Azul celebra 10 anos na Europa e mira consolidação de operações em Lisboa, Porto e Madri

Companhia transportou quase 3 milhões de passageiros em 10 mil voos entre Brasil e Europa e prepara mudanças em produtos internacionais

Matheus Alves
Matheus Alves
Repórter - E-mail: matheus@brasilturis.com.br

Lisboa (Portugal) – A Azul Linhas Aéreas celebrou nesta quinta-feira (17) uma década de operações entre o Brasil e a Europa, em evento realizado em Portugal para reunir agentes de viagens, consolidadores, operadores, OTAs e outros parceiros comerciais. Ao longo dos dez anos, a companhia transportou quase 3 milhões de passageiros entre os dois mercados em mais de 10 mil voos, segundo Fábio Campos, vice-presidente institucional e corporativo da Azul.

A operação europeia da companhia começou com a rota entre Campinas (SP) e Lisboa e, posteriormente, foi ampliada com voos para Porto e Madri. Atualmente, a Azul opera dois voos diários entre Campinas e Lisboa e um voo diário entre Porto e o Brasil, dividido entre Campinas e Recife (PE). Para Campos, a conectividade proporcionada pela companhia vai além das ligações diretas entre os dois continentes, já que os passageiros que chegam ao Brasil podem acessar uma ampla rede doméstica.

“Azul não conecta só Lisboa a Campinas ou Porto a Campinas e a Recife. Damos ao turista português a oportunidade de se conectar diretamente para mais de 60 destinos”, afirma o executivo. Segundo ele, essa capilaridade permite que o visitante europeu explore diferentes regiões brasileiras, incluindo destinos de praia, Amazônia, Pantanal, Serra Gaúcha e cidades históricas.

Trade como peça central

A relação com o mercado de agências de viagens foi um dos principais pontos destacados pela Azul durante o encontro. Ricardo Bezerra, diretor comercial da companhia, afirmou que a empresa pretende manter como prioridade a aproximação com o trade durante a nova fase da companhia, após o processo de reestruturação financeira.

Na Europa, segundo Bezerra, 100% das vendas da Azul passam pelo trade, enquanto, no Brasil, cerca de metade das vendas de passagens para Lisboa, Porto e Madri é realizada por meio de agências de viagens. “As agências de viagens são extremamente importantes para fazer com que isso funcione e que a Azul olhe sempre para esse mercado”, pontua.

O executivo conta ainda que o relacionamento com as agências deve continuar sendo ampliado nos diferentes segmentos atendidos pela área B2B, incluindo corporativo, consolidação, operadoras, fretamentos e grupos. “Nós não tratamos como clientes, tratamos como parceiros”, ressalta.

Para Bezerra, o principal objetivo da companhia neste momento é consolidar as operações internacionais existentes e aprimorar a experiência do passageiro em toda a jornada, desde a compra até o voo. “Hoje o nosso trabalho principal no internacional é trazer a melhor experiência de viagem para essas pessoas, olhando a jornada”, explica.

Turismo português em alta

Campos também destaca o crescimento do fluxo de turistas portugueses para o Brasil. De acordo com o executivo, os números deste ano apontam crescimento de 25% na quantidade de turistas portugueses viajando ao Brasil em relação ao ano passado.

A Azul vê na conectividade aérea um instrumento para ampliar a distribuição desses visitantes pelo território brasileiro. “Quando se trata de turismo, o Brasil não é um país, é vários países dentro de um país”, afirma Campos, ao citar a diversidade de biomas, praias, centros urbanos e destinos históricos.

O executivo também ressalta a atuação conjunta com entidades como a Embratur e parceiros comerciais na promoção dos destinos brasileiros na Europa. Para ele, o trabalho de divulgação deve envolver diferentes empresas e instituições, e não apenas a companhia aérea.

Azul 10 anos Europa
Fábio Campos, vice-presidente institucional e corporativo da Azul. Crédito: Rafa Queiroz/Brasilturis

Expansão internacional após reestruturação

Questionado sobre novos planos para o mercado europeu, Campos evitou antecipar possíveis anúncios, mas afirmou que a Azul trabalha em um processo de renovação de seus produtos após a reestruturação financeira. Segundo ele, a companhia deve apresentar novidades ao longo dos próximos meses, incluindo mudanças nos produtos internacionais e domésticos.

