A Federal Aviation Administration (FAA) avança nas discussões para modernizar o controle de tráfego aéreo dos Estados Unidos em um momento de pressão sobre a operação das companhias. Escassez de controladores, condições meteorológicas e problemas tecnológicos têm provocado atrasos e cancelamentos, enquanto empresas são cobradas por respostas mais eficientes às interrupções.
Bryan Bedford, administrador da FAA, deve apresentar nesta terça-feira (15) a parlamentares norte-americanos os planos para uma reforma de US$ 12,5 bilhões no sistema de controle de tráfego aéreo. A discussão ocorre após um órgão fiscalizador do governo alertar para insuficiências de recursos.
Ao mesmo tempo, a agência estuda ferramentas tecnológicas para melhorar o planejamento dos voos. Bedford se reuniu na última quinta-feira (10) com presidentes das principais companhias aéreas dos Estados Unidos para discutir mudanças no gerenciamento das operações.
Entre as iniciativas está o Smart, sistema que utiliza análise preditiva e pode ajudar a reorganizar com maior eficiência voos cancelados por condições meteorológicas adversas.
Interrupções pressionam operação das companhias
A discussão ganhou força após problemas registrados durante o verão norte-americano. A JetBlue informou que os cancelamentos relacionados ao controle de tráfego aéreo quase dobraram no Nordeste dos Estados Unidos em relação à média dos três verões anteriores.
A região enfrentou tempestades e falta de controladores. Além disso, concentra o espaço aéreo mais congestionado do país, o que aumenta o risco de atrasos e amplia os desafios para a recuperação das operações.
Dados da consultoria Cirium mostram que a JetBlue registrou taxa de cancelamento de 8,3% em julho. Entre Frontier, Delta Air Lines e United Airlines, o índice ficou abaixo de 3%.
O sindicato dos pilotos da JetBlue cobrou medidas adicionais para impedir que atrasos e cancelamentos provoquem um efeito cascata na malha.
“Tempestades e restrições de tráfego aéreo acontecerão; nenhuma companhia pode eliminar completamente as interrupções operacionais”, afirmou Wayne Scales, presidente da divisão da JetBlue na Air Line Pilots Association. Segundo ele, a empresa pode controlar seu nível de preparação e a eficiência da recuperação após os problemas.
A JetBlue afirmou que preparou a operação de verão com base no histórico meteorológico e no desempenho do controle aéreo. No entanto, destacou que tempestades e ausência de controladores podem comprometer mesmo planejamentos antecipados.
Análise preditiva entra na modernização do sistema
A tecnologia aparece como uma das possíveis respostas para reduzir o efeito dominó dessas interrupções. Bob Mann, consultor do setor aéreo nos Estados Unidos, afirmou que já existem softwares capazes de minimizar a propagação de atrasos e cancelamentos, embora seu uso ainda não seja disseminado entre as companhias.
Nesse cenário, o SMART pretende oferecer informações que permitam antecipar restrições e melhorar decisões operacionais. A ferramenta utiliza análise preditiva e poderá contribuir, por exemplo, para reorganizar voos cancelados por mau tempo.
A JetBlue avaliou positivamente a iniciativa. Segundo a companhia, o sistema tem potencial para fornecer à FAA e às empresas informações e ferramentas melhores para antecipar limitações, tomar decisões e recuperar as operações após interrupções.
O debate norte-americano ocorre em um contexto mais amplo. Problemas relacionados ao controle de tráfego aéreo também provocaram atrasos e cancelamentos na Austrália e no Reino Unido, segundo a Reuters.













