FOHB destaca pessoas, dados e desafios regulatórios na abertura do VIII Fórum Nacional da Hotelaria

Beto Caputo, presidente do Conselho do FOHB, apresentou números da hotelaria associada e as prioridades da entidade para o setor

Maurício Herschander
Maurício Herschander
Repórter - E-mail: mauricio@brasilturis.com.br

São Paulo (SP) – A necessidade de colocar as pessoas no centro das estratégias da hotelaria marcou a abertura do VIII Fórum Nacional da Hotelaria, promovido pelo Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB) nesta segunda-feira (14), no Hotel Pullman Vila Olímpia, em São Paulo. Beto Caputo, presidente do Conselho do FOHB, conduziu a abertura e apresentou um panorama da atuação da entidade, além das principais pautas para o setor.

Com o tema “O futuro é humano”, o fórum parte de uma discussão que, segundo Caputo, ganhou força em diferentes segmentos da economia. Ele citou os movimentos recentes de grandes redes de alimentação que voltaram a priorizar o contato entre funcionários e clientes após investimentos em soluções digitais. Para o executivo, o exemplo reforça a importância da interação humana nos serviços.

“O tema do nosso evento neste ano não poderia ser mais atual”, afirmou Caputo.

Durante a apresentação, Caputo também detalhou a dimensão do FOHB. A entidade reúne 29 redes associadas, 841 hotéis, mais de 160 mil unidades habitacionais, presença em 205 municípios e cerca de 240 mil empregos diretos. Em 2026, o grupo registrou 22 milhões de diárias e R$ 10,3 bilhões em faturamento.

Outro dado apresentado foi o pipeline das redes associadas. São 135 hotéis previstos até 2028, indicador que, para o presidente do Conselho, mostra a necessidade de preparar o mercado para uma demanda maior. “O setor continua crescendo, o mercado precisa que nós cresçamos, a demanda vai crescer e a gente tem que estar aqui para atender”, afirmou.

O FOHB também recebeu três novas redes recentemente: Atlantica Plaza, HCC Hospitality e Marriott. Caputo destacou ainda a participação dos mantenedores e o papel da entidade na articulação do setor, tanto na produção de informações quanto na representação institucional.

Reforma tributária e segurança jurídica

Entre as pautas institucionais, a reforma tributária ocupa posição de destaque. Segundo Caputo, o FOHB participou das discussões em conjunto com outras entidades do setor e obteve uma diferenciação para a hotelaria na estrutura tributária. A alíquota-base ainda não está definida, mas o executivo afirmou que o setor já conta com a previsão de um redutor.

A entidade também desenvolveu um manual sobre a nova tributação, em parceria com a Receita Federal, e disponibilizou o material aos associados. A publicação deve servir como referência quando as novas regras entrarem em vigor.

Outro ponto citado foi a segurança jurídica relacionada à insalubridade. Caputo ressaltou que o FOHB não pretende discutir se determinado trabalho deve ou não receber adicional, mas defende uma interpretação uniforme para o tema.

“A gente não opina se insalubridade deve ser ou não deve ser, a gente só precisa ter uma padronização, uma jurisprudência que nos dê uma segurança de como esse assunto vai ser tratado”, explicou.

Mão de obra e dados no centro da agenda

A escassez de profissionais para funções operacionais também apareceu entre as prioridades do FOHB. Caputo defendeu que a questão de pessoas tenha espaço permanente no planejamento da entidade, diante do peso da mão de obra na atividade hoteleira.

“A gente tem que ter um eixo de pessoas em qualquer planejamento da entidade, porque o nosso setor é basicamente pessoas”, disse.

A entidade também trabalha na modernização de sua base de informações. O tradicional Informe FOHB, com mais de uma década de histórico, dará suporte a uma nova ferramenta de inteligência de negócios, chamada FOHB Analytics. A plataforma permitirá aos associados consultar dados históricos e informações atualizadas sobre o mercado.

Segundo Caputo, o objetivo é criar uma base de referência para a tomada de decisões na hotelaria brasileira, a exemplo do que ocorre em mercados mais desenvolvidos. “A gente quer investir cada vez mais nessa plataforma, em ter realmente, como a gente vê nos Estados Unidos e outros países, uma base de dados do setor de hospitalidade do Brasil”, afirmou.

A abertura também marcou o último ano do atual mandato de Caputo à frente do Conselho do FOHB. Ao encerrar sua participação, o executivo agradeceu a parceria com as redes associadas, mantenedores e equipe da entidade e desejou um fórum capaz de contribuir para o desenvolvimento da hotelaria.

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