Hotel Mansour Eddahbi Marrakech e o Pickalbatros Hôtel du Golf exemplificam a diversidade da oferta disponível, atendendo desde viajantes em busca de privacidade até o segmento de eventos e viagens de incentivo.

Nos arredores da cidade, o Deserto de Agafay tornou-se uma das experiências mais valorizadas. Localizado a cerca de 40 quilômetros de Marraquexe, o destino apresenta uma paisagem de colinas áridas e rochosas, bastante diferente das dunas do Saara, mas igualmente cenográfica. Os acampamentos de luxo oferecem estrutura sofisticada para refeições ao pôr do sol, experiências gastronômicas, apresentações culturais e atividades como passeios de camelo e quadriciclo, permitindo vivenciar o ambiente desértico sem percorrer longas distâncias.

Outro diferencial da região é a oferta de voos de balão ao amanhecer. As decolagens ocorrem nas áreas rurais e desérticas nos arredores de Marraquexe, proporcionando vistas panorâmicas das montanhas do Atlas, dos palmeirais e da paisagem árida que circunda a cidade. 

A atividade costuma ser realizada nas primeiras horas do dia, quando as condições climáticas são mais favoráveis, e geralmente é complementada por serviços exclusivos, como café da manhã em tendas tradicionais, traslados privativos e experiências gastronômicas inspiradas na cultura berbere, agregando um componente de sofisticação à vivência no destino. É nesse contemplar que o momento se torna ideal para se despedir e agradecer ao destino pelas suas diversas riquezas culturais. Para Marrocos, Shukran!

 

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