O conceito de luxo nas viagens corporativas mudou. Se durante muitos anos a experiência de alto padrão esteve associada a hotéis cinco estrelas, cabines premium, carros executivos e serviços exclusivos, hoje esses atributos representam apenas parte da equação.
Para Carlos Prado, fundador e CEO da Tour House, o verdadeiro diferencial passou a ser a capacidade de oferecer tempo, reduzir o estresse e tornar toda a jornada mais fluida para o viajante. “Luxo hoje em dia é ganhar tempo e reduzir estresse”, resume Prado.
Na visão do executivo, o deslocamento deixou de ser apenas um meio para chegar ao destino e passou a influenciar diretamente o desempenho profissional. Eliminar burocracias, antecipar etapas da viagem, organizar transfers, garantir acesso a salas VIP e oferecer suporte antes, durante e depois do embarque contribuem para que o executivo concentre sua atenção naquilo que realmente importa: os compromissos de negócios. “O luxo é se deslocar de uma forma que o estresse seja o mínimo possível e que o tempo seja precioso e seja, de fato, otimizado”, afirma Prado.
Essa mudança acompanha uma transformação na maneira como as empresas enxergam as viagens corporativas. Se antes a principal preocupação estava concentrada em tarifas, hospedagem e controle de custos, cresce a percepção de que uma experiência menos desgastante gera impactos positivos na produtividade do viajante. Um profissional que chega descansado e preparado tende a tomar decisões melhores, conduzir reuniões com mais eficiência e aproveitar melhor cada compromisso.
Ao mesmo tempo, Prado observa que o conceito de conveniência ganhou novos significados. Para alguns clientes, luxo ainda representa ter um consultor disponível para resolver qualquer necessidade. Para outros, significa exatamente o contrário: contar com tecnologia suficiente para administrar toda a viagem de forma rápida e autônoma, sem depender de intermediários. Para ele, essas duas demandas não são incompatíveis.
Foi dessa percepção que nasceu o conceito “tech human”, adotado pela Tour House para integrar atendimento consultivo e inovação tecnológica. A empresa combina inteligência artificial, plataformas digitais e ferramentas próprias sem abrir mão do relacionamento humano, considerado essencial principalmente diante de situações inesperadas. “Tudo que a tecnologia pode ofertar versus tudo que o humano tem que fazer”, resume Prado.
Segundo ele, a tecnologia deve simplificar processos, acelerar decisões e oferecer autonomia ao viajante, enquanto o atendimento humano continua responsável pela hospitalidade, pela personalização e pela resolução de problemas que nenhuma plataforma consegue antecipar completamente.
Essa busca por uma experiência mais equilibrada também aparece em outra tendência que ganhou força nos últimos anos: o bleisure. A possibilidade de combinar compromissos profissionais com alguns dias de lazer tornou-se mais frequente depois da pandemia e alterou a forma como muitas empresas e executivos encaram suas viagens. “Aquele famoso bate e volta São Paulo-Nova York, vai de manhã, volta à noite, essas coisas já são muito raras de a gente ver hoje em dia”, afirma Prado.
Segundo ele, é cada vez mais comum que profissionais cheguem um ou dois dias antes do compromisso ou prolonguem a permanência no destino após o encerramento da agenda corporativa. Normalmente, os custos adicionais ficam sob responsabilidade do próprio viajante, mas muitas empresas passaram a aceitar esse formato por compreenderem que a experiência reduz o desgaste provocado por deslocamentos longos.
Essa transformação reforça outra característica que Prado considera indispensável para o mercado de alto padrão: conhecer profundamente cada cliente. Mais do que indicar um hotel sofisticado ou reservar um restaurante premiado, o diferencial está em compreender hábitos, preferências e expectativas para construir experiências compatíveis com o perfil de cada viajante. “A Tour House conhece o seu cliente. Conhecendo o seu cliente, ela tem condições de ofertar algo que a internet não teria”, declara..
Na avaliação do executivo, dados e relacionamento caminham juntos. Quanto maior o conhecimento sobre o histórico do cliente, maior a capacidade de antecipar necessidades e fazer recomendações realmente relevantes, algo que plataformas genéricas dificilmente conseguem reproduzir.
Essa lógica torna-se ainda mais evidente nas viagens de incentivo. Diferentemente das viagens corporativas tradicionais, em que o objetivo é facilitar a rotina de trabalho, esses projetos buscam reconhecer profissionais, parceiros e distribuidores por resultados alcançados. Nesse contexto, a exclusividade passa a ser o principal diferencial. “É acesso a lugares inacessíveis para o público normal”, reforça.
Jantares exclusivos em castelos, experiências gastronômicas fechadas para pequenos grupos, trens de luxo, iates privativos e atrações reservadas exclusivamente para participantes fazem parte desse universo. Para Prado, mais importante do que o valor financeiro investido é a capacidade de proporcionar momentos que dificilmente poderiam ser reproduzidos em uma viagem convencional.
Ao mesmo tempo em que a tecnologia amplia possibilidades, Prado acredita que o principal desafio do turismo continua sendo a qualidade da mão de obra. Na avaliação do executivo, muitos mercados ainda sofrem os impactos da perda de profissionais durante a pandemia, tornando a capacitação um fator decisivo para elevar o padrão do atendimento. “O ser humano é realmente um grande desafio que a gente tem que trabalhar, porque sem pessoas a gente não vai chegar num turismo do tamanho que o Brasil merece”, avalia.
Foi justamente para enfrentar esse cenário que a Tour House criou a TH Academy, iniciativa voltada à formação e atualização de seus colaboradores. Para o executivo, nenhuma ferramenta tecnológica substitui profissionais preparados quando o objetivo é entregar experiências memoráveis.
Prado também observa uma mudança no comportamento do consumidor de alta renda. Em vez de concentrar investimentos apenas em bens materiais, cresce o interesse por experiências capazes de gerar conforto, bem-estar e lembranças duradouras. O aumento da procura por passagens em classe executiva, hotéis de categoria superior e restaurantes renomados demonstra essa transformação. “Quando eu viajo, eu viajo em executiva, quero ficar nos melhores hotéis, quero ir para os melhores restaurantes”, exemplifica.
Na avaliação do executivo, o luxo contemporâneo deixou de ser definido apenas pelo preço e passou a estar relacionado ao valor percebido pelo viajante. Tempo, autonomia, personalização e tranquilidade tornaram-se ativos tão importantes quanto qualquer serviço premium. “O encantamento é trazer para cada cliente da Tour House a experiência pelo conhecimento dos dados e das informações que nós temos dele”, concluiu o CEO.








