Travel Connect 2026 reúne 2 mil profissionais para debater IA, dados e cenário das viagens corporativas

Evento da Voll reuniu quase 2 mil profissionais em São Paulo e abordou automação, segurança, economia e perspectivas para o mercado corporativo

Matheus Alves
Matheus Alves
Repórter - E-mail: matheus@brasilturis.com.br

O Travel Connect 2026 reuniu quase 2 mil profissionais e mais de 25 lideranças e especialistas em sua edição realizada em 9 de setembro, no WTC Golden Hall, em São Paulo. Promovido pela Voll, o evento teve sete horas de programação e discutiu temas como inteligência artificial (IA), uso de dados, cenário econômico e transformações nas viagens corporativas.

Participaram da programação executivos da Global Business Travel Association (GBTA), XP Investimentos, McDonald’s, Visa, Atlantica Hotels, Mastercard, LATAM Airlines e Voll, entre outras organizações. A programação foi dividida em três trilhas: Viagens Corporativas, Quem Faz Acontecer e Procurement em Rota, dedicada a Compras e Gestão da Cadeia de Suprimentos e assinada pela Live University/Inbrasc.

“A inteligência artificial é uma ferramenta muito poderosa, que vai se transformar, e as soluções serão cada vez mais sofisticadas para gerar controle, segurança e economia para as empresas. Mas o que vai fazer a diferença são as pessoas que estão dentro dessa sala, os gestores de viagens e despesas”, afirmou Luciano Brandão, CEO da Voll, durante a apresentação das novidades da plataforma da empresa.

Luiz Moura, cofundador da Voll, destacou o uso de dados na gestão das viagens corporativas. “A maior perda das empresas não está apenas no que gastam em viagens, mas no que deixam de ganhar por não terem dados para decidir melhor. Nosso compromisso é oferecer clareza e informação de qualidade para quem gere viagens e despesas corporativas no Brasil.”

Travel Connect
Luciano Brandão, CEO da Voll, e Luciano Huck. Crédito: Divulgação

Dados do mercado corporativo

Durante o evento, foi apresentado o Radar Business Travel 2026, levantamento realizado pela Voll com apoio da Visa. O estudo reúne indicadores do mercado brasileiro de viagens corporativas, dados do GBTA Business Travel Index 2026, referências internacionais e análises sobre o uso da IA no setor.

Segundo os dados apresentados, o Brasil deve movimentar R$ 183 bilhões em viagens corporativas em 2026, crescimento estimado de 13,8% no ano. O país ocupa a 10ª posição entre os maiores mercados globais em gastos com viagens a trabalho, com projeção de US$ 35,8 bilhões.

Katherine Farrel, vice-presidente das Américas da GBTA, apresentou um panorama do mercado na América Latina e no mundo. No recorte de São Paulo, as viagens corporativas geraram mais de US$ 3,4 bilhões em receitas relacionadas à atividade econômica em 2024, além de mais de 33 mil postos de trabalho. Segundo os dados apresentados, 31% dos gastos permaneceram na economia local.

Inteligência artificial e gestão

A aplicação da IA em viagens corporativas esteve entre os principais temas do evento. Luciano Huck, apresentador e empresário, abordou os efeitos da tecnologia sobre diferentes aspectos da sociedade.

“O que está acontecendo com a IA agora é exponencialmente mais forte do que muitas das transformações que vivemos até aqui. Cada vez mais ela vai atuar na forma como aprendemos, escolhemos e tomamos decisões”, afirmou.

Linda Zhang, diretora global de B2B da 99 para Empresas, discutiu modelos de parceria e digitalização na construção de jornadas integradas. “O importante é estarmos abertos, porque nenhuma empresa precisa cuidar sozinha de toda a jornada. Hoje, a digitalização permite soluções mais abrangentes.”

Clyde Rosanowski, da Mastercard, abordou a chamada IA agêntica, que pode interpretar a intenção de uma solicitação, considerar informações como agenda e contexto e executar etapas de uma viagem de forma automatizada. Segundo o executivo, a participação humana tende a se concentrar em situações que exigem decisão, validação ou tratamento de exceções.

Rosanowski também destacou o pós-viagem, etapa que concentra processos manuais e repetitivos e que pode ser integrada a sistemas de automação. “Pessoas gerenciam os negócios, enquanto a inteligência dos sistemas gerencia a viagem”, resumiu.

