São Paulo (SP) – A integração entre hotelaria, Convention Bureaus, entidades setoriais e poder público é um dos caminhos para elevar a capacidade dos destinos brasileiros de captar eventos e atrair visitantes. A avaliação é de Toni Sando, presidente do Visite São Paulo Convention Bureau e da Unedestinos, que participou nesta segunda-feira (14) do VIII Fórum Nacional de Hotelaria, promovido pelo Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB), no Hotel Pullman Vila Olímpia, em São Paulo.
Durante sua palestra, Sando destacou o papel dos Convention Bureaus como organizações da sociedade civil que trabalham pelo desenvolvimento econômico e social dos destinos. O executivo lembrou que o modelo surgiu há mais de um século a partir da união de empresários que, apesar de competirem no mercado, identificaram interesses comuns na atração de visitantes, eventos e negócios. Em São Paulo, o Convention Bureau foi criado em 1983, a partir da iniciativa privada e com forte participação do setor hoteleiro.
A relação histórica com os hotéis permanece no centro desse modelo. Segundo Sando, a atuação dos Convention Bureaus ocorre muitas vezes fora da percepção imediata do mercado, por meio da prospecção de eventos, apresentação da infraestrutura dos destinos e divulgação de hotéis e espaços disponíveis para receber congressos, feiras e outras atividades.
“Enquanto estamos aqui, existe um profissional de Convention Bureau pelo Brasil e pelo mundo captando evento, mostrando os hotéis, equipamentos que nós temos para atrair cada vez mais visitantes”, afirmou. O presidente do Visite São Paulo também lembrou que o impacto dessa atividade ultrapassa a hospedagem. Um visitante atraído por um evento utiliza transportes, frequenta restaurantes e bares, visita museus e atrações e contrata diferentes serviços, com efeitos sobre toda a cadeia de turismo e eventos.
Rurtex sustenta promoção dos destinos
Parte central da apresentação foi dedicada ao Room Tax, contribuição facultativa arrecadada pelos hotéis e destinada aos Convention Bureaus. Sando classificou o recurso como fundamental para a sustentabilidade financeira dessas organizações e defendeu que os empreendimentos hoteleiros compreendam sua função dentro da estratégia de promoção dos destinos.
“Um destino forte é aquele que tem um Convention estruturado, forte para representar cada um aqui na busca de eventos, na busca de visitantes e turismo”, declarou.
Com a reforma tributária, Sando também chamou atenção para a parametrização do Room Tax nos sistemas dos hotéis. Segundo ele, a Unedestinos já apresentou orientações sobre o tema em diferentes regiões do País. A contribuição deve aparecer separada das receitas próprias do estabelecimento e ser identificada como recurso de terceiros destinado ao Convention Bureau.
Para o executivo, a transferência do valor representa apenas o início de um ciclo que retorna ao destino e à própria hotelaria. “É através desse recurso que a gente consegue ter uma equipe de profissionais atuando em prol do destino”, explicou. Segundo Sando, os recursos financiam ações de promoção, presença comercial, inteligência e plataformas digitais, com o objetivo de gerar demanda para os empreendimentos.
Associativismo como instrumento do turismo
Sando também defendeu o associativismo como elemento central para elevar a representatividade do turismo. Ao recordar a mobilização do setor durante a pandemia e as discussões em torno do Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse), ele apontou que a atuação conjunta permite ao mercado defender pautas de interesse coletivo com maior capacidade de interlocução.
“Sozinhos, nós podemos defender os nossos próprios interesses, mas unidos, nós temos a força de defendermos o setor”, declarou. Na visão do executivo, Convention Bureaus e entidades representativas da hotelaria, turismo e eventos exercem papéis complementares na defesa da atividade.
Ao fim da palestra, o presidente do Visite São Paulo e da Unedestinos voltou a defender uma relação próxima entre iniciativa privada e poder público para colocar turismo e eventos em posição compatível com sua relevância econômica. Também pediu maior participação dos hotéis no financiamento das ações dos Convention Bureaus.
“O Room Tax não é uma negociação comercial para dar desconto, mas uma contribuição para que a gente possa trazer mais negócios para cada um de vocês”, concluiu Sando. Para ele, destinos com estruturas de promoção bem financiadas possuem melhores condições de disputar visitantes e eventos nos mercados nacional e internacional.