Entre as novidades previstas está a criação da classe Azul Comfort nas operações internacionais. O executivo também indicou mudanças em serviços e produtos nos voos domésticos, com uma sequência de anúncios esperada entre o próximo mês e o fim do ano.

Apesar da perspectiva de renovação, Campos afirmou que a companhia ainda está concluindo uma transição de frota internacional. Por isso, a expansão de capacidade deverá ser avaliada posteriormente. “Embora a gente venha trabalhando numa transição da frota internacional, isso não quer dizer que a gente diminuiu nossa malha internacional”, declara.

Ele também avaliou que o processo de reestruturação financeira, realizado nos Estados Unidos, não interrompeu a operação da empresa. Campos citou os índices de pontualidade da Azul durante o período e afirmou que a companhia segue trabalhando para ampliar sua capacidade quando a transição de frota estiver concluída.

Parceria com a Tap

A relação comercial com a Tap Air Portugal também foi abordada durante o evento. Campos afirmou que a parceria entre as duas companhias permanece sólida, independentemente das mudanças na estrutura acionária da companhia portuguesa.

Segundo ele, a cooperação permite combinar a conectividade doméstica da Azul no Brasil com a rede da Tap na Europa. Na prática, passageiros podem chegar ao Brasil pela Tap e seguir em conexões operadas pela Azul para outros destinos, enquanto clientes da Azul podem utilizar a malha da companhia portuguesa para acessar diferentes mercados europeus. A parceria inclui ainda facilidades como despacho de bagagem até o destino final e integração dos programas de fidelidade.

Sobre o processo judicial relacionado a um empréstimo concedido pela Azul à Tap em 2016, Campos conta que o caso segue em tramitação na Justiça e que a companhia aguarda uma decisão. O executivo não comentou detalhes sobre a responsabilidade pela dívida, citando o caráter judicial da questão.

Brasil como destino

A Azul também pretende utilizar sua operação internacional como ferramenta de promoção do turismo brasileiro. Campos cita o programa de conectividade lançado pela companhia como uma forma de transformar a diversidade de destinos nacionais em produtos turísticos para o visitante estrangeiro.

“O Brasil é apaixonante no turismo”, afirma. Para o executivo, ampliar a oferta de experiências para além dos principais destinos já conhecidos pelos europeus é uma oportunidade para aumentar o fluxo internacional.

Nesse contexto, Campos também comentou a chegada de novas operações de outras companhias brasileiras entre Portugal e o Brasil. Sem citar diretamente uma estratégia de disputa por participação, afirmou que o crescimento do mercado pode beneficiar diferentes empresas. “Se o bolo está crescendo, tem fatia para todo mundo”, declara.

Azul 10 anos Europa
Ricardo Bezerra, diretor comercial da companhia. Crédito: Rafa Queiroz/Braislturis

Café e gastronomia a bordo

O evento também marcou a apresentação de iniciativas ligadas à experiência de viagem e à gastronomia. Campos destaca uma nova parceria da Azul com a Delta Cafés para o serviço de café a bordo, iniciativa que, segundo ele, busca recuperar a presença do produto nos voos da companhia.

A Azul também mantém parceria com o chef Alex Atala, iniciada no ano passado, para desenvolver propostas gastronômicas associadas à identidade brasileira. Campos afirma que novas iniciativas relacionadas ao chef deverão ser apresentadas dentro do pacote de novidades previsto para os próximos meses.

Próxima fase

Para Bezerra, a comemoração dos dez anos teve como principal objetivo agradecer aos parceiros comerciais que participaram da construção da operação europeia da Azul. Antes do evento, o executivo e Campos realizaram visitas a agências portuguesas para estreitar o relacionamento com o mercado. “Essa celebração é para agradecer tudo que eles fizeram por nós”, comenta Bezerra.

Com as operações para Lisboa, Porto e Madri mantidas como foco imediato, a companhia afirma que pretende avançar na nova fase priorizando a experiência do passageiro, a relação com o trade e a consolidação das rotas internacionais já existentes, enquanto prepara mudanças de produto e serviço para os próximos meses.

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