Na trilha Procurement em Rota, Alex Leite, sócio-investidor da Live University/Inbrasc, abordou as competências do profissional do futuro, com destaque para pensamento crítico, criatividade, tomada de decisão e aprendizado contínuo. O executivo também mediou um debate sobre o papel de profissionais e agentes de inteligência artificial no futuro de Procurement.

Painel “Viagens sem Fronteiras”. Crédito: Divulgação

Tecnologia e segurança

A tecnologia também foi discutida sob a perspectiva da segurança de diferentes perfis de viajantes. No painel “Viagens sem Fronteiras”, Luana Nogueira, diretora-executiva da Alagev; Marcelo Turek, diretor comercial da Assist Card; e Deborah Calazans, Customer Success Director da Voll, abordaram situações enfrentadas por mulheres e pessoas LGBTQIAPN+ em viagens corporativas.

Segundo dados apresentados no painel, 62% dos gestores de viagens reconhecem que mulheres estão mais expostas a riscos durante deslocamentos corporativos, enquanto 27% contam com políticas específicas para essa questão.

“Dentro do Brasil é mais administrável, mais fácil de aplicar soluções. Fora do país, há a questão do idioma, de aspectos culturais e de protocolos que precisam ser estudados. […] E não falo somente das mulheres, mas também das pessoas LGBTQIAPN+. Uma régua não mede todos igualmente. A tecnologia ajuda.”

Aviação e comércio agêntico

Paulo Silva, head de arquitetura da LATAM Airlines, apresentou a palestra “Experiências integradas na era dos agentes de IA”, na qual abordou o chamado comércio agêntico no setor de viagens.

De acordo com os dados apresentados, o tráfego de ferramentas de inteligência artificial para sites de viagens nos Estados Unidos cresceu 119% em relação ao ano anterior. O engajamento aumentou 14% em julho, enquanto a conversão associada a esse tráfego foi 60% superior à registrada em outras origens.

Daniela Araujo, Chief Alliances Officer da Voll, e Eduardo Giestas, CEO da Atlantica Hotels. Crédito: Divulgação

Turismo e cenário econômico

O cenário econômico e seus impactos sobre o turismo também fizeram parte da programação. Daniela Araujo, Chief Alliances Officer da Voll, e Eduardo Giestas, CEO da Atlantica Hotels, discutiram os efeitos dos ciclos de expansão e retração da economia sobre o setor.

Giestas relembrou a recessão de 2015 e 2016 e afirmou que o setor hoteleiro respondeu à redução da demanda com cortes significativos de preços, estratégia que, segundo ele, não foi suficiente para estimular o mercado. A experiência teria contribuído para uma abordagem diferente durante a pandemia, com diversificação dos negócios e investimentos em tecnologia e otimização de processos.

Segundo os números apresentados no painel, o turismo representa entre 6% e 8% da economia e emprega aproximadamente 8 milhões de pessoas. Giestas também citou o ecoturismo como uma das possibilidades de desenvolvimento da atividade no país.

A discussão incluiu ainda questões relacionadas a ESG, como a incorporação de práticas ambientais e sociais às operações, redução do consumo de recursos e de plásticos de uso único e a influência desses critérios na escolha de fornecedores e na atração e retenção de profissionais.

Guilherme Dietze, economista e presidente do Conselho de Turismo da Fecomércio. Crédito: Divulgação

Perspectivas para 2026

Guilherme Dietze, economista e presidente do Conselho de Turismo da Fecomércio, abordou os efeitos dos juros, da renda e do endividamento sobre a economia. Segundo os dados apresentados, 82% das famílias brasileiras estão endividadas, enquanto os créditos em atraso somam R$ 250 bilhões entre pessoas físicas e R$ 86 bilhões entre pessoas jurídicas.

O economista também discutiu os impactos dos juros sobre indústria, varejo e serviços, especialmente pelo encarecimento do crédito e seus efeitos sobre consumo e investimentos. No turismo, a reforma tributária foi apontada como um dos temas que devem exigir atenção de empresas e agentes de viagens nos próximos anos.

Para 2026, a expectativa apresentada no evento é de crescimento de 5% nas viagens corporativas. Dados da GBTA indicam ainda que o mercado brasileiro de viagens a negócios pode movimentar US$ 35,7 bilhões.

Na programação final, Paola Carosella, apresentadora, empresária e cozinheira, falou sobre sua trajetória profissional, insegurança e construção de confiança para ocupar novos espaços.

“O momento em que a gente se sente pronto para ocupar o lugar que conquistou é o instante, aquele pedacinho, entre o medo e o primeiro passo”, afirmou.

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