Turista vai pagar mais no Reino Unido? WTTC teme fuga de visitantes

Novas taxas sobre hospedagem preocupam entidade, que estima impacto bilionário caso viajantes migrem para destinos mais competitivos

Kamilla Alves
Kamilla Alves
Gestora Web - E-mail: milla@brasilturis.com.br

O Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC) alertou para os possíveis impactos da criação de taxas turísticas sem um teto nacional no Reino Unido. Segundo informações do Publituris, a entidade avalia que a medida pode elevar o custo das viagens, reduzir a competitividade internacional do destino e provocar uma migração de visitantes e investimentos para outros mercados.

O posicionamento ocorre após a decisão do governo britânico de permitir que prefeitos e outros líderes locais na Inglaterra estabeleçam taxas sobre pernoites de visitantes. A cobrança poderá incidir sobre hotéis, casas de temporada, acomodações locais e outros meios de hospedagem de curta duração, com valores calculados como percentual da tarifa.

Um dos pontos de preocupação do WTTC é a ausência de um limite máximo nacional, o que, segundo a entidade, pode resultar em diferentes níveis de tributação entre destinos e aumentar a fragmentação dos custos enfrentados pelos viajantes.

WTTC estima impacto bilionário sobre gastos turísticos

Pesquisa divulgada pelo WTTC neste ano aponta que 29% dos viajantes dos Estados Unidos, França e Alemanha – mercados emissores relevantes para o Reino Unido – considerariam escolher outro destino ou desistir da viagem diante de uma taxa turística de € 10.

Entre os próprios britânicos, 39% afirmaram que poderiam optar por outro destino ou deixar de viajar dentro do Reino Unido caso fossem cobradas £ 10 adicionais.

A partir desse cenário, o WTTC estima que a redução nos gastos de visitantes internacionais poderia alcançar £ 14,4 bilhões em 2027.

Para a entidade, o impacto deve ser analisado para além da arrecadação direta proporcionada pela cobrança. A preocupação envolve os efeitos do aumento acumulado dos custos sobre a demanda turística e, consequentemente, sobre empresas, empregos e investimentos associados ao setor.

“O Reino Unido deveria facilitar as viagens, não torná-las mais caras. Os viajantes têm opções e, se o Reino Unido se tornar menos competitivo, eles levarão seus gastos para outros destinos”, afirma Gloria Guevara, presidente e CEO do WTTC.

Entidade pede previsibilidade na tributação

O WTTC defende que eventuais taxas aplicadas aos visitantes sejam proporcionais e previsíveis e considerem a posição do Reino Unido diante de destinos concorrentes.

Segundo o Conselho, o setor de viagens e turismo já enfrenta pressões relacionadas aos custos, enquanto a competitividade de preços do país permanece como ponto de atenção. A entidade pede, portanto, que o governo e as administrações locais avaliem não somente quanto as novas cobranças podem gerar em receita, mas também seu potencial efeito sobre a demanda.

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