Mogi das Cruzes (SP) – A inteligência artificial pode mudar o papel dos gestores de viagens corporativas ao reduzir o tempo dedicado a tarefas operacionais e abrir espaço para decisões estratégicas. A avaliação foi apresentada por Douglas Petrocino, Chief Product & Technology Officer (CPTO) da Omnibees, durante a palestra “O futuro da Gestão de Viagens: Da operação à estratégia com IA”, nesta sexta-feira (11), durante a nona edição do Converge HSMAI, no Club Med Lake Paradise, em Mogi das Cruzes (SP).
Em sua apresentação, Petrocino destacou que a popularização da IA colocou ferramentas antes restritas a profissionais especializados ao alcance de um público muito maior. Para ele, o ponto central não está na competição entre pessoas e tecnologia, mas na capacidade dos profissionais de incorporar os novos recursos ao trabalho para entregar mais valor. O executivo também chamou atenção para uma mudança nas expectativas dos próprios viajantes, que passaram a esperar processos mais simples e rápidos em diferentes momentos da jornada.
Segundo Petrocino, essa transformação encontra um setor no qual parte relevante do tempo ainda se perde com tarefas reativas, conciliação de informações e correção de problemas. Dados fragmentados, ferramentas estáticas, despesas desconectadas e baixa visibilidade dificultam uma gestão mais eficiente. A proposta apresentada pelo executivo passa pela criação de um ecossistema integrado, no qual informações possam sustentar decisões em tempo real.
“A IA não aprova viagens por você. Ela basicamente analisa padrões para que você defina a política certa”, afirmou. Na visão do executivo, a tecnologia pode ajudar o profissional a deixar uma posição centrada na auditoria de compliance para assumir um papel de “arquiteto de experiências”, com maior participação nas decisões sobre políticas, acordos e perfil dos viajantes.
Custo da viagem vai além da tarifa
Entre os exemplos apresentados, Petrocino abordou o uso de agentes de IA capazes de cruzar informações sobre endereço, aeroportos, deslocamentos e perfil de cada funcionário. O objetivo é evitar uma análise limitada ao preço de uma passagem ou diária e considerar o custo total da viagem, inclusive o tempo gasto no trajeto.
O executivo relatou uma experiência pessoal para ilustrar essa diferença. Em uma viagem, uma opção aérea aparentemente mais barata exigiria um deslocamento mais longo até o aeroporto. Quando os custos de transporte terrestre entraram na conta, a economia inicial deixou de existir. Para Petrocino, conhecer o perfil do funcionário e calcular o custo porta a porta permite tomar decisões mais adequadas tanto do ponto de vista financeiro quanto da experiência do viajante.
A mesma lógica pode ser aplicada aos acordos corporativos com hotéis. Petrocino destacou que negociar tarifas não basta se a empresa não acompanha a adesão dos viajantes aos contratos firmados. A análise por cidade, departamento e perfil permite identificar onde há maior fuga dos acordos e investigar suas causas. Em alguns casos, uma tarifa mais baixa pode representar uma economia aparente caso imponha ao funcionário deslocamentos que consomem tempo e elevam outros custos da viagem.
Dados como base para a IA
Petrocino também ressaltou que o potencial da inteligência artificial depende da qualidade das informações disponíveis. Dados de perfil dos funcionários, antecedência das reservas, contratos vigentes, despesas fora dos canais definidos e preferências individuais podem alimentar ferramentas capazes de identificar padrões e apoiar a revisão das políticas corporativas.
Na conclusão, o executivo defendeu que a tecnologia não deve substituir o gestor, mas retirar de sua rotina parte do trabalho de conciliação e organização de informações. Com isso, o profissional pode dedicar mais tempo à negociação de acordos, revisão das políticas e experiência dos viajantes.
“Ela te economiza aquele tempo que você já estava conciliando os seus dados e agora você passa a estar estrategicamente nos acordos, nos hotéis, redefinindo as políticas”, afirmou Petrocino. Para ele, a análise do custo porta a porta e das características de cada perfil também permite combinar eficiência financeira com uma experiência mais adequada para quem viaja.

